Jornalista da Folha de S. Paulo denuncia agressão de CEO do Pacaembu
Executivo tentou dar um soco no profissional que visitava o local, recém-aberto à visitação pública

Jornalista da Folha de S. Paulo, Demétrio Vecchioli denunciou, na noite dessa terça-feira (28), uma tentativa de agressão por parte do CEO do Pacaembu, Eduardo Barella. A situação ocorreu durante a reinauguração do complexo esportivo, agora sob o comando da Allegra, concessionária que comandará o local pelos próximos 30 anos.
Demétrio participava da visitação aberta ao público no complexo, anunciada por Rogério Lins, secretário de Esportes e Lazer de São Paulo. Eduardo Barella encontrou Demétrio, ainda dentro das dependências do Pacaembu, e começou com agressões verbais e morais. Segundo o jornalista, a agressão física não ocorreu por intervenção do assessor de imprensa do complexo.
"Ele veio em minha direção e armou o soco, que só não pegou porque ele foi contido pelo pelo assessor de imprensa da própria Allegra, que estava comigo", publicou no X, antigo Twitter.
Demétrio também relatou que só havia encontrado com Barella uma única vez. Em 2019, no ato da assinatura do contrato que concedeu o espaço para a Allegra. Em contato com a reportagem da Itatiaia, o jornalista revelou surpresa com a postura do executivo.
"Ele veio na minha direção, num lugar que é fechado e que portanto ele foi até lá sabendo que eu estava exatamente lá, e foi até mim com o propósito de me bater. Se o assessor não tivesse entrado na frente, ele teria acertado um soco em mim, e o assessor precisou ficar segurando ele por pelo menos um minuto até eu ter a ideia de pegar o celular e gravar", disse.
Veja relato de Demétrio na íntegra
Eduardo Barella, CEO e dono da Allegra Pacaembu, tentou me agredir fisicamente hoje enquanto eu caminhava no Pacaembu
Ele veio em minha direção e armou o soco, que só não pegou porque ele foi contido pelo pelo assessor de imprensa da própria Allegra, que estava comigo.
Nos vimos uma única vez, no ato da assinatura do contrato, em 2019. Hoje o complexo reabriu ao público e, antigo frequentador e jornalista, fui ver como ficou.
Saía da região da piscina, acompanhado do assessor, quando Barella veio em minha direção a passos duros.
Me cobrava por visitar a obra enquanto abria os botões da manga da camisa. Ao chegar na minha frente, tentou o soco e só não conseguiu por conta do assessor, que continuou o segurando por pelo menos um minuto.
Barella tentava se desvencilhar para me bater.
Ele é faixa preta de jiu-jitsu e disputa o Mundial (master) na categoria peso pesado.
Nunca havíamos discutido, ou falado, exceto naquele evento de 2019. Ele não me xingou, não me criticou. Ele veio em minha direção com o único intuito de me agredir pelo meu trabalho.
O mesmo assessor que me protegeu depois enviou nota à Folha forjando relato de uma FALSA "discussão"
Houve, sim, ele sabe e é a principal testemunha disso, uma tentativa de agressão a jornalista que fazia seu trabalho. Eu sequer abri a boca enquanto Barella tentava me agredir.
Havia 4 câmeras com ângulo para o local onde fui agredido verbalmente e moralmente (ele não conseguiu encostar em mim). O Pacaembu está aberto ao público, essas câmeras precisam estar funcionando.
É dever da prefeitura fornecer as imagens para que eu tome as providências legais. O Pacaembu é um local que não oferece segurança sequer para jornalistas.
Seu concessionário ameaça, tenta agredir, e não disponibiliza as imagens das câmeras de segurança, como se aquele fosse seu quintal.
Reforço: quase apanhei somente pelo que escrevi.
A cidade de São Paulo e o Pacaembu não podem ficar na mão de gente assim.
Posicionamento do Pacaembu
Na manhã da terça (28), houve uma discussão entre o CEO da Concessionária Allegra Pacaembu, Eduardo Barella, e o repórter Demetrio Vecchioli, da Folha de S.Paulo.
Não houve agressão física e, em menos de dois minutos, a situação foi pacificada.
A Concessionária Allegra Pacaembu reitera seu compromisso de respeito à imprensa livre e o acesso democrático, inclusivo e plural da população e assim convida a reportagem da Folha a retornar ao complexo sempre que quiser, das 6h às 22h.
Atenciosamente,
Concessionária Allegra Pacaembu
Pacaembu privatizado
A privatização do Pacaembu foi oficializada em 2019 sob gestão do então prefeito Bruno Covas (PSDB). A Allegra está responsável pelo local pelos próximos 30 anos.
A entrega da reforma estava prevista para 2022, mas houve atraso. A reabertura ocorreu apenas em 2025.
Em 2024, a final da Taça das Favelas foi cancelada em função das fortes chuvas em São Paulo. Áreas do Pacaembu foram alagadas. Segundo a Allegra, o alagamento ocorreu por um rompimento da tubulação pela pressão da água.
O retorno das disputas oficiais ocorreu no último dia 25 de janeiro. A final da Copa São Paulo de Futebol Júnior foi disputada no Pacaembu, agora Mercado Livre Arena Pacaembu, pelo acordo de naming rights. O São Paulo venceu o Corinthians por 3 a 2 e conquistou o pentacampeonato da competição.
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.



