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Vapor Benjamim Guimarães: a história viva sobre as águas do São Francisco

Após cinco anos de restauração, emblemática embarcação está pronta para navegar novamente

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Embarcação está aberta para visitação pública enquanto o Rio São Francisco está com volume baixo
Embarcação está aberta para visitação pública enquanto o Rio São Francisco está com volume baixo • Ramon Rocha/ Agência Minas

Por ocasião dos 113 anos de Pirapora, o Vapor Benjamim Guimarães foi oficialmente reinaugurado, reacendendo a chama da memória histórica e cultural às margens do Rio São Francisco. A emblemática embarcação, única no mundo em operação com propulsão a lenha e roda de pás, passou por uma minuciosa restauração ao longo de cinco anos, com investimento de R$ 5,3 milhões, viabilizado pelo Ministério de Minas e Energia por meio do Novo PAC e do Programa de Revitalização das Bacias dos Rios São Francisco e Parnaíba.

A cerimônia, realizada no último domingo (1º), contou com autoridades e moradores emocionados. Embora ainda ancorado por motivos de segurança, o vapor está pronto para navegar assim que o volume de água do Rio São Francisco permitir. Enquanto isso, permanece aberto à visitação pública.

Durante o evento, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou o valor simbólico e afetivo da embarcação. “Ouvir o apito da cultura mineira que mexe com a alma de todos nós, que é o Benjamin Guimarães. Cultura é história, e é fundamental que a gente preserve a nossa história para que tenhamos um presente nos olhos do futuro”, afirmou.

Patrimônio de Minas Gerais

O professor e historiador Thiago Pereira, membro do Tempus Podcast, também ressaltou a importância do vapor em entrevista à Itatiaia nesta terça-feira (3) – Dia Nacional em Defesa do Velho Chico. “Falar do Benjamin Guimarães, reconhecido como patrimônio de Minas Gerais desde 1985, é falar das raízes de um ciclo muito importante da história brasileira, mineira e da região. Ele é uma referência cultural, ambiental, econômica e paisagística. Vincula a comunidade com o rio e com a memória coletiva”, declarou.

Thiago também explicou o contexto histórico da embarcação: “Ele foi construído em 1913 nos Estados Unidos, navegou pelo Rio Mississipi e, depois, na Bacia Amazônica. Desde 1920, percorre o Vale do São Francisco, conectando Pirapora a cidades como Juazeiro e Petrolina, fortalecendo laços sociais e econômicos entre o Norte de Minas e o Nordeste. O nome Benjamin Guimarães homenageia o patriarca da Companhia de Comércio e Navegação, empresa responsável pela sua operação na época”.


Thiago Pereira (à esquerda) em encontro com o cônsul dos Estados Unidos para Minas Gerais, Brian Bauer (à direita).O historiador relembra um momento marcante em sua trajetória profissional: uma conversa, em novembro de 2014, com o cônsul dos Estados Unidos para Minas Gerais, Brian Bauer. O encontro aconteceu durante uma visita ao Museu Regional do Norte de Minas, em Montes Claros, onde os dois pararam diante de uma réplica do vapor Benjamim Guimarães.

O cônsul compartilhou uma lembrança pessoal que conectou passado e presente de forma singular. Ele contou que, em sua infância, nadava nas águas do Rio Mississipi, nos Estados Unidos – o mesmo rio por onde o Benjamim Guimarães navegava no início do século XX antes de ser trazido para o Brasil. O relato emocionou Thiago Pereira, que viu naquela memória uma ponte entre culturas, histórias e geografias distintas, unidas pela simbologia do vapor.

Para Thiago, o episódio simboliza a importância da preservação da memória e a força dos museus como espaços de encontro e reconhecimento da diversidade histórica.

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Osmar Macedo é repórter da Itatiaia – Montes Claros. Jornalista formado pela UFMG e graduado em História pela Unimontes. Entre as coberturas que participou, destaca a tragédia na Creche Gente Inocente em Janaúba e a Canonização de Irmã Dulce, direto de Roma e do Vaticano.

 

 

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