Review - RuneScape: Dragonwilds aposta no survival 'mágico', mas pode evoluir
Survival cooperativo para até quatro jogadores, ambientado no continente de Ashenfall, está disponível em acesso antecipado para PC

A Itatiaia recebeu acesso para PC a RuneScape: Dragonwilds, projeto da Jagex ambientado no universo de RuneScape. Em vez de seguir a estrutura clássica de MMORPG, o estúdio decidiu investir em um survival cooperativo para até quatro jogadores, ambientado no continente de Ashenfall, uma região distinta de Gielinor, marcada pelo despertar dos dragões.
O resultado é um jogo que mistura coleta de recursos, progressão por habilidades e sistema de magia com runas. A experiência é sólida e, em vários momentos, surpreende pelo nível de acabamento para um título em acesso antecipado.
Ainda assim, há limitações claras que precisam ser ajustadas ao longo do desenvolvimento.
Sobrevivência com DNA de RuneScape
Dragonwilds segue a base conhecida do gênero: cortar árvores, minerar, construir abrigo, fabricar equipamentos e enfrentar inimigos cada vez mais fortes. A progressão ocorre por meio de habilidades específicas — cortar madeira evolui Woodcutting, minerar aumenta Mining, cozinhar melhora Cooking e assim por diante.
A diferença está na incorporação do sistema de runas. Logo nas primeiras horas, o jogador aprende a extrair essência rúnica e construir um altar para fabricar runas elementais, que funcionam como recurso para conjuração de magias. Não há barra de mana tradicional: lançar feitiços depende da quantidade de runas produzidas.

Algumas habilidades se destacam. “Windstep”, por exemplo, permite saltos mais altos e quedas controladas. Já “Rocksplosion” explode veios minerais sem comprometer os recursos coletados. Há também feitiços voltados para utilidade, como uma projeção que facilita o corte de árvores — ainda que, na prática, não elimine totalmente o trabalho manual.
O sistema adiciona identidade própria ao jogo e ajuda a diferenciá-lo de outros survivals frequentemente comparados, como Valheim.
Combate funcional, mas com espaço para melhorias
O combate é dividido em três arquétipos: guerreiro, arqueiro e mago. O primeiro prioriza escudo e parry, o segundo atua à distância com arco, enquanto o terceiro depende inteiramente das runas para atacar.
Na prática, o combate funciona bem e é visualmente chamativo, principalmente nas magias. No entanto, falta impacto em alguns momentos. Golpes corpo a corpo não transmitem a sensação de peso esperada, e efeitos sonoros poderiam reforçar melhor a resposta das ações.
Outro ponto sensível é o consumo acelerado de stamina. Correr, atacar, esquivar e mirar drenam energia rapidamente, o que deixa o personagem vulnerável com frequência. Em builds focadas em arco, por exemplo, é comum ficar exposto após poucos movimentos consecutivos.
Construção e progressão: entre liberdade e frustração
O sistema de construção é um dos destaques. É possível planejar estruturas inteiras antes de reunir os materiais, graças a uma espécie de modo de visualização aérea liberado no tutorial. Isso facilita o planejamento e evita desperdício de recursos.
Ao mesmo tempo, a física estrutural exige fundação adequada. Construções mal planejadas desmoronam. A mecânica é interessante e estimula organização, mas pode frustrar iniciantes.

A progressão por habilidades é constante, porém menos impactante do que no MMO original. Evoluir nem sempre traz recompensas perceptíveis de imediato. Em vários casos, os bônus parecem discretos demais, reduzindo a sensação de avanço.
Ashenfall, dragões e a expansão Fellhollow
A campanha principal gira em torno do despertar dos dragões em Ashenfall. Um dos focos centrais é o confronto contra Veigar, um dragão verde que serve como grande ameaça inicial, enquanto uma Rainha Dragão surge como antagonista em segundo plano.
Explorar o mapa compensa. Cavernas, cofres subterrâneos (Vaults) e ruínas oferecem recursos raros, como o Vault Core, essencial para construir dispositivos de teletransporte. Esses atalhos ajudam a atravessar o mapa, mas também exigem investimento em runas.
A primeira grande expansão gratuita, Fellhollow, amplia o conteúdo com uma nova região marcada pela corrupção conhecida como Wither Rot. O bioma apresenta vales cobertos por névoa, florestas mortas e ruínas assombradas, além de novos inimigos e um chefe inédito.
A atualização também introduz a habilidade Farming, adaptada do MMO para o contexto de sobrevivência, e adiciona montarias como o Terrorbird, desbloqueado por meio de missões específicas.
Problemas típicos de acesso antecipado
Dragonwilds ainda está em Early Access na Steam, e isso se reflete em alguns pontos. O consumo de fome e sede é acelerado demais, o que obriga o jogador a interromper atividades com frequência para se manter abastecido. Em expedições longas, o limite de inventário vira um obstáculo adicional.
Há também inconsistências visuais em partidas cooperativas — personagens de outros jogadores podem apresentar movimentos pouco naturais. Não são falhas que inviabilizam a experiência, mas lembram que o projeto ainda está em evolução.
Além disso, parte das árvores de habilidades, especialmente para arqueiro e mago, ainda parece incompleta, indicando espaço para expansão futura.

Vale a pena jogar RuneScape: Dragonwilds?
No estado atual, RuneScape: Dragonwilds é uma experiência competente dentro do gênero survival. O sistema de runas adiciona personalidade, a ambientação é consistente e o desempenho no PC é estável, inclusive no multiplayer.
Ao mesmo tempo, o jogo ainda carece de ajustes de balanceamento, melhorias de qualidade de vida e maior profundidade em algumas mecânicas.
Gostei da experiência de forma geral. Há um ciclo satisfatório entre coletar, evoluir habilidades e enfrentar ameaças maiores. No entanto, parte desse potencial ainda depende de atualizações futuras. Se a Jagex conseguir equilibrar melhor progressão, stamina e necessidades básicas, Dragonwilds pode consolidar sua própria identidade dentro de um mercado competitivo.
Por enquanto, é uma base promissora que demonstra ambição — e que ainda precisa amadurecer.
Nota: 3,8/5
Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH. Já atuou em diversas áreas do jornalismo, como assessoria de imprensa, redação e comunicação interna. Apaixonado por esportes em geral e grande entusiasta dos e-sports



