Muito além de Ancelotti, do tri e do tetra: brasileiros fizeram da Copa trampolim para Itália
Alguns dos principais jogadores brasileiros nas copas de 1954 a 1970 jogaram em clubes italianos durante a carreira

Pela primeira vez comandada por um treinador estrangeiro numa Copa do Mundo, a Seleção Brasileira vai buscar o hexa sob a batuta de Carlo Ancelotti. O italiano, que ainda criança com certeza sofreu na conquista do tri pelo Brasil sobre a Itália, em 1970, no México, e que em 1994 era auxiliar-técnico de Arrigo Sacchi, no tetra, em 1994, nos Estados Unidos, tem o desafio de buscar o hexa. Muito além desses três fatos, a Itália está diretamente ligada à nossa história em Mundiais, e nós, como país, à deles, pois nunca se deram bem em terras tupiniquins, seja defendendo o título, em 1950, ou na última vez que participaram do torneio, em 2014.
Confira a primeira parte dessa série com fatos entre a primeira Copa do Mundo, em 1930, no Uruguai, e o torneio de 1950, o primeiro que sediamos e que marcou a volta da competição após a Segunda Guerra Mundial.
1954

Apesar de a Seleção já contar nesta Copa com Djalma Santos, Nilton Santos e Didi, que seriam bicampeões em 1958 e 1962, pode-se afirmar que o ponta-direita Julinho Botelho foi o destaque brasileiro na Suíça.
E esse destaque o levou para o futebol italiano, na temporada seguinte, contratado pela Fiorentina, onde se transformou num dos maiores ídolos da história do clube, sendo fundamental na conquista do primeiro scudetto de La Viola.
1958

A reta final de preparação da Seleção Brasileira foi na Itália, onde disputou dois amistosos contra grandes clubes do cálcio. Em 29 de maio, com Julinho Botelho do outro lado, goleou a Fiorentina por 4 a 0, no Estádio Artemio Franchi, em Florença.
Em 1º de junho, a vítima do esquadrão de Vicente Feola foi a Internazionale, no San Siro. O time milanês também foi goleado por 4 a 0. Uma semana depois, o Brasil iniciava, com um 3 a 0 sobre a Áustria, a caminhada do seu primeiro título mundial.
1962

Pelé sofreu uma lesão muscular e participou apenas dos dois primeiros jogos da fase de grupos. A partir da decisão contra a Espanha, quando o Brasil jogava pelo empate, seu substituto foi Amarildo, revelação do Botafogo de 21 anos que tinha a titularidade cobrada pela imprensa carioca.
Os espanhóis saíram na frente, o nervosismo era evidente no experiente time brasileiro, mas o garoto Amarildo resolveu a parada. Marcou duas vezes na reta final da partida e classificou o Brasil para as quartas de final.
O sucesso na campanha do bi da Seleção Brasileira fez Amarildo seguir os passos de Julinho Botelho. E em 1963 ele desembarcava em Milão para defender o Milan. Depois ainda passou por Fiorentina e Roma, construindo uma bela história no País da Bota.
1966

O Brasil, que era bicampeão em 1958 e 1962, busca o inédito tri em sequência, superando a Itália, que tinha levantado a taça em 1934 e 1938. Para isso, a grande aposta foi na volta de Vicente Feola, comandante do time na Suécia, ao posto de treinador. Ele tinha ficado de fora do Mundial de 1962, no Chile, por problemas de saúde, sendo substituído por Aimoré Moreira.
Vicente Ítalo Feola era paulistano do Brás, bairro tradicional da colônia italiana na capital paulista, e seus pais tinha vindo da Itália no final do século 19.
No final, a Copa de 1966 foi marcada pelo fracasso para brasileiros e italianos, pois os dois times que decidiriam a Copa de 1970 caíram ainda na fase de grupos quatro anos antes.
Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro
Igor Varejano é jornalista formado pela UFOP. Tem experiência em esportes e cidades no rádio e em portais. Colaborou com Agência Primaz, Jornal Geraes e Rádio Real. Atualmente é repórter do Itatiaia Esporte.

