Belo Horizonte
Itatiaia

Vôlei: CBV acusa Distrito Federal de 'calote' milionário antes de Liga das Nações

Confederação afirma que valor, na casa dos R$ 17 milhões, não foi aportado e dificultou logística do evento

Por e 
Ginásio em Brasília recebeu jogos da VNL Masculina e Feminina
Ginásio em Brasília recebeu jogos da VNL Masculina e Feminina • Volleyball World / Divulgação

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) divulgou uma nota, nesta quarta-feira (17), acusando o Governo do Distrito Federal (GDF) de um calote milionário. Segundo a entidade, o GDF 'deu um calote' de R$ 17,5 milhões, o que quase inviabilizou a realização de jogos da Liga das Nações (VNL) no ginásio Nilson Nelson, em Brasília, entre os dias 3 a 14 de junho.

Brasília recebeu jogos da primeira semana da competição. No naipe feminino, o Brasil, Itália, Holanda, Turquia, República Dominicana e Bulgária atuaram. Já entre os homens a capital federal recebeu Brasil, Argentina, Bulgária, Sérvia, Bélgica e Irã.

"O referido compromisso foi formalmente ratificado pela própria Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Distrito Federal, por meio do Ofício nº 870/2025 – SEL/GAB, de 22 de outubro de 2025, no qual houve o compromisso de aporte financeiro para realização da VNL e demais eventos de voleibol, totalizando R$ 17.500.000,00 (dezessete milhões e quinhentos mil reais), sendo R$ 11.000.000,00 (onze milhões de reais) especificamente destinados à realização da VNL", diz parte da nota.

"Para absoluta surpresa da CBV, faltando menos de 20 dias para o início da competição e 13 dias para o início da montagem do evento, a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Distrito Federal encaminhou o Ofício nº 309/2026 – SEL/GAB, datado de 11 de maio de 2026, informando que não seria possível formalizar o apoio financeiro anteriormente pactuado para realização da Liga das Nações, sob alegação de restrições orçamentárias e medidas de contenção fiscal", aponta em outro trecho.

A Itatiaia procurou o GDF e atualizará o texto em caso de resposta.

Em quadra

A Seleção Brasileira de vôlei feminina manteve a campanha invicta na Liga das Nações. Nesta quarta-feira (17), o Brasil derrotou a França por 3 sets a 0, pela primeira rodada da segunda etapa da competição, disputada em Ankara, na Turquia. As parciais foram de 25/22, 25/19 e 25/15.

O Brasil já havia encerrado a primeira etapa, realizada em Brasília, sem derrotas. Em solo turco, a seleção deu sequência ao bom momento e confirmou o favoritismo diante das francesas.

Nota completa

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), desde agosto de 2025, manteve tratativas institucionais avançadas junto ao Governo do Distrito Federal (GDF) e à Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Distrito Federal para realização, em Brasília, da etapa brasileira (feminina e masculina) da Liga das Nações, no período de 3 a 14 de junho de 2026.

A CBV atuou de forma transparente e colaborativa durante todo o processo de construção da parceria institucional, realizando inúmeros alinhamentos técnicos e administrativos, além de sucessivas adequações e ajustes no plano de trabalho para atender as solicitações formuladas pelo próprio GDF, sempre na legítima expectativa do cumprimento do compromisso institucional assumido.

O referido compromisso foi formalmente ratificado pela própria Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Distrito Federal, por meio do Ofício nº 870/2025 – SEL/GAB, de 22 de outubro de 2025, no qual houve o compromisso de aporte financeiro para realização da VNL e demais eventos de voleibol, totalizando R$ 17.500.000,00 (dezessete milhões e quinhentos mil reais), sendo R$ 11.000.000,00 (onze milhões de reais) especificamente destinados à realização da VNL. Vale ressaltar que no caso do vôlei de praia, o termo de fomento Nº TF-21-SEL/2026, com o compromisso do aporte de R$ 5.985.023.73 foi assinado e, da mesma maneira, até o presente momento, a CBV não recebeu o apoio financeiro firmado. O evento já aconteceu há mais de 40 dias e a CBV vem sendo cobrada diariamente por fornecedores que prestaram serviços nas competições de vôlei de praia. Com o termo de fomento assinado, a CBV depende dessa verba para o pagamento dos fornecedores. Os recursos não podem ser oriundos de outras fontes.

Para absoluta surpresa da CBV, faltando menos de 20 dias para o início da competição e 13 dias para o início da montagem do evento, a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Distrito Federal encaminhou o Ofício nº 309/2026 – SEL/GAB, datado de 11 de maio de 2026, informando que não seria possível formalizar o apoio financeiro anteriormente pactuado para realização da Liga das Nações, sob alegação de restrições orçamentárias e medidas de contenção fiscal.

Vale ressaltar que em todo o histórico de competições realizadas em Brasília com a parceria entre CBV e a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Distrito Federal - como a Liga das Nações 2022 e as etapas do Circuito Brasileiro e Circuito Mundial de vôlei de praia de 2024 e 2025 – tem processos semelhantes com os mesmos prazos e compromissos cumpridos dentro dos acordos firmados.

A comunicação ocorreu em momento extremamente crítico. Um evento desse porte não se organiza de uma hora para outra. Recebemos a comunicação quando toda a operação da competição internacional já se encontrava avançada, incluindo contratos já celebrados e outros em fase final de formalização, obrigações assumidas perante fornecedores nacionais e internacionais, compromissos firmados junto à Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e com a Volley World (VW), planejamento logístico consolidado, comercialização de ingressos, reservas de hospedagem, aquisição de passagens aéreas por torcedores e delegações, além de toda a mobilização turística, esportiva e institucional vinculada ao evento.

Não obstante a gravidade da situação e o severo impacto financeiro decorrente da inesperada ausência de formalização da parceria pelo GDF, a CBV, pautada pelo compromisso institucional com o esporte brasileiro, pela responsabilidade perante a comunidade esportiva nacional e internacional, pelo respeito ao torcedor que fez investimentos para estar presente nos jogos previstos na capital federal e, sobretudo, pelo dever de proteção à imagem do Brasil no cenário esportivo mundial, deliberou, em caráter excepcional e de absoluta responsabilidade institucional, pela manutenção integral da realização da etapa brasileira da VNL, já que o cancelamento poderia, em última instância, até afastar o Brasil dos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028.

Por

Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.

Por

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

Acompanhe Esportes nas Redes Sociais
Tópicos