O clássico entre Corinthians e São Paulo, neste domingo (14), empate em 1 a 1, pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro, precisou ser paralisado devido a gritos homofóbicos protagonizados pela torcida do time mandante. Os gritos de “dessas bichas teremos que ganhar” e “vai pra cima delas Timão, da bicharada” não só revoltaram torcedores, mas também colunistas do UOL.
Milton Neves e Milly Lacombe, em colunas publicadas nesta segunda-feira (15), detonaram a ação dos torcedores e cobraram ações do clube e de comentaristas de jogos de TV.
Milton Neves questionou a ação vinda da torcida do Corinthians que, segundo ele, é o mais ligado às causas sociais. O colunista não poupou críticas ao clube e declarou que a instituição apenas usa as causas sociais para ‘vender camisas’. “Mas a verdade é que o Corinthians usa e abusa dessa fama de ‘progressista’ apenas para uma coisa: vender camisa!”, escreveu.
Lacombe também não desperdiçou a oportunidade e teceu fortes críticas não só ao clube paulista, mas também aos patrocinadores e às emissoras que transmitiram a partida. Conforme a jornalista, a luta contra a homofobia nos estádios precisa de aliados.
“Seria importante, em nome da aliança contra preconceitos, que quem tem um microfone e fala para milhões se colocasse de modo a enfatizar a importância das batalhas e o fim de cantos homofóbicos”, disse a colunista.
A principal crítica da colunista foi aos comentaristas da TV Globo, Caio Ribeiro e Diego Ribas, que, segundo ela, não “aprofundaram indignações a respeito do que estavam vendo”.
A jornalista relembrou a declaração dada por Caio no programa Troca de Passes, do SporTV, sobre comentaristas criticarem de forma exagerada jogadores de futebol e o linchamento sofrido pela comentarista Ana Thaís Matos após uma fala de Roger Guedes sobre ela.
“Eles se manifestaram indignados contra Roger Guedes? Não? Por quê? Será que Ana não tem família? O que os dois ex-jogadores, tão dispostos a defender seus colegas em campo, disseram sobre o ocorrido em relação a Ana? Procurei e não achei. Se disseram, queria saber se foi desse modo apaixonado reservado aos parças”, escreveu.
Milly citou outras torcidas que também são alvo de apelidos mencionados no feminino, como Cruzeiro e Fluminense. “Contra o São Paulo, a torcida do Corinthians, alertada sobre a proibição da homofobia na cantoria, fez o que fazem machos amedrontados com as mudanças no mundo: berrou mais alto. Uma cena triste, cheia de histeria e de pirraça. Mas ela não é a única. São Paulo, Cruzeiro e Fluminense são três times que, em nome da pretensa ofensa, são mencionados no feminino. O que não quer dizer que essas torcidas também não pratiquem suas homofobias internamente”, declarou.
Por fim, Lacombe defendeu a educação como forma de diminuir os cantos homofóbicos em estádios. “Educar é o caminho. Educar jogadores, comissão técnica, torcida organizada, sócio torcedor, comentaristas, narradores. Educar irrestrita e incansavelmente”, finalizou.
Homofobia é crime?
Apesar de não ter uma lei específica que trate homofobia como crime, em 2019, o Supremo Tribunal Federal resolveu criminalizar a homofobia como forma de racismo, de acordo com a Lei n 7.716/1989. Homofobia e transfobia são considerados crimes imprescritíveis e inafiançáveis, com pena de reclusão de um a três anos e multa.