A ponteira Maira Cipriano, do Osasco São Cristóvão Saúde, fez um forte desabafo nas redes sociais na noite desse domingo (8). A jogadora de vôlei falou sobre o crescente número de ataques à atletas nos ginásios e na internet.
O texto foi postado após Maira ser xingada por um torcedor do Osasco durante a derrota para o Fluminense por 3 sets a 2, na sexta-feira (6), pela oitava rodada do returno da Superliga Feminina de Vôlei. Na ocasião, o homem teve que ser contido por funcionários do Osasco por ameaçar invadir a quadra do Ginásio José Liberatti para atacar a ponteira.
“Quando o respeito desaparece, o silêncio deixa de ser uma opção. O que estamos vendo ultrapassa qualquer limite aceitável. Fui atacada verbalmente por um covarde nas arquibancadas”, iniciou Maira. Leia o texto completo ao fim da matéria.
“Ataques que começam na internet já ultrapassaram a tela e chegaram aos ginásios”, disse.
A atleta desabafou, ainda, sobre o fato de ser um ser humano e ter os erros expostos para milhares de pessoas.
“Por trás de cada atleta existe uma pessoa. Não somos máquinas. Somos seres humanos. Sentimos, erramos, aprendemos e evoluímos. Vivemos altos e baixos como qualquer pessoa. Então, o que leva alguém a pensar que somos diferentes e merecemos isso?”, escreveu.
“Todos têm dias difíceis. Todos falham. A diferença é que, no nosso caso, os dias difíceis acontecem diante de milhares de pessoas e, muitas vezes, são expostos em rede nacional. Mas isso não dá a ninguém o direito de nos atacar ou desrespeitar”, completou.
Suporte
Nos comentários, jogadoras de vôlei apoiaram Maiara.
“Post extremamente necessário! As pessoas perderam o bom senso a muito tempo. Sinto muito por vc estar passando por isso Maira, de verdade! Tive a oportunidade de jogar ao seu lado e vi a menina incrível que você é! Aliás, você que me deu força e me confortou em momentos difíceis do meu retorno. Blinde sua mente e seu coração para esse tipo de gente”, escreveu a central Thaisa, do Gerdau Minas.
“Sinto muito que você tenha passado por isso. Obrigada por ter coragem de falar e trazer uma reflexão tão importante. Estamos com você”, comentou a ponteira Gabi Guimarães, da Seleção Brasileira.
“Muito isso!! Inaceitável, MAIS RESPEITO POR NÓS ATLETAS. Estamos juntas magrela. Você é incrível, te admiro demais”, escreveu a líbero companheira de time Camila Brait.
“Perfeita e necessária suas palavras Maira!”, escreveu Adenízia, do Praia Clube.
Leia o desabafo completo de Maira Cipriano:
“Quando o respeito desaparece, o silêncio deixa de ser uma opção.
O que estamos vendo ultrapassa qualquer limite aceitável. Fui atacada verbalmente por um covarde nas arquibancadas.
Infelizmente, episódios como esse têm se tornado frequentes dentro do nosso esporte.
Ataques que começam na internet já ultrapassaram a tela e chegaram aos ginásios.
E, infelizmente, já não é de hoje que esse tipo de comportamento também é alimentado por páginas e perfis que fazem posts tendenciosos. Muitas vezes parecem “inocentes”, mas acabam incentivando ainda mais julgamentos, ataques e comentários negativos contra atletas.
Por trás de cada atleta existe uma pessoa. Não somos máquinas. Somos seres humanos. Sentimos, erramos, aprendemos e evoluímos. Vivemos altos e baixos como qualquer pessoa. Então, o que leva alguém a pensar que somos diferentes e merecemos isso?
Todos têm dias difíceis. Todos falham. A diferença é que, no nosso caso, os dias difíceis acontecem diante de milhares de pessoas e, muitas vezes, são expostos em rede nacional. Mas isso não dá a ninguém o direito de nos atacar ou desrespeitar.
Muita gente não faz ideia de como é a rotina de um atleta de alto rendimento: as horas de treino, as dores, as renúncias, a pressão e a disciplina diária para tentar ser melhor todos os dias.
O esporte sempre foi sobre união, paixão e respeito. É viver o jogo, independentemente de vitória ou derrota, e enxergar nos atletas exemplos de dedicação, coragem e superação.
Que episódios como o que aconteceu comigo nunca sejam normalizados e que atitudes assim sejam punidas e repudiadas.
Meu muito obrigada a todos que enviaram mensagens.
Respeito não é opção, é obrigação.”