Lenda do surfe anuncia aposentadoria após 22 anos de carreira: 'Fui abençoada'
Maya Gabeira publicou um vídeo nas redes sociais para anunciar fim da carreira de atleta

Uma das pioneiras na prática do surfe e do surfe de ondas gigantes, Maya Gabeira anunciou a aposentadoria do esporte. A brasileira de 37 anos publicou um vídeo nas redes sociais refletindo sobre momentos da carreira e agradecendo ao esporte.
A publicação rendeu comentários de outros grandes do esporte como Pedro Scooby, Chloé Calmon, Ian Walsh e do perfil oficial da World Surfers League.
Em 2020, Maya quebrou o recorde de maior onda surfada por uma mulher. A altura oficial da onda surfada em Nazaré, Portugal foi de 22,4m.
"Muito obrigado por todo o apoio e amor que vocês me deram nesses anos todos. Foram 20 anos surfando ondas gigantes. Estou finalmente pronta para me afastar do surfe profissional e do surfe de ondas gigantes, e encontrar alguma outra coisa. Cumpri o meu propósito", disse em parte do vídeo.
A brasileira foi eleita cinco vezes como melhor surfista de ondas gigantes (2007, 2008, 2009, 2010 e 2012). Ela também recebeu um ESPY Award, prêmio dado pela ESPN norte-americana, como melhor atleta de esportes radicais (2010).
Em 2024, lançou um livro ilustrado com tema de conservação, valorização e proteção dos oceanos. Maya foi nomeada como "Campeã da Unesco", título dado para esportistas embaixadores do órgão.
Acidente em 2013
Ao longo do pronunciamento, Maya Gabeira também relembrou o pior momento da carreira. A brasileira sofreu uma queda quando tentava surfar uma onda gigante em Nazaré, perdeu a consciência e ficou submersa na água.
O resgate foi feito por um socorrista num jet-ski, e Maya precisou ser reanimada. Ela voltou a Nazaré para surfar em 2016.
Veja pronunciamento na íntegra
"Eu só queria vir aqui e desejar feliz ano novo. Muito obrigado por todo o apoio e amor que vocês me deram nesses anos todos. Foram 20 anos surfando ondas gigantes. Estou finalmente pronta para me afastar do surfe profissional e do surfe de ondas gigantes, e encontrar alguma outra coisa. Cumpri o meu propósito. Quando comecei essa vida era impensável que uma mulher competisse com homem, que uma mulher fosse surfar a maior onda do ano entre homens e mulheres, que Nazaré existisse, que recordes mundiais para mulheres existissem. Tanta coisa mudou. Há tantas mulheres hoje em dia. Sou muito orgulhosa e honrada por ter sido parte da transformação dessa indústria, desse esporte, desse estilo de vida. Ele me mudou também. Digo isso para as pessoas que me apoiaram, me ajudaram e para as pessoas que me desafiaram, me criticaram, por vezes me odiaram, mas eu entendo. Eu era osso duro de roer. Eu queria demais, queria aprender e queria viver coisas que nem todo mundo entenderia o porquê, mas fiz. Foi difícil para mim não me sentir ferida às vezes, mas tudo serviu seu propósito. Muito obrigado por prestar atenção em mim, me enviarem suas energias, seus pensamentos, seu amor, seu apoio. Senti isso, e me mudou em tantos jeitos. Eu deixei o Brasil tão jovem e não sabia o que faria da minha vida. Vivi em muitos países. Basicamente é como se o inglês fosse minha primeira língua a essa altura. Aprender diferentes línguas, aprender diferentes culturas, diferentes trabalhos, de escritora a ativista. Tive tantas oportunidades incríveis no meu caminho e sou muito grata. Vou continuar fazendo muitas dessas coisas, mas é a hora de me afastar do surfe profissional. Esse é meu último mês em Nazaré e estou curtindo cada momento. Não há nada como acordar e pensar: "Essa pode ser a última vez que vejo ondas como essas." Sabe, ser ressuscitada e ter uma experiência real de como quão rápida a vida pode ir embora. Ainda me encanto com a perspectiva que a gente pensa sobre as coisas pode nos dar um novo jeito de experiência, do dia, do pôr do sol, do nascer do sol. Então quis vir aqui e dizer o quão grata eu sou por todos, pelo amor, pelo apoio, pelos desafios, pelas críticas, pelo ódio, por tudo que me fez ser quem sou. Agora estou pronta para seguir em frente e continuar servindo e levando uma vida com propósito. Espero impactar mais a vida das pessoas. Acho que é para isso que estou aqui. Estamos aqui para mudar a gente. Com esperança isso pode levar outros a mudarem a si mesmos. Entrei no surfe para me entender e pela liberdade que me dava. E estou me afastando do surfe me sentindo tão livre, com a mente tão livre, com o coração tão completo. Não tenho arrependimentos. Sei que escolhi a carreira certa. Nos primeiros anos da minha vida e eu era sábia quando deixei minha casa ainda adolescente. Sem saber o que diabos iria fazer, mas sentindo meu coração palpitar pelo surfe. Fui abençoada. Obrigada por fazer parte disso"
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.



