Review - Rayman 30th Anniversary é tributo sólido ao clássico da Ubisoft
Coletânea celebra três décadas da franquia com conteúdo robusto, melhorias de acessibilidade e olhar histórico

A celebração de três décadas de uma das franquias mais emblemáticas dos jogos de plataforma chegou com uma proposta clara: revisitar origens, preservar memória e apresentar o clássico a uma nova geração. Rayman: 30th Anniversary Edition cumpre esse papel com consistência, ainda que sem escapar de limitações que impedem o pacote de alcançar um status definitivo.
A Itatiaia teve acesso antecipado ao game na versão para Xbox Series S e, após a experiência completa, fica evidente que o título funciona mais como uma homenagem cuidadosa do que como um produto inédito. E, nesse sentido, acerta mais do que erra.
Uma viagem ao início da franquia
A coletânea resgata o primeiro Rayman, lançado originalmente em 1995, reunindo cinco versões distintas do jogo — MS-DOS, PlayStation, Atari Jaguar, Game Boy Color e Game Boy Advance. A proposta vai além da simples nostalgia: permite observar, na prática, como diferentes plataformas influenciavam diretamente o design e a experiência de jogo na época.
Apesar de contar essencialmente a mesma história — a jornada do herói sem braços e pernas para resgatar os Electoons e derrotar o vilão Sr. Dark —, cada versão apresenta particularidades. Fases reposicionadas, diferenças visuais e limitações técnicas criam variações que tornam a coletânea mais interessante do que parece à primeira vista.
Há ainda um volume considerável de conteúdo extra, com mais de 120 fases adicionais vindas de expansões oficiais e criações de fãs, o que amplia significativamente a longevidade do pacote.
Gameplay clássico, dificuldade elevada
Três décadas depois, o primeiro Rayman continua sendo um jogo criativo, com identidade visual marcante e mecânicas sólidas. O uso do “cabelo helicóptero”, o soco à distância e o design dos mundos — como a Floresta dos Sonhos e a Terra das Bandas — ainda sustentam uma experiência carismática.
Por outro lado, o fator dificuldade permanece como um dos principais pontos de atenção. O jogo exige precisão extrema, memorização de padrões e paciência constante. Em muitos momentos, a sensação de injustiça aparece, especialmente para jogadores menos acostumados com títulos da era 16/32 bits.

A principal evolução da Anniversary Edition está justamente em amenizar essa barreira. Recursos modernos como rebobinar ações, múltiplos slots de salvamento, vidas infinitas e opções de acessibilidade tornam a experiência mais viável — e, na prática, permitem que mais jogadores cheguem ao final da aventura.
Conteúdo histórico é destaque
Um dos pontos mais interessantes da coletânea é o cuidado com a preservação histórica. O jogo inclui um documentário interativo com mais de 50 minutos de duração, reunindo entrevistas inéditas com desenvolvedores, artes conceituais, documentos de design e bastidores da criação do personagem.

Esse material funciona como um “museu jogável”, aprofundando o contexto da produção e oferecendo uma visão detalhada da evolução do título. Para quem tem interesse em desenvolvimento de jogos ou na história da indústria, é um diferencial relevante.
Outro destaque é a inclusão de um protótipo inédito da versão para Super Nintendo, nunca lançado oficialmente. Embora limitado e mais próximo de uma curiosidade técnica, o conteúdo reforça o caráter documental da coletânea.
Ausências e problemas técnicos pesam
Apesar do cuidado evidente na curadoria, algumas decisões comprometem o pacote. A principal delas é a ausência da trilha sonora original, substituída por uma versão reimaginada. Embora competente, a mudança impacta diretamente a identidade do jogo e reduz o peso nostálgico da experiência, principalmente para os fãs mais saudosistas.

Além disso, a coletânea apresenta inconsistências técnicas. Durante o período de testes, percebi alguns problemas como falhas de áudio e pequenos bugs. A expectativa é de que atualizações corrijam essas questões.
Também há críticas quanto à escolha de focar exclusivamente no primeiro jogo da franquia. A ausência de títulos posteriores limita o escopo da celebração, especialmente considerando a relevância das sequências para o sucesso da série.
Impressões: homenagem válida, mas não definitiva
Mesmo com ressalvas, Rayman: 30th Anniversary Edition deixa uma impressão positiva. A coletânea demonstra cuidado, respeito à obra original e um esforço genuíno de preservação histórica.

A experiência pessoal reforça esse ponto: jogar novamente o primeiro Rayman, agora com recursos modernos, permite enxergar com mais clareza tanto seu brilho criativo quanto suas limitações. É um jogo que, ao mesmo tempo, encanta e desafia (bastante, por sinal).
No fim, trata-se de um produto que não tenta reinventar a roda, mas sim celebrar sua própria origem. E faz isso com competência.
Vale a pena?
Para fãs da franquia e interessados em história dos videogames, a resposta é sim. A coletânea oferece conteúdo relevante, boa variedade e uma abordagem documental rara no mercado.
Já para o público geral, especialmente quem busca uma experiência moderna de plataforma, a recomendação vem com cautela. A dificuldade elevada, somada às ausências e problemas técnicos, pode afastar parte dos jogadores.
Como celebração de 30 anos, no entanto, o saldo é positivo. Não é um novo capítulo — e nem tenta ser. É, antes de tudo, um tributo feito com evidente carinho.
Nota: 4/5
Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH. Já atuou em diversas áreas do jornalismo, como assessoria de imprensa, redação e comunicação interna. Apaixonado por esportes em geral e grande entusiasta dos e-sports


