Os gênios só nascem
Colunista Alexandre Simões escreve sobre a morte de Edson Arantes do Nascimento

Eu ia nascer 12 anos depois de Pelé estrear pelo time principal do Santos, em 7 de setembro de 1956, mas sei que ele fez seu primeiro jogo contra o Corinthians, de Santo André, e nesta partida o goleiro Zaluar sofreu o primeiro dos seus mais de mil gol.
Isso se repetiu no seu primeiro hat-trick, que foi também um pokers, alcançado em Lavras, em Minas Gerais, num 7 a 2 do Santos sobre o Fabril, em amistoso disputado em 9 de junho de 1957, quando ele balançou a rede quatro vezes.
Cerca de um mês depois, Pelé estreou na Seleção com uma derrota de 2 a 1 para a Argentina, quando marcou seu primeiro gol com a camisa amarela.
Faltavam dez anos para o meu nascimento quando o Rei jogou pela primeira vez em Belo Horizonte, em 30 de janeiro de 1958, quando o Santos foi derrotado pelo Atlético por 5 a 2, em amistoso no Independência, com ele marcando um gol.
Ainda em 1958, sei detalhes da conquista da Copa do Mundo da Suécia, com participação decisiva dele, que começou o torneio como reserva de Dida. E naquele ano, seu penúltimo jogo na temporada, contra o Cruzeiro, novamente no Horto, teve o encontro com Zizinho, seu ídolo, que naquela noite vestiu azul emprestado pelo São Paulo. O confronto teve um show do Rei, com um hat-trick nos 4 a 2 sobre a Raposa.
Essas situações se repetem com a lesão logo na segunda rodada da fase de grupos de 1962, que o tirou do restante da Copa do bicampeonato.
Por falar em bicampeonato, o do Santos, na Libertadores e Mundial de Clubes, em 1962 e 1963, sei em detalhes.
O fracasso em 1966, na Inglaterra, quando uma lesão somada à desorganização na preparação da Seleção decretaram a única Copa perdida por ele teve seu último jogo ao lado de Garrincha com a camisa amarela, com a dupla terminando essa história que aconteceu enquanto eu não tinha nascido, invicta.
Ainda em 1966, conheço profundamente a história da decisão da Taça Brasil, quando o Cruzeiro, de Tostão e Dirceu Lopes, desbancou o Santos, então pentacampeão do torneio.
Sei que o mesmo Mineirão, em 1969, quando eu tinha um ano, foi placo da coroação do Rei Pelé no jogo seguinte ao do milésimo gol, num jogo em que o Atlético fez 2 a 0 no Santos pela Taça de Prata, com o camisa 10 do Peixe sendo expulso com 25 minutos de bola rolando.
Tinha menos de dois anos quando ele brilhou na Copa de 1970, no México, assim como passa na minha cabeça o filme da sua volta olímpica na despedida da Seleção, quando eu tinha pouco mais de dois anos, em 1971.
Eu tinha seis anos quando o Rei se ajoelhou no gramado da Vila Belmiro ao se despedir do Santos. E nove quando encerrou a carreira no Cosmos.
Vi pela TV alguns amistosos que disputou depois de pendurar a chuteira.
Num estádio, nunca vi Pelé jogar. E isso não me frustra. Muito pelo contrário. É ainda mais encantador, principalmente porque sua história foi quase que totalmente construída antes de eu nascer ou quan
Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro
