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Itatiaia

O assunto 'torcida organizada' precisa ser tratado pelo futebol, pois o produto corre risco

Punições como suspensão e banimento têm ação pouco efetiva no que se refere à violência

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Alexandre Simões, comentarista da Itatiaia • Itatiaia

Na noite do último domingo (3), São Paulo e Palmeiras jogaram na capital paulista um clássico que teve torcida única: apenas tricolores no Morumbis. Isso não impediu um confronto entre as duas maiores organizadas de cada clube, numa briga que aconteceu a mais de 400 quilômetros de distância, mais precisamente em Curitiba, no Paraná.

Os são-paulinos programaram um ataque aos palmeirenses no bar em que eles se reuniram para verem a partida pelo Paulistão. E a rua virou praça de guerra, com porretes sendo usados pelos dois lados, mesas, cadeiras, copos e garrafas virando armas e fogos de artifício sendo usados.

Foi só o fechamento de um fim de semana em que tivemos a morte de um cruzeirense, atingido por um tiro, numa briga entre organizadas de Atlético e Cruzeiro, no sábado (2), quando ambos jogaram no mesmo horário, em Belo Horizonte, pela última rodada da fase classificatória do Campeonato Mineiro.

Ainda no sábado, o Villa Nova denunciou a tentativa de agressão de seus torcedores, em Governador Valadares, por integrantes de uma torcida organizada do Democrata.

Um jogo de Futsal no Ceará foi o palco para uma briga entre duas organizadas de um mesmo clube, o Fortaleza, algo comum entre elas inclusive em estádios.

No domingo, no Rio de Janeiro, onde as principais organizadas de Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco estão não suspensas, mas banidas dos estádios, tivemos uma pancadaria generalizada entre tricolores e alvinegros na Zona Norte da Cidade Maravilhosa.

A violência das torcidas organizadas está enraizada no futebol e clubes e entidades deveriam tratar isso com mais atenção, pois no futuro podem ter o produto, cada dia mais caro, prejudicado pelo cenário de insegurança.

Punições e banimentos estão longe de ser a solução para o problema, embora entenda a tentativa de se atingir financeiramente as organizadas, o que na prática acontece numa escala muito menor do que se poderia imaginar.

A legislação não é falha. Temos leis que podem ser usadas contra quem insiste em fazer de torcida uma organização criminosa. Sim, todo tipo de gente se associa. Desde os que querem apenas festa até aqueles que se sentem protegidos para furtos, roubos, tráfico de drogas e brigas.

São várias as tribos dentro das grandes organizadas. Todo mundo sabe disso. Os integrantes, a polícia, o Ministério Público e quase todos os clubes.

Separar o joio do trigo é um grande desafio, mas ele precisa ser encarado da forma mais urgente possível. A cada rodada, são vários os episódios de violência. E eles não acontecem apenas longe dos estádios.

Clubes, entidades que comandam o futebol, Ministério da Justiça, OAB, policiais militares, e ministérios públicos estaduais e o federal e as próprias torcidas precisam de forma urgente iniciar o processo de virada deste jogo.

O futebol está sendo palco para crimes recorrentes e isso vai desvalorizar o produto. O assunto torcida organizada precisa ser tratado por todos os envolvidos, pois a questão ficou mais séria nos últimos anos.

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Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro