Relembre casos de crimes sexuais envolvendo nomes do mundo do esporte em 2023
Cuca, Daniel Alves e Robinho foram acusados em 2023 por crimes sexuais

O ano de 2023 ficou marcado para alguns nomes do mundo do esporte pelo envolvimento em crimes sexuais. Jogadores, ex-jogadores, treinadores e até dirigentes foram acusados ao longo do ano. A Itatiaia relembra alguns dos casos de maior destaque.
Daniel Alves
Daniel Alves está preso desde o dia 20 de janeiro, em Barcelona, acusado de agressão sexual. Ele foi detido ao prestar depoimento sobre o caso contra uma mulher na madrugada do dia 30 de dezembro de 2022. O jogador é acusado de abusar sexualmente de uma mulher na casa noturna Sutton, em Barcelona, na Espanha. O atleta, que defendeu a Seleção Brasileira na Copa do Mundo do Catar, teria trancado, agredido e estuprado a denunciante em um banheiro da área VIP da boate, segundo o jornal El Periódico.
Durante a investigação, Daniel Alves se contradisse algumas vezes. No primeiro depoimento, afirmou não conhecer a denunciante. Depois, disse ter tido relação com a mulher, mas de maneira consentida. O jogador segue preso a espera do julgamento em Barcelona. A Procuradoria pediu pena de 12 anos, o tempo máximo previsto pela legislação, para o brasileiro.
Luís Rubiales
A Promotoria da Espanha denunciou Luis Rubiales, presidente afastado da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), no início do mês, pela acusação de agressão sexual e coerção contra a atacante espanhola Jenni Hermoso. O ex-dirigente beijou a jogadora na boca durante a premiação da Copa do Mundo Feminina, vencida pela Espanha.
A investigação foi aberta no dia 28 de agosto. Rubiales pode ser punido com multa ou prisão de um a quatro anos se for acusado por agressão sexual. A Lei espanhola não diferente “importunação sexual” de “agressão sexual” e pune qualquer ato sem consenso.
Além da denúncia por agressão sexual, há indícios de coerção por parte do dirigente. Segundo a Promotoria, Rubiales pressionou Hermoso para dar declarações públicas que a ação foi consentida.
Robinho
Em 2024, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) do Brasil vai definir se Robinho cumprirá pena no país. O ex-jogador foi condenado a nove anos de prisão por estupro coletivo pela Justiça da Itália.
Robinho recebeu em dezembro de 2020 a pena de nove anos de prisão no caso que investigava a violência sexual contra uma jovem de origem albanesa, em 2013. O caso teria ocorrido em uma boate na Itália.
Em janeiro do ano passado, o atleta teve a condenação confirmada pela mais alta instância da Justiça italiana. Quase um mês depois, em 16 de fevereiro, foi emitido um mandado de prisão internacional.
A acusação utilizou áudio gravado a partir de uma escuta instalada em um carro, que flagrou uma conversa entre Robinho e seus amigos, o que possibilitou confirmar a versão da vítima sobre o estupro coletivo. A defesa entregou o passaporte do ex-jogador ao STJ. Ele está proibido de deixar o Brasil.
Cuca
Cuca deixou o Corinthians na madrugada do dia 27 de abril, logo após a vitória por 2 a 0 sobre o Remo, na terceira fase da Copa do Brasil. O treinador de 59 anos deixou o Timão após apenas duas partidas, com uma derrota e uma vitória. O motivo da demissão precoce foi a forte pressão dos torcedores sobre a diretoria, fruto da condenação de Cuca por estupro a uma jovem de 13 anos em 1987, na Suíça.
A rejeição ganhou força nos últimos dias, com declaração de Will Egloff, advogado da vítima do caso em questão. Ao Uol, ele afirmou que Cuca foi reconhecido como um dos autores do estupro coletivo.
Ao anunciar que estava deixando o clube paulista, Cuca disse que já tinha tomado a decisão de sair na véspera da partida contra o Remo. Ele foi incentivado a deixar o cargo pela família, que também tem sofrido pressões.
Cuca foi sondado para voltar ao futebol em outras oportunidades ao longo de 2023, mas declinou as possibilidades. O treinador conta com uma equipe jurídica para se defender as acusações.
Outros casos
O atacante inglês Mason Greenwood, de 21 anos, foi acusado de acusado de assédio, estupro e comportamento coercivo. A Justiça Britânica arquivou o caso em fevereiro de 2023, mas o Manchester United desligou o jogador após uma investigação interna.
A conclusão do United, de acordo com nota oficial, foi que “o material postado online não forneceu uma imagem completa e que Mason não cometeu os crimes pelos quais foi originalmente acusado”. O clube também diz ter promovido a apuração respeitando “os direitos e perspectivas da suposta vítima”, além de revelar a obtenção de “evidências que não estão em domínio público, inclusive daqueles com conhecimento direto do caso”.
Nos Estados Unidos, quatro treinadores foram banidos pela National Women’s Soccer League de maneira permanente em resposta aos supostos abusos cometidos contra jogadoras. Paul Riley (North Carolina), Rory Dames (Chicago Red Stars), Richie Burke (Washington Spirit) e Christy Holly (Racing Louisville) foram considerados culpados “má conduta generalizada” dirigida a jogadores que remontam ao início da liga, há quase uma década.
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.



