O projeto da SAFiel, que busca transformar o
A SAFiel foi registrada sob o nome de Invasão Fiel S/A e possui capital social de apenas R$ 3 mil. O baixo valor chamou a atenção do compliance do Corinthians, sobretudo porque os líderes do projeto afirmam ter a intenção de arrecadar mais de R$ 2 bilhões.
Outro ponto de questionamento foi o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) da Invasão Fiel S/A, registrada no dia 18 de julho, classificado como “holding institucional não financeira” — ou seja, uma empresa sem atividade operacional própria, criada apenas para deter participações societárias.
O compliance corintiano também levantou dúvidas sobre a participação de Maurício Chamati, um dos sócios do projeto.
Chamati integrou o Comitê Independente de Finanças durante a gestão de Augusto Melo e teria tido acesso a informações sigilosas do clube.
Outros pontos foram destacados, como:
- a relação de Chamati com a empresa Mercado Bitcoin, que em 2023 foi condenada a pagar R$ 300 milhões a um cliente após um golpe envolvendo um ex-sócio;
- a existência de um Processo Investigatório Criminal (PIC) contra ele por estelionato;
As informações foram divulgadas inicialmente pelo UOL e confirmadas pela Itatiaia.
Como pensa a SAFiel
Fontes ligadas à SAFiel afirmaram à reportagem que não há surpresa quanto à empresa ter sido registrada como uma holding, já que o capital será levantado posteriormente — o que, segundo elas, reflete a natureza do projeto.
As mesmas fontes questionam o fato de o compliance analisar a SAFiel como se fosse uma prestadora de serviços, quando, na realidade, o critério de avaliação deveria ser diferente.
A SAFiel, vale ressaltar, ainda não foi comunicada oficialmente sobre as ressalvas feitas pelo compliance. Os líderes do projeto aguardam um retorno após apresentarem a proposta ao presidente Osmar Stabile e ao presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior.
O que é a SAFiel
O projeto, que propõe a transformação do Corinthians em uma SAF, prevê a formação de dois sócios: o próprio clube e uma empresa composta por torcedores que adquirirem ações.
“Nós queremos separar o futebol do clube associativo. O futebol passa a ser gerido como empresa, sem politicagem. Passa a ser administrado com cultura e método empresarial. Executivos em cargos-chave, com metas definidas e governança”, disse Carlos Teixeira, um dos idealizadores do projeto.
“A ideia é ser blindado contra pessoas mal-intencionadas. Conselhos independentes. Auditorias externas regularizarão as práticas, sem perder o caráter popular do clube”, comentou.
A proposta prevê a divisão das ações do Corinthians em dois tipos: o primeiro com direito a voto; o segundo, sem.
Os idealizadores da SAFiel entendem que esse é um caminho inevitável para o Corinthians, que atualmente acumula uma dívida de R$ 2,7 bilhões.