Site aponta inconsistências em comissões e gastos do Atlético na gestão de Kalil
Documentos obtidos pelo Poder360 apontaram que nos mandatos de Kalil houve comissões acima de mercado pagas a empresários, gastos em viagens pessoais com recursos do clube e pagamentos de direitos de imagem fora do previsto na legislação

A gestão de Alexandre Kalil no Atlético, entre 2008 e 2014, foi alvo de reportagem do jornal digital Poder360 nesta quinta-feira (19). O artigo se baseou no relatório da consultoria Kroll, que apurou as contas do clube nas gestões anteriores ao presidente Sérgio Sette Câmara (2017-2020).
Os documentos apontaram que nos mandatos de Kalil houve comissões acima de mercado pagas a empresários, gastos em viagens pessoais com recursos do clube e pagamentos de direitos de imagem fora do previsto na legislação.
De acordo com o Poder360, o relatório da Kroll indicou o pagamento de comissões a intermediários acima do estabelecido em dois contratos. O montante pago a mais chegou a R$ 401.502.
Segundo a reportagem, a transferência do atacante Guilherme Gusmão do Dynamo de Kiev para o Atlético, em 17 de março de 2011, estabelecia o pagamento de intermediação à empresa FS Brito de R$ 1,24 milhão. No entanto, houve depósito por parte do clube de R$ 1,48 milhão, R$ 240 mil a mais do que o previsto no contrato.
O mesmo ocorreu nas comissões pagas sobre o salário de Ronaldinho Gaúcho na gestão de Kalil. Em contrato, a empresa Planet Invest deveria receber 10% dos vencimentos, o que correspondia a R$ 750 mil. Apesar disso, o depósito feito pela gestão de Alexandre Kalil foi de R$ 911.502,00. O valor a mais foi R$ 161.502,00, destacou a reportagem.
Mais comissões vultosas
Segundo a reportagem do Poder360, o relatório da Kroll ainda considerou exageradas comissões pagas pela gestão de Alexandre Kalil em cinco contratos. Os valores ficaram muito acima dos 10% de comissão convencionados à época em transferências.
- Diego Tardelli (transferência ao Anzhi, da Rússia, em 3 de março de 2011) – o clube pagou R$ 2.543.750,00 de comissão aos intermediadores Bertolucci Assessoria e Itajuí (15% do contrato);
- Ronaldinho Gaúcho (contratação em 17 de fevereiro de 2012) – o clube pagou R$ 1.366.502,00 de comissão à Planet Invest (36% do contrato);...
- André de Souza (contratação em 15 de julho de 2011) – o clube pagou R$ 1.457.333,30 aos intermediadores GT Sports, DIS Esportes e FS Brito (64% do contrato);
- Bernard (transferência ao Shakhtar, da Ucrânia, em 8 de agosto de 2013) – o clube pagou R$ 12.150.438,87 de comissão aos intermediadores Adriano Sports, Bertolucci Assessoria e BF Assessoria (21% da transação);
- Junior Cesar (contratação temporária em 23 de maio de 2012) – o clube pagou R$ 598.999,98 de comissão aos intermediadores Brazil Soccer e Tonietto Assessoria (16% do contrato)
Viagens pessoais custeadas pelo Atlético
Na reportagem, o Poder360 ainda lista, com base no relatório da Kroll, gastos pessoais de Alexandre Kalil e de seus familiares arcados pelo Atlético durante viagens internacionais.
O jornal digital cita quatro episódios em que os “gastos pessoais de Kalil e familiares que não teriam relação com as atividades como dirigente” do clube. O gasto da instituição foi de R$ 665.396,50.
- Passagens para 6 pessoas em Aruba (em 2 de abril de 2010) – totalizaram R$ 11.183,57;...
- Hospedagem para 6 pessoas em Aruba (em 2 de abril de 2010) – valores atingiram US$ 10.260,00 (equivalente a R$ 56.177,60 na cotação em 30 junho de 2020, considerada pelo relatório);...
- Passagens para duas pessoas para Réveillon em Dubai e no Líbano (registro de 21 de dezembro de 2010) – valores somaram R$ 41.246,32....
- Hospedagem para duas pessoas para Réveillon em Dubai e no Líbano (registro de 21 de dezembro de 2010) – quantia foi de US$ 29.910,00 (equivalente a R$ 163.769,21 na cotação do relatório)
Política
Alexandre Kalil foi prefeito de Belo Horizonte de janeiro de 2017 a março de 2022.
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