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Presidente da CBDG celebra recordes em Milão-Cortina e projeta 2030

Em entrevista à Itatiaia, Emílio Strapasson reagiu às conquistas nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, além de projetar e explicar o trabalho para as Olímpiadas nos Alpes Frances em 2030.

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Emílio Strapasson, presidente da Confederação de Desportos no Gelo • Rafael Bello / CBDG

A edição dos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina foi histórica para o Brasil. Além da medalha de ouro de Lucas Pinheiro, o Time Brasil contou com a maior delegação entre as dez Olimpíadas que disputou, com 14 atletas em cinco modalidades diferentes. Em entrevista à Itatiaia, Emílio Strapasson, presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG), fez balanço após um mês do término dos Jogos e explicou a preparação para o próximo ciclo olímpico na região dos Alpes Franceses.

O grande destaque brasileiro foi a primeira medalha, conquistada por Lucas Pinheiro. O atleta, que deixou a confederação norueguesa para defender o país de sua mãe, era uma das grandes esperanças da delegação. Para o presidente da CBDG, o resultado alcançado era uma expectativa.

"O Lucas já tinha sido campeão do mundo, já sabíamos do potencial dele. O Brasil ainda não conhecia ele, até por falta de familiaridade com as modalidades de inverno. Depois do que ele fez nas Olímpiadas, realmente a coisa mudou de nível", conta Emílio.

A medalha foi a primeira da história brasileira nos Jogos de Inverno. O Brasil participa desde a primeira edição, realizada em 1992, em Albertville. Na ocasião, sete atletas do país estiveram presentes na competição. A conquista deste ano foi um alívio e realização de um sonho para Emílio.

"Aquilo para nós foi uma festa, que eu não tenho como explicar. A nossa alegria depois de tantos anos sonhando por um resultado expressivo, conseguir direto um ouro com o Lucas", relata o presidente da CBDG.

Números históricos

Além do ouro, o Brasil obteve seu recorde de colocações entre os 20 melhores em competições de inverno - cinco neste ano contra seis em todas as outras nove participações. Entre os resultados, esteve os bons desempenhos de Pat Burgener e Agostinho no snowboard halfpipe, a superação da equipe de bobsled 4-man, além de Nicole Silveira no Skeleton.

"É um resultado expressivo, que mostra uma evolução em cada modalidade, das duas confederações que gerenciam as modalidades de inverno no Brasil. Agora nós aumentamos o nosso patamar, nosso parâmetros, agora temos uma cobrança maior. Daqui 4 anos vamos querer repetir ou melhorar esses resultados", ressaltou Emilio.

Aumento de visibilidade e incentivo

Com a maior delegação e o ouro de Lucas Pinheiro, a visibilidade das modalidades de inverno aumentou. De acordo com o presidente da CBDG, apenas as redes sociais do Comité Olímpico Brasileiro somaram mais de 400 milhões de acessos. Para ele, isso representa uma oportunidade de melhora.

"Antes de Milão era um cenário, e agora após outro. Nós tivemos o comitê olímpico com mais de 400 milhões de visualizações somente em seu perfil. Os departamentos comerciais das empresas agora conseguem ver valor e investir em modalidades de inverno", explicou.

A visibilidade pode melhorar a estrutura e formação de atletas para as modalidades de inverno, que possuem desafios para serem praticadas, como a montagem do trenó no bobsled e as barreiras climáticas para o esqui e snowboard.

"As modalidades são caras, algumas as confederações tem que formar atletas, como o bobsled. Ninguém pratica como hobby, é um projeto de confederação. Outras como o esqui, não tem como formar", ressaltou.

Expectativa para os Alpes Franceses

Com a maior delegação em Milão-Cortina, a CBDG projeta um grupo ainda maior para a edição de 2030. O cenário atual mostra que é possível, com bons desempenhos de jovens a exemplo de Lucas Koo, de 19 anos, que se tornou o primeiro atleta brasileiro a avançar para semifinais no mundial de patinação de velocidade de pista curta, realizado na última semana. No feminino, a jovem Julia de Vos é vista pela confederação como potencial para os jogos de 2030.

No skeleton, Eduardo Strapasson é destaque, assim como Gustavo Ferreira no bobsled. Outra expectativa é Natalia Pallu-Neves, a primeira atleta a representar o Brasil em competições sênior na dança no gelo.

Nomes como Pat Burgener no halfpipe, Manex Silva no Cross-Country e Lucas Pinheiro também seguirão para os jogos na França. Nesse contexto, Emílio é otimista com o futuro das modalidades de inverno.

"Eu espero muito mais, no mínimo 21 atletas. O que a gente conquistou vamos manter. Temos vários atletas jovens de modalidades novas chegando, então a gente acredita que o recorde de modalidades vão ser batidos. Agora é uma questão de formação de geração, mas quem sabe em 2034 a gente consiga montar atletas que possam disputar o pódio", afirmou.

Vale destacar, que o trabalho para formação de atletas para essas modalidades exige uma logística complexa. Esportes como o esqui alpino exigem que a preparação do atleta seja fora do Brasil. Emílio explica as dificuldades no trabalho.

"No cross country é possível formar atletas aqui, o bobsled temos equipe aqui. Outras modalidades a gente fomenta e desenvolve fora do Brasil. Para praticar, é necessário que o atleta resida fora do Brasil. Da mesma forma que algumas especializações só se faz fora", explicou.

Outro ponto de destaque, é a nacionalização de atletas, como foi o caso de Lucas e Pat Burgener, que representaram o Brasil em Milão-Cortina. Emílio, no entanto, cita que a captação desses atletas possui critérios.

"Eu sempre ressalto que a gente não naturaliza atletas, os atletas sempre tem ascendência brasileira, o pai ou a mãe brasileiras. Nós entendemos que não tem sentido(naturalização sem ascendência), nosso papel é estarmos prontos para representar os brasileiros que estão espalhados pelo mundo", finalizou.

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Graduando em jornalismo pela UFJF, Michel Santos é estagiário da Itatiaia em Juiz de Fora. Apaixonado por esportes, videogames e fã aficcionado de automobilismo.

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