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Comentarista 'dá veredito' após João Fonseca desistir do US Open

Tenista brasileiro não disputará torneio nos Estados Unidos em função de uma lesão no abdômen

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João Fonseca ganhou um jogo, mas perdeu outro no Maracanãzinho
João Fonseca não disputará torneio nos Estados Unidos • Divulgação/ATP de Halle

 

Comentarista e ex-tenista, Fernando Meligeni falou, nesta terça-feira (25), sobre a decisão de João Fonseca abrir mão da disputa do US Open. O tenista brasileiro não disputará o Aberto dos Estados Unidos em função de um problema no abdômen.

Segundo Meligeni, João tomou a decisão correta ao não disputar o torneio. Ele, no entanto, criticou a reação das redes sociais ao lidar com a notícia da desistência do brasileiro.

"A saída do João me parece cautelosa, correta e estratégica. Mesmo assim, rapidamente a internet foi tomada por críticas de pessoas que não sabem o que ele sente, não viram seus exames e não conhecem sua condição. Chegamos ao absurdo de comparar atletas porque têm a mesma idade ou a cor dos olhos parecida", diz em parte do trecho.

O problema e a desistência

O problema surgiu durante o Masters 1000 de Cincinnati, após o brasileiro estrear com vitória sobre o holandês Botic van de Zandschulp. Posteriormente, João Fonseca comunicou que deixaria a competição após sentir um incômodo no lado esquerdo do abdômen durante um treinamento.

“Hoje, durante o treino, senti um pequeno incômodo no lado esquerdo do abdômen. Após realizar exames, eu e minha equipe decidimos desistir da disputa de Cincinnati para me recuperar o mais rápido possível. Obrigado pela hospitalidade, Cincy Tennis, e aos fãs pela torcida. Nos vemos no ano que vem”, escreveu João nas redes sociais.

Após deixar Cincinnati, João Fonseca retornou ao Brasil para realizar o tratamento e ainda mantinha a expectativa de participar do US Open. No entanto, o brasileiro confirmou a desistência da competição nesta segunda-feira.

US Open

O último Grand Slam da temporada é disputado no USTA Billie Jean King National Tennis Center, em Nova York, nos Estadus Unidos, entre os dias 23 de agosto a 13 de setembro. Os jogos das chaves principais começam neste domingo (30).

Leia texto na íntegra

João fora do US Open traz uma dúvida e uma certeza a todos que gostam de tênis.

Se você leu o título e achou que a dúvida seria sobre o físico dele, você não me conhece muito. A dúvida é sobre como enxergamos o circuito hoje.

Na minha geração, tínhamos uma corrida até os 30 anos. Pouco dinheiro comparado com hoje, quase nenhum patrocínio para quem estava fora do top 20 e pouquíssima informação sobre o nosso corpo. Jogávamos com dor e, muitas vezes, pelo risco de uma decisão errada, ficávamos semanas fora.

Quando sentíamos uma dor abdominal, perguntávamos ao fisio se dava para seguir ou se poderíamos agravar a lesão. Pela falta de exames, muitas vezes íamos na raça. Éramos mais resilientes, mais fortes, mas também mais inconsequentes.

Hoje, tudo mudou. Ciência, prevenção, dados e exames fazem parte das decisões.

Os jogadores entenderam que podem jogar até os 35 ou 38 anos, ganhar muito dinheiro e tratar o tênis como uma profissão com começo, meio e fim. Hoje se corre uma maratona, não uma corrida até os 30.

Por isso, a saída do João me parece cautelosa, correta e estratégica. Mesmo assim, rapidamente a internet foi tomada por críticas de pessoas que não sabem o que ele sente, não viram seus exames e não conhecem sua condição.

Chegamos ao absurdo de comparar atletas porque têm a mesma idade ou a cor dos olhos parecida.

Esquecemos o que Sinner, Djokovic, Draper e Rune viveram quando entraram no circuito. Queremos lacrar, ter razão e opinar sobre aquilo que não entendemos.

A antiga resenha do bar, com três ou quatro pessoas falando besteira enquanto bebiam, hoje virou opinião para milhões lerem. E esquecemos que, quando fazem isso conosco, ficamos bravos.
Revoltados.

Opinião todos têm. O que precisamos ter é respeito pela decisão que o jogador toma sobre a própria vida. Mais ainda se não temos a informação completa.

João vai se recuperar. E os tais entendidos continuarão assistindo e vibrando quando ele ganhar e querendo aparecer e lacrar quando ele perder. Achando que podem tudo. Que as pessoas precisam aprender com as “críticas”.

Ah, e eu continuarei dizendo que é uma vergonha fazer isso.

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Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.

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