Da diversão ao perigo: como proteger crianças e adolescentes nas redes sociais e jogos online
Psicólogo orienta sobre os cuidados e como prevenir os riscos da Internet

O uso cada vez mais precoce da Internet por crianças e adolescentes exige atenção redobrada das famílias. Em entrevista à Itatiaia, em Montes Claros, o psicólogo comportamental Agno Oliveira alertou para os principais riscos do ambiente digital e destacou que a proteção dos menores depende da atuação conjunta de pais, plataformas digitais e do poder público.
Segundo o especialista, os principais perigos incluem a exposição a conteúdos inadequados, perfis falsos usados para aliciamento, desafios virtuais, cyberbullying e o uso excessivo de telas. "A Internet é como um parque de diversões sem monitor e sem sinalização. A responsabilidade é muito grande", comparou.
Agno ressaltou que a nova Lei Estadual nº 25.881 fortalece a proteção de crianças e adolescentes ao ampliar mecanismos de prevenção contra abuso, assédio, exploração e uso indevido da imagem de menores. Para ele, a legislação representa um avanço ao dividir com as plataformas digitais a responsabilidade pela segurança dos usuários mais jovens. "As empresas passam a ser obrigadas a criar barreiras para dificultar o acesso a conteúdos impróprios e facilitar denúncias", explicou.
O psicólogo também orientou os pais a observarem mudanças de comportamento que podem indicar situações de risco, como isolamento, irritabilidade, agressividade, esconder a tela do celular, trocar senhas com frequência e evitar o convívio familiar. "Se tem segredo, já não é saudável", afirmou.
Outro ponto de preocupação é o excesso de tempo diante das telas. De acordo com Agno, o hábito pode provocar dificuldades para dormir, queda no rendimento escolar, falta de concentração e distanciamento da família. "O problema não é a tecnologia, mas o excesso e a qualidade do conteúdo consumido", destacou.
Para estabelecer limites sem gerar conflitos, o especialista recomenda criar regras antes de entregar um celular ou outro dispositivo à criança. "É preciso fazer acordos prévios e manter um diálogo aberto para que os filhos saibam que podem procurar os pais sempre que se sentirem inseguros", orientou.
Agno também defendeu o uso de ferramentas de controle parental, configurações de privacidade e monitoramento da atividade online. "Se tem ferramenta de proteção, use", recomendou. Ele lembrou que criminosos podem utilizar chats de jogos e até inteligência artificial para manipular crianças e adolescentes.
Como orientação final, o psicólogo reforçou a importância da participação dos pais na vida digital dos filhos. "Conheça os jogos, participe desse universo e converse com seus filhos. A tecnologia traz benefícios, mas exige responsabilidade e acompanhamento constante", concluiu.
Osmar Macedo é repórter da Itatiaia – Montes Claros. Jornalista formado pela UFMG e graduado em História pela Unimontes. Entre as coberturas que participou, destaca a tragédia na Creche Gente Inocente em Janaúba e a Canonização de Irmã Dulce, direto de Roma e do Vaticano.


