Cidades inteligentes: tecnologia para gerir trânsito, energia e serviços

Eficiência é a chave para o gerenciamento e o funcionamento dos serviços de cidades inteligentes

Semáforos inteligentes mudam gestão do trânsito

O uso da tecnologia e da inteligência de dados está cada vez mais presente na rotina das grandes cidades. O conceito de “cidade inteligente”, ou smart city, define o ambiente urbano que utiliza tecnologia, dados e conectividade para melhorar a infraestrutura, os serviços e a gestão de recursos. O objetivo principal é aumentar a eficiência em diferentes áreas, como mobilidade, com semáforos inteligentes; iluminação pública, por meio de sistemas de gerenciamento remoto; e sustentabilidade, com soluções adequadas para o tratamento de resíduos.

Diversas cidades já buscam, gradualmente, adotar esse modelo. Ainda assim, há desafios para que ele se consolide. É o que afirma o superintendente da Superintendência de Obras de Belo Horizonte, Leonardo José Gomes Neto.

“Quando pensamos mundo afora, temos que correr atrás das tecnologias que já existem para chegar no mesmo nível. Hoje, no mundo, tudo vai ser monitorado por cidade inteligente. Cidade inteligente é a luminária inteligente. Por exemplo, na parceria privada que a gente tem, na PPP, a empresa tem alguns trechos de telegestão. A dependência de tecnologia de outros países e a falta de investimento ainda são empecilhos para o avanço desse modelo na cidade”, conta.

Leonardo José Gomes Neto, superintendente da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap)

Segundo o professor da Fundação Dom Cabral (FDC), Paulo Resende, a ausência de sistemas inteligentes nas cidades gera obstáculos na infraestrutura urbana. Um exemplo é o trânsito sem monitoramento eficiente, problema comum na rotina dos municípios.

“É visível nos congestionamentos. O congestionamento é uma falta de capacidade operacional daquela rede, daquelas tecnologias, daquelas operações de suporte de acompanhar o que a gente chama de demanda. A demanda vem do usuário, a demanda vem do cidadão”, afirma.

Paulo Resende, professor do Núcleo de Infraestrutura da Fundação Dom Cabral (FDC)

Para o especialista em tecnologia, transformação social e desenvolvimento sustentável e professor da Fundação Dom Cabral, Paulo Guerra, o próprio conceito de cidade inteligente precisa ser repensado.

“O conceito já nasceu ultrapassado. Hoje falamos de cidades humanas, sustentáveis e inteligentes, isso porque a inteligência é só a relação da cidade com os dados que o próprio município gera”, explica.

O especialista acrescenta que o planejamento baseado em dados é fundamental para tornar a gestão urbana mais eficiente.

“Eu preciso saber quantos carros passam em uma determinada via, porque essa informação é relevante para eu fazer todo o meu planejamento de trânsito. Eu vou lá e coloco um sensor naquela via, e aí esse sensor conta a quantidade de carros que passam. Isso a torna inteligente, porque agora ela consegue gerar dados que utiliza no processo de tomada de decisão. Isso não é suficiente. Eu posso ter uma cidade com milhões de sensores, gerando milhares de dados. Eu tenho um exemplo que eu gosto muito, que é o Centro de Operações do Rio de Janeiro, que custou milhões de reais. Eu pergunto: do início da operação do centro até agora, qual foi o impacto na violência no Rio?”, indaga.

Paulo Guerra, professor e diretor da Fundação Dom Cabral (FDC)

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

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