'Amigas e rivais': lendas do vôlei relembram 'treta' épica em Olimpíada e projetam futuro
Virna e Mireya Luis concederam entrevista em que relembraram briga nas semifinais dos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos; hoje, ex-jogadoras são amigas

Quem observa hoje o relacionamento entre Virna Cristine Dantas Dias e Alejandrina Mireya Luis Hernández não consegue imaginar que houve uma rivalidade ferrenha há anos atrás. Lendas do vôlei, hoje amigas, a brasileira Virna e a cubana Mireya foram rivais por décadas dentro das quadras. O ponto alto da rivalidade culminou em um evento muito conhecido: a briga entre brasileiras e cubanas durante a Olimpíada de 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos.
Em entrevista ao Basticast, revelaram 'bastidores' daquela briga épica na rede nos Estados Unidos. A motivação, segundo ambas, era apenas uma: conquistar uma medalha para o próprio país.
"Nós não lutamos e não brigamos porque odiávamos umas às outras. Simplesmente lutamos e brigamos porque tínhamos um só objetivo, que era ganhar uma medalha e trazê-la para o nosso país. Então tudo se resume a esse desejo de ser campeão olímpico", afirmou a cubana.
Virna relembrou que ouvia as provocações do lado oposto da rede, mas orientou as companheiras a 'continuar fazendo o que estavam fazendo'. Mireya relembrou que Bernardinho quase entrou na briga.
O desentendimento, no entanto, ficou para trás. Hoje as ex-jogadoras não escondem o carinho e a admiração que sentem uma pela outra.
“O que o vôlei do Brasil é hoje é graças a Cuba”, afirma Virna. Mireya define a amiga como uma das pessoas que mais admira no esporte brasileiro: “O Brasil tem muitas pessoas importantes, muitas jogadoras com muito caráter que se preparam para a vida, para fazer qualquer coisa, como Leila e Ana Moser, e outras, porém tem um centro que move tudo, que encanta e move o coração das pessoas, que é a Virna", disse.
Futuro em Cuba
Mireya hoje ocupa cargos na Federação Cubana de Vôlei e na Federação Internacional. A ex-jogadora trabalha para recuperar a força internacional do país na modalidade. A equipe masculina disputará os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028.
Cuba foi tricampeã olímpica entre as mulheres: Barcelona-1992, Atlanta-1996 e Sydney-2000. No entanto, Mireya afirma que o tri poderia ser penta, caso não sofressem com o boicote nos jogos de Los Angeles-1984 e Seuol-1988.
“O país vive uma escassez muito grande, principalmente de combustível. Passamos muitas horas sem luz, sem água, sem gás. É muito doloroso o que o meu país está passando neste momento, mas acredito que tenha um final. Sei que precisamos fazer grandes trocas, porém não queremos voltar a ser escravos", pontua.
Virna
Virna teve carreira de destaque no vôlei e foi multicampeã pela Seleção. Foram dois bronzes olímpicos (1996 e 2000), três pratas em Mundiais (1994, 1995 e 2003), além de um bronze (1999).
Ela foi campeã panamericana em 1999, além de tetracampeã do Grand Prix (1994, 1996, 1998 e 2004). Por clubes, jogou de 1985 a 2009.
Mireya
Mireya é tricampeã olímpica, além de bicampeã mundial (1994, 1998) e tetracampeã da Copa do Mundo (1989, 1991, 1995 e 1999). A carreira conta com vários outros títulos e conquistas individuais. Ela foi eleita para o Hall da Fama do Vôlei em 2004.
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.



