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El Niño: região crucial para o surgimento do fenômeno apresenta anomalias; entenda

Reigão chamada Niño 3.4, no Oceano Pacífico Equatorial, apresentou aumento na temperatura, segundo agência dos EUA

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Pela primeira vez neste ano, o Oceano Pacífico Equatorial, na chamada região Niño 3.4, apresentou uma anomalia de temperatura da superfície do mar. A condiação, que acontece à medida que as águas das profundezas começam a emergir na superfície, caracteriza o estágio inicial de aquecimento que devem antenceder o El Niño — fenômeno definido pelo aquecimento anormal das águas e enfraquecimento dos ventos, causando seca nas regiões Norte e Nordeste do Brasil e, por outro lado, chuvas intensas no Sul do país.

O último boletim da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, aponta que a anomalia de temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 é de +0,2°C. O valor está na faixa de neutralidade, estipulada entre -0,4°C a +0,4°C, mas indica que está em processo de aquecimento desde as últimas duas semanas, em que a região do Pacífico registrou 0,0°C.

Enquanto isso, a região Niño 1+2, perto das costas do Equador e do Peru, apresentou uma anomalia de temperatura da superfíce do mar de +1,3°C, ainda segundo a NOAA. O aquecimento nos litorais equatoriano e peruano marca o início de um episódio de El Niño Costeiro, que deve seguir ao longo dos próximos meses. O fenômeno é diferente do El Niño clássico, previsto para o fim do outuno e começo do inverno.

Previsão para os próximos meses

A última projeção da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), divulgada em março, aponta para uma grande probabilidade de formação de episódio de El Niño nos próximos meses. A previsão é que o fenômeno seja dominante na segunda metade de 2026.

As previsões acontecem em trimestres. Assim, entre os meses março, abril e maio, a probabilidade de neutralidade sobe para 93%. A partir do trimestre abril-maio-junho, os dados começam a mostrar uma mudança gradual, com uma probabilidade de desenvolvimento de El Niño, em torno de 15%.

A tendência se intensifica no trimestre maio-junho-julho, com a NOAA indicando 45% de crescimento do fenômeno. Mas, o ponto de virada acontece entre junho e agosto. Neste trimestre (junho-julho-agosto), a chance de El Niño subirá para cerca de 62%, consolidando o cenário de aquecimetno do Pacífico.

No trimestre julho-agosto-setembro a possibilidade do fenômeno pode atingir a marca dos 72%, com o índice subindo nos meses seguintes — aproximadamente 80% em agosto-setembro-outubro, 82% em setembro-outubro-novembro e 83% em outubro-novembro-dezembro.

O que é o El Niño?

El Niño é um fenômeno climático natural, caracterizado pelo aquecimento anormal e contínuo das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Este aumento, que pode superar 0,5°C acima da média por meses, enfraquece os ventos alísios, alterando a circulação atmosférica e provocando mudanças drásticas no clima global. O fenômeno acontece por um período prolongado, geralmente a cada dois a sete anos, e costuma de sformar ao longo do segundo semestre.

Impactos previstos no Brasil:

  • Região Sul: aumento de chuvas e riscos de inundações;
  • Regiões Norte/Nordeste: seca e menor incidência de chuvas;
  • Sudeste/Centro-Oeste: temperatura mais altas.
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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.