Presidentes de federações do Nordeste discutem apoio a novo comandante da CBF
Evandro Carvalho, presidente da Federação Pernambucana, afirma que apenas Maranhão e Paraíba já teriam optado por oposição; Itatiaia reafirma informação de região contra Ednaldo Rodrigues

O presidente da Federação Pernambucana de Futebol (FPF), Evandro Carvalho, revelou, nesta quinta-feira (21), que mantém contato com os demais presidentes de federações da região Nordeste sobre as eleições para presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no próximo mês. A maior parte do bloco, afirma o mandatário de Pernambuco, ainda não teria definido a quem apoiar.
Por decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ednaldo Rodrigues, então presidente da CBF, foi afastado do cargo em 7 de dezembro e uma nova eleição terá que ser marcada até 25 de janeiro de 2024. O atual presidente do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), José Perdiz de Jesus, comanda interinamente a confederação.
Com esse cenário, Evandro Carvalho afirmou que Pernambuco ainda analisa as possibilidades. A reportagem da Itatiaia trouxe, nesta quarta-feira (20), que na região Nordeste apenas as federações pernambucana e baiana ainda não definiram apoio ao advogado Flávio Zveiter para a presidência da CBF.
"Só sei de apenas duas federações que me passaram que tinham rompido com Ednaldo e apoiariam um candidato de oposição, que não sei quem é porque tem mais do que um. Foram Paraíba e Maranhão. As demais, nenhuma disse que estaria apoiando oposição, portanto faltam os cinco", afirmou.
"Eu estava fora do Brasil, ainda vou no Rio de Janeiro ter reunião com presidente, vou me situar, conversar com o Perdiz e o Ednaldo. Sou advogado da CBF, tenho coisas para tratar depois do Natal", acrescentou Evandro Carvalho.
A reportagem da Itatiaia, no entanto, mantém a informação de que outras federações do Nordeste já estariam prontas para apoiar Flávio Zveiter: Maranhão, Paraíba, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe. A Federação Baiana, da terra natal de Ednaldo e que tem seu cunhado Ricardo Lima como presidente, está ao lado do dirigente afastado. Pernambuco, por ora, mantém-se neutro.
O xadrez político na CBF
Flávio Zveiter presidiu o STJD entre 2012 e 2014. Em 2017 foi indicado pela Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) para representar a América do Sul no Comitê de Ética da Fifa.
Em setembro de 2022, Zveiter assumiu como diretor de desenvolvimento e projetos da CBF, deixando o cargo em maio de 2023. Desde então passou a ser oposição a Ednaldo Rodrigues no xadrez político do futebol. Ele é filho de Luiz Zveiter, também ex-presidente do STJD e ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio, e neto do ex-ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Waldemar Zveiter.
Ednaldo Rodrigues tenta via judicial retomar a presidência da CBF. O caso agora está no STF (Supremo Tribunal Federal), após pedido do PSD (Partido Social Democrático) para que a decisão do TJ-RJ seja anulada. A iniciativa partiu do Senador baiano Otto Alencar, conterrâneo de Ednaldo. O ministro André Mendonça analisa o caso.
Em paralelo, o presidente afastado tenta se viabilizar como um candidato competitivo para a eleição. Ele tem o apoio do presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos. Estão com ele também Roberto Góes, da Federação do Amapá, e Francisco Novelletto, ligado à Federação Gaúcha de Futebol. Todos são vices na diretoria executiva da CBF afastada pela Justiça.
Entenda o afastamento de Ednaldo
O processo que causou o afastamento de Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF está ativo desde 2018, por iniciativa do Ministério Público do Rio de Janeiro, ainda referente à eleição de Rogério Caboclo, antecessor de Ednaldo.
O MP questiona o estatuto da confederação por estar em desacordo com a Lei Pelé porque prevê pesos diferentes para clubes nas votações para a escolha dos presidentes. Os dirigentes das 27 federações estaduais têm peso 3 na votação, contra peso 2 dos 20 clubes da Série A e peso 1 dos 20 da B.
A Justiça anulou em 2021 a eleição de Rogério Caboclo e determinou uma intervenção na CBF, nomeando Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, e Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), como os interventores. Essa decisão foi cassada pouco tempo depois.
A CBF e o Ministério Público fizeram um acordo extrajudicial e assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O estatuto mudou e os pesos nos votos dos times das séries A e B ficaram iguais. Na nova eleição, em 2022, Ednaldo Rodrigues, que estava como presidente interino, foi eleito para um mandato completo de quatro anos, até março de 2026.
Gustavo Feijó, que era vice na época de Caboclo, acionou a 2ª instância. O pedido era que o TAC fosse anulado, e Ednaldo afastado, alegando que o juiz de 1ª instância não tinha atribuição para homologar o documento. Foi isso que foi acatado em 7 de dezembro pelo TJ-RJ.
Jornalista, natural do Recife, é atualmente correspondente do portal Itatiaia Esporte na região Nordeste. Com mais de uma década de experiência no jornalismo esportivo, tem passagens pela Folha de Pernambuco, Diario de Pernambuco, Superesportes e NE45. Em Portugal, trabalhou por O Jogo e Sport Magazine.
Formado em jornalismo pela PUC-Campinas em 2000, trabalhou como repórter e editor no Diário Lance, como repórter no GE.com, Jornal da Tarde (Estadão), Portal IG, como repórter e colunista (Painel FC) na Folha de S. Paulo e manteve uma coluna no portal UOL. Cobriu in loco três Copas do Mundo, quatro Copas América, uma Olimpíada, Pan-Americano, Copa das Confederações, Mundial de Clubes, Eliminatórias e finais de diversos campeonatos.

