Ceará faz reunião com organizadas contra cantos homofóbicos no Castelão
Encontro nesta quinta, aberto ao público, terá presença do MP, das Polícias Civil e Militar e de membro de associação das organizadas; clube teme punição

A diretoria do Ceará vai promover um encontro, nesta quinta-feira (27), com o objetivo de orientar membros de suas torcidas organizadas para o fim de cantos homofóbicos entoados nos jogos na Arena Castelão quando se referem aos torcedores do principal rival, o Fortaleza.
O Ceará tem feito campanha de combate à homofobia, racismo e xenofobia no estádio, em dias de jogos, mas não tem surtido efeito. No último confronto no Castelão, dia 19 de julho, contra o Vila Nova, pela Série B, a cada vez que a música era cantada, um aviso no telão aparecia, seguido pelo recado no alto-falante, de que homofobia é crime e que está proibido cantos dessa natureza.
E toda vez que o recado aparecia, parte dos torcedores vaiava, e na sequência gritava ainda mais forte a letra homofóbica.
"Estaremos no clube juntamente com diretores, presidentes de torcidas organizadas e os alvinegros em geral para que possamos esclarecer diversos pontos e combater essas atitudes, que, infelizmente, se fazem presentes nos estádios. Não há mais espaço para isso no futebol, temos que combater estas práticas”, disse Alfredo Viana Filho, coordenador de departamento de torcidas organizadas do Ceará.
O evento estará aberto a qualquer pessoa interessada em acompanhar, a partir das 18h30 (de Brasília), no Ginásio do Vozão, na sede do clube, em Porangabuçu.
Estarão presentes, além de diretores do Ceará e de representantes das torcidas organizadas, Edivando Elias de França, coordenador do Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudetor), do Ministério Público do Ceará, Regis Alves, representante da Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg), além de membros das Polícias Civil e Militar.
Recentemente, o Corinthians foi punido pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) a atuar em uma partida com os portões fechados por causa de gritos homofóbicos de sua torcida em um confronto contra o São Paulo, em maio, pela Série A do Brasileiro. O clube recorreu, mas o Pleno do tribunal confirmou e a pena será cumprida em 30 de julho, contra o Vasco.
Regra ignorada
Há um protocolo da Fifa que em caso de cantos racistas, homofóbicos ou xenófobos proferidos pelos torcedores, o árbitro deve parar o jogo e seguir três passos: primeiro pedir que os insultos acabem, por meio do telão e alto-falante; segundo, se não parar, manter o jogo interrompido e liberar os jogadores para os vestiários e, em terceiro, suspender a partida definitivamente.
No Brasil esse protocolo, normalmente, é ignorado. Em partidas do Fortaleza, o rival do Ceará, torcedores também têm canto homofóbico, semelhante aos fãs do Vovô. No dia 19, a torcida do Vila Nova devolvia as músicas dos rivais na mesma moeda, ou seja, com letras preconceituosas.
"Não cabem mais esses gritos. Acredito que seja algo para chamar a atenção, mas a torcida do Ceará é inteligente, e pode chamar a atenção de outras maneiras. Ninguém é mais do que ninguém, cada um vive da maneira que quiser e uma postura como essa da torcida é uma afirmação de adolescente que não tem cabimento", disse o técnico do Ceará, Guto Ferreira.
O Ceará testará se as orientações darão ou não certo na sexta-feira (28), contra o Ituano, pela 20ª rodada da Série B. O jogo terá início às 19h (de Brasília), na Arena Castelão.
Formado em jornalismo pela PUC-Campinas em 2000, trabalhou como repórter e editor no Diário Lance, como repórter no GE.com, Jornal da Tarde (Estadão), Portal IG, como repórter e colunista (Painel FC) na Folha de S. Paulo e manteve uma coluna no portal UOL. Cobriu in loco três Copas do Mundo, quatro Copas América, uma Olimpíada, Pan-Americano, Copa das Confederações, Mundial de Clubes, Eliminatórias e finais de diversos campeonatos.
