Trio que decidiu clássicos para o Atlético teve bom custo-benefício e atuação do CIGA
Renan Lodi, Victor Hugo e Fred marcaram gols nos jogos contra o Cruzeiro pelas quartas de final da Copa do Brasil

O Atlético encontrou no mercado boas oportunidades de custo-benefício para a temporada 2026. Duas delas chegaram à Cidade do Galo no início do ano: o lateral-esquerdo Renan Lodi e o meia Victor Hugo. A terceira desembarcou em agosto: o meio-campista Fred. Em comum, os três passaram pela análise do Centro de Inteligência do Galo (CIGA).
O trio teve participação direta na classificação atleticana sobre o rival Cruzeiro nas quartas de final da Copa do Brasil. Renan Lodi marcou o gol do empate por 1 a 1 no Mineirão. Na volta, Victor Hugo e Fred balançaram as redes na vitória de virada por 2 a 1 na Arena MRV.
Além do protagonismo dentro de campo, chama atenção o investimento necessário para contratar os três jogadores. Renan Lodi chegou sem custos de aquisição dos direitos econômicos, já que estava livre no mercado após rescindir contrato com o Al-Hilal, da Arábia Saudita.
Victor Hugo, por sua vez, vivia um momento de pouca evidência enquanto estava emprestado pelo Flamengo ao Santos. Para contratá-lo, o Galo investiu "apenas" 2 milhões de euros (R$ 11,8 milhões).
Fred custou 2,5 milhões de euros (R$ 14,8 milhões) para ser contratado junto ao Fenerbahçe, da Turquia. O desejo do meio-campista de 33 anos de defender o clube de infância foi determinante para viabilizar a transferência.
O impacto do camisa 7 foi imediato. Com menos de um mês de Atlético, Fred deu uma assistência e marcou o gol da vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro que colocou o Galo nas semifinais da Copa do Brasil. A classificação rendeu mais R$ 9 milhões em premiação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Ao todo, o Atlético já arrecadou R$ 18 milhões na competição. O montante pode aumentar consideravelmente: o clube receberá pelo menos R$ 34 milhões caso alcance a final e pode chegar a R$ 78 milhões em premiações se conquistar o título.
Com passagem pelo Manchester United, da Inglaterra, e duas Copas do Mundo disputadas pela Seleção Brasileira no currículo, Fred já é apontado por muitos como uma das principais contratações do futebol brasileiro em 2026. E o investimento feito pelo Atlético ajuda a dimensionar o custo-benefício da operação.
Algumas das transferências de maior impacto realizadas no Brasil nesta temporada custaram até 17 vezes mais que a contratação do meio-campista pelo Galo.
A título de comparação, o Flamengo pagou 42 milhões de euros (R$ 260 milhões) para contratar Lucas Paquetá junto ao West Ham, da Inglaterra. O Cruzeiro desembolsou 27 milhões de euros (R$ 169 milhões) por Gerson, do Zenit, da Rússia, enquanto o Palmeiras investiu 25 milhões de euros (R$ 155 milhões) em Jhon Arias, do Wolverhampton, da Inglaterra.
Inteligência por trás das contratações
Por trás dessas e das demais movimentações do Atlético no mercado está o Centro de Inteligência do Galo (CIGA), departamento que trabalha com evidências e dados para auxiliar a tomada de decisões operacionais do clube.
A atuação do CIGA vai além da compra e da venda de jogadores. O departamento também participa de processos relacionados ao desenvolvimento dos atletas e à estratégia de jogo.
Para isso, utiliza 12 softwares que abrangem dados de eventos, vídeos, relatórios de scout, ferramentas de análise e edição de vídeo, informações contratuais e consultoria de tática individual. O trabalho inclui ainda o acompanhamento de partidas de atletas emprestados e de jogadores de destaque das categorias de base, além da construção de relacionamentos no mercado.
No "Por Dentro do Galo", projeto institucional do Atlético criado para aproximar torcida, imprensa e sócios do funcionamento interno do clube, realizado em março de 2025, o gerente de Mercado do CIGA, Rodrigo Weber, detalhou como funciona o processo de mapeamento de jogadores.
"O mercado de jogadores é como se fosse um oceano, cada jogador é um peixe. Nosso oceano tem mais de 50 mil jogadores na base de dados. Todos esses jogadores a gente avalia através de vídeo e dados. A análise aprofundada é o segundo filtro, o que seria a nossa piscina", explicou Rodrigo Weber.
Nessa análise aprofundada, quatro aspectos são considerados:
- rendimento atual x projeção;
- comportamento tático específico;
- capacidade técnica;
- adaptação ao modelo de jogo.
Depois desse processo, o universo de jogadores é reduzido até chegar a uma lista restrita de potenciais reforços.
“O próximo filtro, que é o shortlist, seria uma banheira. Nesse processo, há a observação in loco, checagem de contexto, histórico de lesões (protocolo elaborado pelo nosso DM) e a viabilidade financeira. A última etapa da nossa participação na contratação é apresentar o projeto do Atlético para os jogadores”, afirmou Rodrigo Weber.
Dinheiro pesa, mas projeto também convence
A viabilidade financeira da operação — considerando tanto o valor dos direitos econômicos quanto os custos do contrato — é um dos filtros fundamentais utilizados pelo Atlético. O dinheiro, entretanto, não é o único fator levado em consideração.
O projeto esportivo apresentado pelo clube também pode ser decisivo para convencer um jogador a escolher o Atlético mesmo diante de propostas de outros times do Campeonato Brasileiro. Foi o caso, por exemplo, do zagueiro Lyanco.
Paulinho, que estava em fim de contrato, Gustavo Scarpa, que desejava retornar ao futebol brasileiro, e Rodrigo Battaglia, recomendado pelo treinador, são outros exemplos de jogadores que passaram pelo processo de análise do CIGA antes de serem contratados.
No elenco de 2026, há outros casos que ajudam a dimensionar a atuação do departamento. Kevin Castaño, que disputou a Copa do Mundo de 2026 pela Colômbia e estava na reserva do River Plate, da Argentina, foi contratado por empréstimo em agosto e rapidamente conquistou espaço. O colombiano já se tornou titular da equipe comandada pelo técnico Eduardo Domínguez.
Outro exemplo de destaque — e, nesse caso, diretamente ligado ao trabalho de prospecção do CIGA — é o volante Mamady Cissé. Natural de Conacri, na Guiné, o jovem de 19 anos chegou ao Atlético em 2025 como resultado do trabalho de observação do Centro de Inteligência.
Depois de se destacar nas categorias de base e ganhar 10 kg de massa magra durante seu processo de desenvolvimento no clube, Cissé passou a ser tratado como uma das joias do elenco profissional e já desperta o interesse de equipes europeias.
Todas as contratações realizadas pelo Atlético passam pela análise do CIGA. Isso não significa, porém, que os nomes sejam necessariamente identificados pelo departamento. Dirigentes e integrantes da comissão técnica também podem indicar jogadores, que posteriormente são submetidos aos filtros e às avaliações do Centro de Inteligência.
Rômulo Giacomin é repórter multimídia da Itatiaia. Formado pela UFOP, tem experiência como repórter de cidades da Região dos Inconfidentes, e, na cobertura esportiva, passou por Esporte News Mundo, Estado de Minas, Premier League Brasil e Trivela.



