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Entenda os alertas do compliance do Corinthians em relação à SAFiel

Projeto que propõe transformação do Timão em SAF sofre resistência interna

Projeto da SAFiel foi lançado oficialmente no dia 28 de outubro

O projeto da SAFiel, que busca transformar o Corinthians em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) com a participação de torcedores, segue enfrentando resistência interna no Parque São Jorge. O setor de compliance do clube fez diversos alertas à diretoria em relação ao plano apresentado pelos organizadores da iniciativa.

A SAFiel foi registrada sob o nome de Invasão Fiel S/A e possui capital social de apenas R$ 3 mil. O baixo valor chamou a atenção do compliance do Corinthians, sobretudo porque os líderes do projeto afirmam ter a intenção de arrecadar mais de R$ 2 bilhões.

Outro ponto de questionamento foi o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) da Invasão Fiel S/A, registrada no dia 18 de julho, classificado como “holding institucional não financeira” — ou seja, uma empresa sem atividade operacional própria, criada apenas para deter participações societárias.

O compliance corintiano também levantou dúvidas sobre a participação de Maurício Chamati, um dos sócios do projeto.

Chamati integrou o Comitê Independente de Finanças durante a gestão de Augusto Melo e teria tido acesso a informações sigilosas do clube.

Outros pontos foram destacados, como:

  • a relação de Chamati com a empresa Mercado Bitcoin, que em 2023 foi condenada a pagar R$ 300 milhões a um cliente após um golpe envolvendo um ex-sócio;
  • a existência de um Processo Investigatório Criminal (PIC) contra ele por estelionato;

As informações foram divulgadas inicialmente pelo UOL e confirmadas pela Itatiaia.

Como pensa a SAFiel

Fontes ligadas à SAFiel afirmaram à reportagem que não há surpresa quanto à empresa ter sido registrada como uma holding, já que o capital será levantado posteriormente — o que, segundo elas, reflete a natureza do projeto.

As mesmas fontes questionam o fato de o compliance analisar a SAFiel como se fosse uma prestadora de serviços, quando, na realidade, o critério de avaliação deveria ser diferente.

A SAFiel, vale ressaltar, ainda não foi comunicada oficialmente sobre as ressalvas feitas pelo compliance. Os líderes do projeto aguardam um retorno após apresentarem a proposta ao presidente Osmar Stabile e ao presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior.

O que é a SAFiel

O projeto, que propõe a transformação do Corinthians em uma SAF, prevê a formação de dois sócios: o próprio clube e uma empresa composta por torcedores que adquirirem ações.

“Nós queremos separar o futebol do clube associativo. O futebol passa a ser gerido como empresa, sem politicagem. Passa a ser administrado com cultura e método empresarial. Executivos em cargos-chave, com metas definidas e governança”, disse Carlos Teixeira, um dos idealizadores do projeto.

“A ideia é ser blindado contra pessoas mal-intencionadas. Conselhos independentes. Auditorias externas regularizarão as práticas, sem perder o caráter popular do clube”, comentou.

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A proposta prevê a divisão das ações do Corinthians em dois tipos: o primeiro com direito a voto; o segundo, sem.

Os idealizadores da SAFiel entendem que esse é um caminho inevitável para o Corinthians, que atualmente acumula uma dívida de R$ 2,7 bilhões.

Iúri Medeiros é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Passou pela Gazeta Esportiva, onde estagiou e posteriormente cobriu o dia a dia do Corinthians. Além do noticiário do Timão, participou da cobertura de jogos de Palmeiras, Santos e São Paulo, além de eventos na capital paulista, como a São Silvestre. Na Itatiaia, acompanha Corinthians e Santos.

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