Montes-clarense que esteve três vezes com o Papa Francisco relata emoção e aprendizado com o pontífice
“Ele mostrou que há lugar para todos.”, afima a presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil

Legado, humildade e cuidado com os mais pobres. Essas são algumas das palavras que marcam a trajetória do Papa Francisco, o 266º líder da Igreja Católica, que morreu na última segunda-feira (21), aos 88 anos, no Vaticano. Para a presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil, a montes-clarense Sônia Gomes de Oliveira, o pontífice argentino foi mais do que um chefe religioso: foi um verdadeiro mensageiro da paz.
Em entrevista à Itatiaia, Sônia, que esteve com o Papa em três ocasiões no Vaticano, relatou a dor ao saber da morte do pontífice e o quanto esses encontros marcaram a sua vida. “Foi um susto. Parecia que eu estava perdendo alguém da família. Meu chão saiu do lugar. Um sofrimento muito grande”, contou emocionada.
Ela esteve pela primeira vez com o Papa em fevereiro de 2023, quando apresentou um seminário sobre a atuação dos leigos na Igreja. Depois, participou como uma das primeiras mulheres com direito a voz e voto no Sínodo sobre a Sinodalidade - evento histórico que abriu espaço para representantes não-bispos discutirem os rumos da Igreja. “Ele olhou nos meus olhos e disse: ‘Convidei as mulheres porque sabia que vocês não iam se acovardar’. Isso marcou minha alma”, relembra.
Para Sônia, o Papa Francisco deixa um legado de renovação e inclusão. “Quando ele convoca 58 mulheres para um espaço que antes era exclusivo dos bispos, ele mexe com a estrutura de uma igreja milenar, fechada e hierárquica. Ele mostrou que há lugar para todos.”
"E agora, o que será de nós?"
A assistente social, que atua na Pastoral Carcerária em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, destaca ainda a forte ligação do Papa com os marginalizados. “Ele nos ensinou que Jesus Cristo deve estar no centro da Igreja – e os pobres com Ele. Ontem, uma pessoa em situação de rua me perguntou: ‘E agora, o que será de nós?’. Isso mostra o quanto ele era próximo dos mais necessitados.”
Francisco também foi lembrado por seus gestos concretos de humildade, como ao lavar os pés de presos em penitenciárias durante três anos consecutivos na Quinta-feira Santa. “São os invisibilizados da sociedade. Ele ia até eles para mostrar que ninguém está excluído do amor de Deus”, completa Sônia.
O velório do pontífice
O corpo do Papa Francisco está sendo velado desde esta quarta-feira (23), na Basílica de São Pedro, no Vaticano. O enterro está marcado para o sábado (26), fora do Vaticano, conforme seu desejo, na Basílica de Santa Maria Maior, o primeiro templo do Ocidente dedicado a Nossa Senhora.
Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio, deixa como marca um pontificado guiado pela compaixão, pelo diálogo e pela esperança. Para quem esteve com ele, como Sônia Gomes, o sentimento é de gratidão. “Ele plantou em nós a coragem de seguir com fé, acolhendo e transformando. Um ensinamento para a vida inteira.”, finaliza.
Osmar Macedo é repórter da Itatiaia – Montes Claros. Jornalista formado pela UFMG e graduado em História pela Unimontes. Entre as coberturas que participou, destaca a tragédia na Creche Gente Inocente em Janaúba e a Canonização de Irmã Dulce, direto de Roma e do Vaticano.
