CBV se pronuncia após denúncias de homofobia na Superliga B; clubes se posicionam
Partida entre Araguari e Praia Grande foi disputada no último sábado (8) em São Paulo

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) se pronunciou e afirmou que vai apurar denúncias de homofobia na partida entre Araguari Vôlei e Praia Grande Vôlei, realizada no último sábado (8), no ginásio Sítio do Campo, em Praia Grande, em São Paulo. A CBV disse que acompanhará o caso para que sejam tomadas todas as medidas cabíveis.
A partida foi vencida pelo Praia Grande por 3 sets a 1. A equipe paulista ocupa a 6ª colocação do torneio, enquanto os mineiros estão na 10ª posição.
O Araguari usou as redes sociais, nessa segunda-feira (10), para repudir "ofensas proferidas por parte da torcida" do Praia Clube direcionadas ao ponteiro Erick Garcia.
O clube mineiro não informa, em nota, o momento das ofensas. Segundo o ge.globo, Erick comemorou um ponto no quarto set de frente para a arquibancada. Nesse momento, torcedores do Praia Grande proferiram as ofensas homofóbicas.
O Praia Grande disse que a alegação é infudada, que houve apenas vaias da torcida. "Após esse episódio, a comissão técnica adversária começou a alegar que o atleta teria sido vítima de homofobia", diz parte da nota, também publicada nas redes sociais.
Nota da CBV
A Confederação Brasileira de Voleibol acompanhou os acontecimentos da partida entre EC Praia Grande e Araguari Vôlei EVA, pela Superliga B masculina. A ocorrência de ofensas homofóbicas durante a partida consta no relatório do delegado responsável pelo jogo. A CBV encaminhará o documento aos órgãos competentes (autoridade policial, STJD e Comitê de Ética), para que sejam tomadas todas as medidas cabíveis no âmbito esportivo e perante o poder público e demais instâncias. A CBV acompanhará os desdobramentos do caso, e reforça que não admite qualquer tipo de preconceito ou ato discriminatório, entendendo que o esporte é uma ferramenta para propagação de valores como o respeito, a tolerância e a igualdade.
Nota do Araguari
"Tendo em vista os acontecimentos relacionados ao último jogo realizado dia 08/02/2025, em Praia Grande, vimos por meio desta pronunciar-nos em uníssono, pelo repúdio, acerca das ofensas proferidas por parte da torcida do Esporte Clube Praia Grande, onde alguns indivíduos insultaram o jogador Erick Garcia, de forma preconceituosa.
Sabemos que o esporte tem mexido com emoções, contudo não pode ser margem, tampouco palco para episódios como o outrora ocorrido, revelando preconceito velado, e situações homofóbicas, ao passo que a disputa saudável em quadra, nada tem haver com a pessoalidade de cada atleta. Neste sentido, todas as medidas cabíveis serão tomadas, visando senão assegurar o bom andamento do campeonato, como o bem-estar dos atletas."
Nota do Praia Grande
Em virtude da nota divulgada pela equipe de Araguari Vôlei EVA sobre os acontecimentos do último jogo realizado no dia 08/02/2025, em Praia Grande, nós, do Esporte Clube Praia Grande, vimos a público repudiar de maneira veemente as acusações infundadas dirigidas à nossa torcida. Somos contrários a qualquer tipo de discriminação, seja ela física, verbal ou de qualquer outra natureza.
O jogo seguia normalmente até que um dos jogadores adversários fez um ponto e comemorou direcionando um grito à torcida, que vaiou o atleta em resposta. Essa é uma atitude comum em esportes competitivos, sem qualquer indício de hostilidade discriminatória. Após esse episódio, a comissão técnica adversária começou a alegar que o atleta teria sido vítima de homofobia por parte da torcida.
Em meio a essa situação, houve um bate-boca entre o Sr. Wesley Lucas, vice-prefeito da cidade de Araguari e membro da diretoria adversária, e uma mulher integrante da nossa comissão técnica. Durante o bate-boca, o Sr. Wesley Lucas agrediu fisicamente essa integrante, o que deixou a torcida revoltada com a atitude repugnante do Sr. Wesley Lucas. É inaceitável que uma pessoa que ocupa um cargo de tamanha responsabilidade e representatividade, como o de vice-prefeito de uma cidade, adote uma postura tão incompatível com os valores de respeito e civilidade esperados de um líder. Vale ressaltar que essa não é a primeira vez que atitudes tumultuosas partem do Sr. Wesley Lucas. Durante a Superliga C, realizada em Timóteo (MG), ele já esteve envolvido em outro incidente envolvendo nossa equipe, demonstrando um padrão recorrente de comportamentos inadequados.
Após a intervenção da polícia, o Sr. Wesley Lucas foi retirado do tumulto e encaminhado para a área reservada, onde deveria ter permanecido desde o início. Contudo, o mesmo permaneceu sentado, rindo de toda a situação, em total desrespeito aos envolvidos e ao clima de seriedade que se espera em um evento esportivo.
Cabe destacar que, em momento algum, houve qualquer registro de insultos ou manifestações preconceituosas por parte de nossa torcida. Nem arbitragem, delegados ou quaisquer outros responsáveis pela organização da partida relataram ter presenciado as alegações mencionadas. Inclusive, o delegado da partida não adicionou nenhuma observação sobre os tais insultos na súmula, pois o mesmo não ouviu nada que corroborasse as acusações.
É importante lembrar que a arquibancada fica muito próxima ao banco de reservas, o que torna impossível que algo dessa natureza passasse despercebido pela equipe de mesários e pelo próprio delegado da partida. Nossa torcida, ao longo dos anos, sempre demonstrou conduta exemplar e jamais esteve envolvida em qualquer tipo de polêmica similar.
Reforçamos que prezamos sempre pela ética, respeito e integridade dos nossos atletas, assim como dos atletas que recebemos em nossa casa.
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.



