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IA revoluciona mapeamento da biodiversidade e revela detalhes inéditos da fauna e flora

Método desenvolvido pelo Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG corrige lacunas históricas de dados e capta variações em áreas desmatadas que os mapas tradicionais não conseguem identificar

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Estudo valeu-se do registro de ocorrência de mais de 14 milhões de espécies • Ubirajara Oliveira/UFMG

O mapeamento da biodiversidade é uma peça-chave para a preservação de espécies e a gestão ambiental. Contudo, a falta de investimentos e o difícil acesso a regiões remotas historicamente deixaram grandes “pontos cegos” nos mapas tradicionais. Para solucionar esse gargalo, pesquisadores do Centro de Sensoriamento Remoto (CSR) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram um modelo de aprendizado de máquina capaz de estimar a real riqueza de espécies no planeta, isolando as falhas de amostragem do efeito ambiental real.

Sob a liderança dos cientistas Ubirajara Oliveira e Britaldo Silveira Soares-Filho, a ferramenta computacional processou mais de 14 milhões de registros de ocorrência de diversos grupos biológicos — como aves, mamíferos, anfíbios, répteis, insetos (abelhas, formigas, borboletas, aranhas) e famílias de plantas. O sistema cruzou esses dados biológicos com imagens de satélite contendo informações sobre clima, relevo e o estado de conservação da vegetação.

Os resultados da pesquisa foram publicados no artigo “Occurrence-based models reveal greater spatial details in tropical species richness”, na revista científica Frontiers in Ecology and Evolution.

Mapeamento com alta precisão e detalhamento local

Com a inclusão das variáveis de vegetação via satélite, a nova metodologia consegue identificar nuances territoriais que ferramentas anteriores ignoravam, como o impacto direto do desmatamento e da degradação ambiental na distribuição biológica.

AspectoMapas tradicionais (Ex: IUCN)Novo modelo por aprendizado de máquina (UFMG)
MetodologiaDesenho manual de polígonos por especialistasAlgoritmos de IA combinando registros com dados ambientais de satélite
Limitação principalÁreas sem amostragem geram lacunas na estimativaIsola a falta de dados e estima a riqueza real caso a área fosse pesquisada
Sensibilidade territorialGeneralização em ampla escalaCaptura variações locais, como trechos de vegetação degradada ou desmatada
ValidaçãoAvaliação qualitativa de peritosTestes internos e validação com mais de 100 inventários de campo

O Brasil no centro da conservação mundial

A aplicação do modelo confirmou a soberania das florestas tropicais como os ecossistemas mais ricos do planeta:

  • Amazônia: consolidou-se como a região de maior diversidade biológica da Terra na quase totalidade dos grupos de fauna e flora analisados.

  • Cerrado: destacou-se como a savana tropical mais rica do mundo, reforçando a urgência de estratégias de conservação voltadas ao bioma.

     

"Nossos mapas mostram variações locais de riqueza que os mapas tradicionais simplesmente não capturam, principalmente em regiões afetadas por desmatamento. Esse tipo de mapa detalhado é uma ferramenta valiosa para orientar decisões de conservação, planejamento do uso da terra e avaliação de impactos ambientais", disse o pesquisador do CSR-UFMG Ubirajara Oliveira.

A elevada correspondência do modelo com os dados de campo e com as referências globais da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) valida a inteligência artificial como uma aliada estratégica para governos, cientistas e formuladores de políticas públicas na proteção dos ecossistemas.

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