A marca de ‘O Time do Povo’ de Minas é uma batalha insana e improdutiva nas redes
Todo e qualquer clube de massa, com milhões de torcedores, é obrigatoriamente popular

“O quereres” é sem dúvida uma das obras mais marcantes de Caetano Veloso e ilustra bem o contraditório vivido nas redes sociais pelos torcedores de Atlético e Cruzeiro, alguns fundamentalistas, num antagonismo que em determinados momentos chega a ser divertido.
A batalha pelo título de “O Time do Povo” já dura mais de uma década e tudo que possa dar a um lado ou ao outro alguma “vantagem” nessa disputa, que pode ser definida como insana sem a menor dúvida, é arma nas mãos ávidas pela maioria entre os menos abastados.
Beira a ignorância pegar clubes de massa, com torcidas de milhões de torcedores, e querer dar a eles a marca de ser de pobre ou de rico. É uma bobagem tão grande, que não consigo imaginar como tem gente que perde tempo com isso.
Outra bobagem sem tamanho é comparar épocas. Não se pode ir aos anos 1920 para explicar os anos 2020. Uma década é tempo demais. Como voltar 50, 60, 70, 100 anos no tempo para definir o presente? A sociedade era totalmente diferente, os costumes, as relações.
Mas essa colocação tem como objetivo chegar a “O Quereres” do gênio Caetano Veloso. Isso porque esses mesmos torcedores que brigam pela condição de ser o seu clube “O Time do Povo”, cobram contratações, títulos, tentam impor que um ou outro é maior pelas taças conquistadas no passado, fruto de investimento, ou pelo patrimônio do presente, também fruto de investimento.
O futebol é cada vez mais negócio, caro, comercial. Seja onde for, depende de dinheiro. E ele vem dos torcedores. Logicamente, e nem precisa ser muito inteligente para isso, quanto mais gente de poder aquisitivo elevado consome o clube, maior sua possibilidade esportiva.
O evento jogo, por exemplo, é cada vez mais importante na receita dos times, assim como a venda de produtos oficiais. Para isso é necessário poder aquisitivo.
É um processo muito lógico, mas deixado de lado quando o torcedor que cobra reforços, times fortes, títulos, que dependem de dinheiro, deixa de lado, quando se perde na inútil briga para ser “O Time do Povo”.
E nesse “Quereres” futebolístico, “onde queres dinheiro, sou paixão” aparece como uma via de mão dupla, pois a impressão é de que a paixão vive também do dinheiro que ajuda a contratar craques, montar grandes times e ganhar títulos, o argumento principal na batalha das redes sociais, que abriga também a cômica briga para ser “O Time do Povo”.
Participe dos canais da Itatiaia Esporte:
Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro



