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Atlético: jornalista do Olé analisa trio argentino que virou 'dono da prancheta' no Galo

O jornalista Juan Pablo Méndez, do Diário Olé, foi convidado pela Itatiaia para destrinchar perfil e carreira dos técnicos argentinos

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O jornalista argentino fez um raio-x dos hermanos que ganharam contratos com o Atlético
O jornalista argentino fez um raio-x dos hermanos que ganharam contratos com o Atlético • Montagem com fotos de Bruno Cantini e Pedro Souza - Atlético

Iniciando mais uma temporada tendo como técnico um argentino, o Atlético aposta no trabalho de Eduardo Coudet, de 48 anos, para recolocar a equipe no caminho das vitórias e triunfar, assim como aconteceu em 2021, quando, sob comando do curitibano Cuca, chegou em dezembro com os canecos do Estadual, do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil, e deixando a Libertadores, nas semifinais, de forma invicta.

Em 2022, a aposta foi em Antonio Mohamed, El Turco, que assumiu a vaga deixada pelo multicampeão. Contudo, sua passagem foi encerrada no meio da temporada, com 45 partidas disputadas e dois títulos conquistados (Mineiro e Supercopa do Brasil), mas com um futebol que, mesmo com vitórias, não convencia parte de imprensa e torcida. Para se ter ideia, ele deixou a Cidade do Galo no G-4 da Série A. A eliminação na Copa do Brasil, para o Flamengo, foi a gota d´água para a demissão.

Porém, a 'febre argentina' no alvinegro iniciou em 2020, quando, numa reformulação imensa no departamento de futebol, principalmente com a queda para o modesto Afogados-PE, na Copa do Brasil, o diretor-executivo Alexandre Mattos assinou vínculo com Jorge Sampaoli. Devido à pandemia, o treinador precisou entrosar o novo grupo com a bola já rolando, e terminou a temporada - o Brasileirão foi até o início do ano seguinte - na terceira colocação. Com os mesmos 45 jogos de Turco, Sampaoli deixou o clube mineiro e se transferiu para o Olympique de Marselle, da França.

Para decifrar as diferenças do trio, a Itatiaia convidou o renomado jornalista argentino Juan Pablo Mendéz, do Diário Olé, para descrevê-los.

JORGE SAMPAOLI

"Jorge Sampaoli não foi um futebolista de sucesso, destacou-se como treinador pelo grande esforço e pela análise de tudo o que é o futebol. Por isso, no início, foi comparado a Marcelo Bielsa. Começou no Peru, passou pelo Equador e ganhou notoriedade no Chile. Seu esquema preferido costuma ser o 4-3-3, mas ele também já jogou no 3-4-3. As suas equipes são decididamente ofensivas, mas não costuma utilizar um ataque posicional, mas sim com movimentações em busca de espaço. Na Argentina, fica a lembrança do tremendo fracasso na Rússia 2018, onde teve desavenças com os jogadores de futebol e até com seu auxiliar de campo, Becaccece.

Justamente naquele torneio, a Argentina perdeu por 3 a 0 para a Croácia, naquele que é lembrado como o pior jogo de Messi na seleção. Além disso, os jogadores o obrigaram a mudar o sistema de jogo antes da partida contra a Nigéria e ele teve que aceitar a imposição. De qualquer forma, suas passagens por Santos, Atlético Mineiro e Olympique de Marselha foram a confirmação de sua capacidade de trabalho. Ele havia conquistado uma Copa América com o Chile e estava prestes a eliminar o Brasil na Copa do Mundo de 2014. E é preciso saber valorizar isso positivamente".

ANTONIO MOHAMED

"Antonio Mohamed é um treinador que já jogou com diferentes esquemas de jogo. Na Argentina, adotou uma linha de três zagueiros no Independiente, mas também quatro em outras equipes, como várias vezes no exterior, às vezes com dois meio-campistas e apenas um atacante. É um treinador que gosta de ataques diretos e que costuma atuar muito bem nas bolas paradas. O mais importante é que geralmente se adapta às características dos jogadores para definir seu sistema. Mas não aposta na pausa e sim na velocidade. Ele é bastante próximo do jogador, com um tratamento direto, com diálogo franco.

Ele era um jogador de futebol talentoso, intuitivo e inteligente. Isso geralmente é transferido para algumas de suas equipes. Quando jovem tinha uma personalidade transgressora, embora como treinador demonstre mais equilíbrio emocional. O que muitas vezes falta em algumas de suas equipes é solidez defensiva. Aconteceu com ele na Argentina com Huracán e Independiente".

Eduardo Coudet

"Eduardo Coudet tinha muita personalidade como jogador e essa emoção transparece como treinador. Sempre muito ativo, procura motivar permanentemente os jogadores. Sua aposta é na dinâmica e na velocidade. Embora seu esquema de base seja o 4-4-2, ele também pode usar um único pivô como referência atrás de três meio-campistas. No Racing, conquistou um campeonato histórico com uma equipe que, para além do talento, soube desequilibrar no momento certo, com força. Mais tarde, faltou-lhe personalidade para vencer alguns jogos importantes. O torcedor também lembra de duras derrotas contra o River. É avaliar muito os rivais, ainda que as características dos adversários não o façam mudar a sua vontade ofensiva".

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Henrique André é repórter multimídia e setorista do Atlético na Itatiaia. Acumula passagens por Uol Esporte, Jornal Hoje em Dia e outros veículos. Participou da cobertura de grandes eventos, como Copas do Mundo (2014-18), Olimpíada (2016-2021) e Mundial de Clubes (2025).

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