Ouvindo...

Times

Náutico: Becker fala em ‘antecipar’ SAF e revela planos para modernizar Aflitos

Presidente eleito do Náutico espera concluir o processo da SAF até o fim do primeiro semestre de 2024

Presidente eleito do Náutico para o biênio 2024-2025, o advogado Bruno Becker quer a concretização da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube o quanto antes. Em entrevista à Itatiaia realizada nesta terça-feira (14), no seu escritório, na zona central do Recife, o novo mandatário alvirrubro afirmou que espera concluir os trâmites legais para a implementação do novo modelo de gestão do clube até o fim do junho de 2025. Ele também falou sobre os planos para o estádio dos Aflitos.

Em negociação avançada pela atual gestão, o Náutico tem conversas para vender 90% da sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A proposta de aproximadamente R$ 970 milhões deverá envolver a NewCo (Corporation) Group. Becker terá uma reunião de transição, ainda nesta semana, com o grupo que gere o Timbu atualmente e, possivelmente, com representantes desse grupo de investidores, para se inteirar de mais detalhes.

“SAF é uma pauta da instituição. Não é uma pauta de gestão, de um presidente ou de outro. É da instituição. Venho dizendo há algum tempo que a SAF no caso do Náutico, mais do que uma realidade de mercado, é uma necessidade do clube. Há uma recuperação judicial em andamento, precisamos viabilizar o pagamento dessa RJ e a SAF também tem um papel importante nisso, no saneamento das dívidas, e do projeto maior, que é desportivo. Ele vem a curto, médio e longo prazo”, começou por dizer Becker.

“Existe a questão do projeto desportivo. Óbvio que o pagamento de dívidas é importante, mas o projeto desportivo é que precisa ter atenção importante, é ele que vai fazer o futebol ir galgando degraus, chegar à Série A e pensar numa Copa Sul-americana, por exemplo”, acrescentou.

Até a concretização de todo o processo legal, inclusive com aprovação dos sócios, o presidente eleito falou no que chamou de um modelo de “cogestão”, já trazendo a SAF para gerir o futebol do Náutico para já.

“Mas não depende só do presidente, se dependesse de mim queria a SAF para ontem. Se eu pudesse antecipar essa transição, faria se possível uma espécie de cogestão. Estou falando por mim. Mas, uma vez eleito, vou aprofundar essas conversas com os investidores para sabermos como podemos otimizar e antecipar esse desenho”, disse.

“Mas quem define a implementação ao final de tudo é o associado na assembleia-geral. Vai haver a apresentação da proposta vinculante, discussões no Conselho para saber se aquele momento é o ideal para o clube, se precisará de ajuste, melhoras, e ao final, se aprovado, cabe ao presidente acompanhar o processo e, uma vez implementado, fiscalizar com o Conselho Deliberativo”, detalhou.

Assim como destacou a atual gestão do Náutico, Becker manterá o compromisso de não vender nenhum patrimônio imobiliário do clube. “O que certamente pode, e acredito que é um caminho, é haver investimentos no patrimônio, no estádio e no CT, como arrendamento, direito de uso, mas sem se desfazer de nada. Isso será mantido”, garantiu.

Modernização dos Aflitos

Sobre o estádio do Náutico, Bruno Becker afirmou que, pelas informações prévias recebidas até então como pré-candidato e conselheiro do clube, haverá um investimento da SAF no estádio. Ele, contudo, ainda não trata esse fato como consumado. Obstinado a modernizar a casa alvirrubra, afirmou que, se não pelos investidores da SAF, a reforma do estádio virá por outros meios.

“O estádio precisa ser reformado, modernizado. Estamos falando de futebol moderno, com liga, com SAF, investimento. Então, os estádios precisam minimamente acompanhar isso, até por conta de todo o entorno do jogo, da tão falada experiência do torcedor, o ‘match day’. Então, o estádio dos Aflitos precisará passar por uma intervenção. De onde vai vir o recurso para isso? Vai depender do modelo”, iniciou Bruno Becker.

“Não tenho como confirmar porque não tive a reunião ainda, mas as informações davam conta que a SAF faria um investimento imobiliário. Se de fato essas informações procederem, esse investimento seria também nos Aflitos. Mas, também, se não for um investimento que não venha pela SAF, teremos que buscar outros investidores para aportarem valores suficientes para a reforma. O fato é que vai precisar ser modernizado”, acrescentou.

Um dos pontos tocados por Becker, inclusive, foi a possibilidade de aumentar a capacidade do estádio, hoje para em torno de 20 mil torcedores. “A modernização não é a reforma de um banheiro, mas uma reformulação e modernização estrutural para dar conforto, aumentar a capacidade do estádio, mas que traga o estádio para o cenário atual do futebol. Sempre, repito, sem vender o estádio. A gente tem que trabalhar com uma espécie de cessão de uso ou arrendamento”, pontuou.

Jornalista, natural do Recife, é atualmente correspondente do portal Itatiaia Esporte na região Nordeste. Com mais de uma década de experiência no jornalismo esportivo, tem passagens pela Folha de Pernambuco, Diario de Pernambuco, Superesportes e NE45. Em Portugal, trabalhou por O Jogo e Sport Magazine.
Leia mais