Itatiaia

Mauro Silva avalia meias da Seleção Brasileira e aponta caminho para o Hexa

Campeão do mundo em 1994, o ex-volante participa de evento no Rio de Janeiro ao lado de ex-companheiros

Por, Rio de Janeiro (RJ)
Mauro Silva Seleção Brasileira 1994
Mauro Silva, campeão do mundo pela Seleção Brasileira em 1994, em evento no Rio de Janeiro • Matheus Dantas/Itatiaia

Campeão mundial com a Seleção Brasileira em 1994, Mauro Silva participou nesta terça-feira (24) do Fut Summit 2026, no Rio de Janeiro, e analisou o momento da equipe de Carlo Ancelotti. O ex-volante destacou a importância de um meio-campo sólido e comentou a pressão pelo jejum de títulos.

“Sou suspeito, né? Gosto bastante do Casemiro. O Bruno Guimarães também, gosto dos dois. O Casemiro tem uma característica, inclusive, parecida com a minha com o Dunga em 94. Mas, quando a gente fala de Copa do Mundo, um time sólido, compacto, com meio de campo forte, uma defesa forte...", iniciou Mauro Silva, que esteve ao lado de Ricardo Rocha e Zinho, tetras em 1994, durante o evento.

"Você vai enfrentar uma França, Alemanha, Itália, Espanha, em um jogo desse nível, você toma um gol e vem uma pressão. Vai sofrer. Então, tem que ser um time bem organizado. A Copa do Mundo não é um campeonato que você perde e recupera amanhã. Depois da primeira fase, a margem de erro é zero. Tem que ter um time muito sólido e muito compacto. Gosto dos volantes da Seleção Brasileira e eles têm um papel fundamental pro Brasil ser campeão", completou Mauro, titular da campanha em 1994.

A conquista de 1994 encerrou um jejum de 24 anos sem títulos mundiais da Seleção Brasileira, que não levantava o troféu desde 1970. A equipe liderada por jogadores experientes e marcada por forte organização defensiva conseguiu superar a pressão para voltar ao topo do futebol mundial.

Agora, em 2026, o Brasil chega novamente a uma Copa carregando o peso de um longo período sem conquistas desde o último título, em 2002. A Seleçãotenta equilibrar renovação e experiência, sob cobrança constante de torcida e imprensa por um desempenho à altura da tradição pentacampeã.

“A Seleção está se preparando para isso. 24 anos, são muitos anos. Em 1994, pesava muito essa cobrança da imprensa e do torcedor. Têm que levar isso para dentro de campo como energia para tentar ganhar essa Copa. Vestir a camisa da Seleção Brasileira é um sonho, jogar uma Copa do Mundo e conquistar é o máximo para um jogador de futebol. Espero que eles entrem em campo com esse sonho, com essa vontade. Se forem unidos, dessa forma como fomos em 94, as chances aumentam bastante.”

Confira, abaixo, mais respostas de Mauro Silva:

Escassez de meias na última convocação:
"Acho que é uma fase ainda de observação pensando na Copa do Mundo. Então, não sendo a convocação definitiva, acho que dá para entender o interesse e observar esses últimos jogos antes da Copa do Mundo a performance dos atacantes e dos meias para tomar decisões. Eu interpreto desta forma."

Comparação com a Seleção atual e a de 1994
"Difícil fazer uma comparação. O Ancelotti, naquela época, era auxiliar (da seleção italiana) em 1994. É um cara que conhece bem essa escola tão organizada, tão tática. É um treinador que gosto muito e tenho certeza que vai pra Copa do Mundo com time organizado, principalmente quando a gente tem tantos atacantes como tínhamos em 1994. Com Romário e Bebeto, você sabia que sairia um gol em qualquer momento, então não precisava se expor muito.

Você tem que jogar com muita cabeça. O futebol, hoje em dia, é um jogo de xadrez, precisa ter esse controle emocional, equilíbrio e saber exatamente o que cada momento pede dentro do campo. Esse controle emocional é fundamental para ganhar uma Copa do Mundo. Gosto muito do trabalho do Ancelotti e acredito muito que o Brasil tem uma seleção muito competitiva e muito forte. Lógico tem outras seleções também que são muito fortes e competitivas. Não é fácil ganhar uma Copa do Mundo, é uma competição extremamente difícil, mas o Brasil tem condições de ser campeão."

Fase dos atacantes atuais da Seleção
"Temos bastante atacantes, talvez mais abertos, como o caso do Vini Jr. Está em grande momento no Real Madrid, chega em um momento espetacular. Temos outros jogadores, Raphinha e Estevão. Na época, sobrava atacante, o cara do gol, Bebeto, Romário, Muller, Viola, Evair... Sobrava.

A gente não tem tantos artilheiros natos, mas o Brasil tem bons atacantes. É buscar o equilíbrio dentro do perfil que temos com quem pode resolver o jogos a qualquer momento. Estamos vendo como Vini Jr pode ser decisivo no Real Madrid."

Por

Jornalista e correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, pela arquibancada e contra torcida única.