Família de cruzeirense morto em emboscada processa Palmeiras em mais de R$ 8 milhões
Ônibus da torcida organizada Máfia Azul foi alvo de integrantes da Mancha Alviverde, em São Paulo, no mês de outubro

Familiares de José Victor dos Santos Miranda, cruzeirense morto em emboscada de integrantes da Mancha Alviverde a um ônibus de torcedores da Máfia Azul, principal torcida organizada do Cruzeiro, estão processando o Palmeiras. São quatro ações de danos morais no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Somadas, as indenizações podem chegar a R$ 8,75 milhões.
O advogado Juliano Pereira Nepomuceno é o representante dos familiares nos quatro processos.
Ele já tem outra ação contra o Palmeiras por dano morais, na qual é cobrado R$ 1,15 milhão pelo irmão de Gabriela Anelli. A garota de 23 anos foi morta no entorno do Allianz Parque, em julho do ano passado, após briga entre torcidas de Palmeiras e Flamengo.
Os processos são distribuídos por sorteio a juízes do Foro Central Cível. Dois deles estão com o mesmo magistrado, Felipe Poyares Miranda, da 16ª Vara Cível. O juiz determinou que uma das ações tenha a petição inicial direcionada à outra, sob argumento de "economia processual" e "inexistência de justificativa para distribuir duas ações sobre os mesmos fatos e a mesma vítima".
Um dos processos da 16ª Vara Cível é o que cobra o maior valor em indenização: R$ 5,75 milhões. Os outros três pedem R$ 1 milhão cada.
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Posição do Palmeiras
O Palmeiras não comenta assuntos jurídicos. Entretanto, segundo o Estadão, as ações surpreenderam e causaram revolta nos bastidores do clube, que é rompido com a Mancha Alviverde, investigada pelo crime. A organizada já protagonizou protestos contra a gestão de Leila Pereira, reeleita recentemente.
Após uma manifestação feita em live, na qual foram feitas ameaças contra a presidente, Leila conseguiu medida protetiva contra três integrantes da Mancha.Dois deles, Jorge Luis Sampaio Santos e Felipe Mattos, são suspeitos de participar da emboscada e considerados foragidos.
Entenda o caso
A emboscada aconteceu em 27 de outubro, no quilômetro 65 da rodovia Fernão Dias, em Mairiporã (SP). Os suspeitos interceptaram ônibus de cruzeirenses que voltavam para Belo Horizonte após uma partida do clube mineiro contra o Athletico-PR, em Curitiba.
Além da morte de José Victor dos Santos Miranda, outras 17 pessoas ficaram feridas.
Punições
Após o caso, a Federação Paulista de Futebol (FPF) proibiu uniformes e acessórios da Mancha Alviverde em estádios de São Paulo por tempo indeterminado.
Na sede social do Palmeiras, passou a valer uma modificação no código de vestimenta. Leila Pereira proibiu a entrada de associados com trajes e acessórios da Mancha e de quaisquer outras torcidas organizadas.
Prisão dos envolvidos
Até o momento, 12 pessoas foram presas temporariamente como suspeitas do crime. Nesta terça-feira, a Polícia Civil cumpriu diligências que prenderam dez pessoas - dois já haviam sido presos. Três suspeitos continuam foragidos.
Segundo o advogado Gilberto Quintanilha, que representa Sampaio e Motta, a entrega dos dois depende de a defesa ter acesso à acusação. O processo corre em segredo de Justiça e até mesmo partes envolvidas já reclamaram de não ter conseguido acessá-lo
Revanche
A emboscada é entendida como uma "cobrança" dos palmeirenses por uma ação de torcedores da Máfia Azul contra integrantes da Mancha Alviverde em 2022, também na rodovia Fernão Dias.
Na época, Jorge Luís Sampaio Santos teve sua carteirinha de sócio, documentos e cartões de créditos arrancados pelos rivais durante o confronto, além de ter sido espancado e ter vídeos expostos nas redes sociais. A confusão terminou com quatro torcedores feridos a tiros.
Cruzeiro x Palmeiras
Cruzeiro e Palmeiras se enfrentam nesta quarta-feira (4), no Mineirão, em Belo Horizonte, pela 37ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) enviou um ofício aos clubes determinando que o jogo seja disputado com portões fechados. O governo de Minas Gerais recorreu à Justiça comum, solicitando que a partida seja realizada somente com cruzeirenses na arquibancada, e espera reverter a decisão. Ambas as diretorias se posicionaram contra a decisão da CBF.
A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) respondeu, nas últimas horas, ao ofício enviado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e garantiu a presença para as torcidas de Cruzeiro e Palmeiras.
Com o posicionamento da PM, cabe à CBF aceitar ou não o efetivo da corporação para definir se a partida contará com algum público, seja ele misto (duas torcidas) ou com apenas a presença de cruzeirenses. Vale ressaltar que, na noite dessa terça (3), a CBF já havia definido que o jogo não teria torcida pela falta de sinalização da PM.
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Com agência
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