São Paulo deve vender jogadores e apostar mais na base; entenda
Decisão é reflexo da reestruturação financeira prevista para iniciar no próximo ano

O São Paulo deve tentar vender jogadores na próxima janela de transferências, alterando a política adotada nos últimos anos. A prática tende a acontecer porque o clube passará por uma profunda reestruturação financeira e, com as negociações, poderá apostar mais nos atletas das categorias de base.
Com foco em disputar títulos, o Tricolor segurou peças importantes do elenco em 2023. A equipe levantou a taça da Copa do Brasil ao final da temporada.
Titular em 2023, o zagueiro Lucas Beraldo, por exemplo, foi vendido ao PSG — por cerca de 19 milhões de euros (R$ 101,6 milhões, segundo a cotação da época) — apenas com o término da temporada.
Os meio-campistas Rodrigo Nestor e Pablo Maia foram blindados do interesse de europeus e permaneceram. Ambos tiveram papel importante na campanha do título da Copa do Brasil. Nestor, inclusive, anotou gol na final diante do Flamengo.
"Vamos lutar pela competitividade, mas seremos responsáveis. O cobertor é curto. Em 2023 não fizemos vendas pela disputa da Copa do Brasil. Hoje estamos no mercado, se aparecer uma boa proposta, podemos vender", revelou o presidente Julio Casares.

Colocando em prática reformas no CT de Cotia, o Tricolor também tem pavimentado caminho para utilizar mais as categorias de base no time principal. Jogadores jovens treinam junto com os profissionais recorrentemente e devem participar da pré-temporada de 2025. Os exemplos são Henrique Carmo e William Gomes — o segundo, inclusive, já atua com frequência junto ao técnico Luis Zubeldía.
Reforços baratos
Para repor possíveis vendas ou reforçar o elenco, o São Paulo também deve manter a política de contratações desta temporada. Na segunda janela de transferências do ano, o clube trouxe quatro reforços: Marcos Antônio, Santiago Longo, Ruan Tressoldi e Jamal Lewis. Todos foram por empréstimos gratuitos, com opção de compra. A intenção é ser criativo e gastar pouco no mercado.
"Vamos trabalhar na reestruturação da dívida sem perder competitividade. Nem tudo é aquisição de atletas e nem tudo é dentro do exercício. Você faz um empréstimo com opção de compra. Assim trouxemos grandes jogadores. Há condição de competir, mas que o cinto será apertado, será. Eu poderia dizer que vou tentar reforçar o time nestes dois anos de mandato e tentar ganhar títulos, mas minha dívida vai para valores inimagináveis. Temos de ter responsabilidade", concluiu Casares, em entrevista à TNT Sports.
Reestruturação financeira do São Paulo
O clube estará praticamente “proibido” de aumentar as dívidas a partir de 2025. Isso porque foi aprovada a criação do “Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios São Paulo Futebol Clube”, que visa controlar a vida financeira do Tricolor.
A proposta para redução das dívidas prevê uma série de gatilhos no projeto, aprovado com mais de 80% de votos favoráveis no Conselho Deliberativo.
Alguns exemplos destes gatilhos são: teto de gastos para investimento no futebol, obrigatoriedade de superávit anual e redução de despesas com salários na administração do clube. A intenção é assegurar a disciplina financeira para tornar o clube saudável a longo prazo.
Rafael Oliva é formado em Jornalismo pela PUC-SP, pós-graduando em Marketing e Mídias Digitais pela FGV e produtor audiovisual. Passou por Lance! e Câmara Municipal de São Paulo. Já cobriu o dia a dia de Santos, Palmeiras e diversos eventos esportivos na cidade de São Paulo. Na Itatiaia, cobre Palmeiras, São Paulo e outros esportes na capital paulista.



