Presidente do Santos apoia renegociação de dívidas dos clubes com Governo Federal
Na visão de Marcelo Teixeira, o nível das taxas de juros prejudica ainda mais a situação financeira das agremiações

O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, destacou a iniciativa dos clubes das Série A e da Série B do Campeonato Brasileiro junto ao Governo Federal para buscar alternativas para o equacionamento das dívidas do futebol brasileiro. Na visão do dirigente, o nível das taxas de juros hoje prejudica ainda mais a situação financeira dos clubes.
Segundo Teixeira, a proposta é discutir um novo plano de pagamento que permita aos clubes reduzir o impacto dos juros e evitar que os passivos continuem crescendo de forma acumulativa. Na avaliação de Teixeira, o atual nível das taxas de juros agrava ainda mais a situação financeira das instituições.
“A cada período do exercício do Santos, durante esse período de dois anos da gestão, nós tivemos um aumento de R$ 250 milhões decorrente apenas dos impostos e da adesão ao Profut. Ou seja, por mais que você controle financeiramente a sua agremiação, você tem uma bola de neve correndo contra os clubes”, afirmou Marcelo Teixeira, em entrevista ao Rica Perrone, na última sexta-feira.
O dirigente também destacou que, de modo geral, se nada for feito de diferente, a tendência é que os clubes continuem pagando, diante do passivo e das dívidas que herdaram, as obrigações do dia a dia, e sem conseguir diminuir substancialmente o passivo histórico.
“É impossível você zerar. Qual a lógica do futebol brasileiro hoje? Você negocia jogadores para você pagar aquilo que é uma rotina diária (impostos, folha de pagamento, direitos de imagem), mas os valores acabam não sendo suficientes, porque as dívidas passadas são maiores e recorrentes, porque a cada período ou a cada mês há um aumento substancial”, explicou Marcelo Teixeira.
“Não são juros normais ou correções de empréstimo bancários, são ainda maiores, porque foram feitos no passado, exclusivamente, para clubes de futebol”, completou Teixeira.
O mandatário santista também destacou o esforço realizado pelo clube para honrar compromissos de gestões anteriores. Em 2024, ano em que o Santos disputou a Série B do Campeonato Brasileiro, o clube desembolsou R$ 126 milhões para o pagamento de dívidas relacionadas a ex-atletas, treinadores e transfer bans.
Outro ponto destacado pelo presidente foi a implementação do Fair-Play Financeiro, por parte da CBF, que pode trazer um impacto positivo para o futebol brasileiro.
“Acredito que esses mecanismos, incluindo a ANRESF (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), poderão controlar mais a saúde dos clubes, desde que os gestores administrem seus gastos nos exercícios e não tenham dívidas passadas que sobrecarreguem as despesas”, finalizou Teixeira.
O Peixe vive uma situação financeira delicada. O clube fechou o ano de 2025 com uma dívida de R$ 988 milhões e um déficit de R$ 79,3 milhões. Recentemente, a diretoria chegou a dever dois meses de direitos de imagem ao elenco, mas pagou um dos meses em atraso no final de agosto.
Iúri Medeiros é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Passou pela Gazeta Esportiva, onde estagiou e posteriormente cobriu o dia a dia do Corinthians. Além do noticiário do Timão, participou da cobertura de jogos de Palmeiras, Santos e São Paulo, além de eventos na capital paulista, como a São Silvestre. Na Itatiaia, acompanha Corinthians e Santos.



