Cinco estádios, história e muitas paixões: o futebol em Goiânia
Cidade respira futebol com Goiás, Atlético-GO e Vila Nova, os clubes mais tradicionais da capital

Goiânia pode não ser a primeira cidade que vem à mente quando o assunto é futebol. Ainda assim, a capital de Goiás reúne cinco estádios, três clubes tradicionais e uma relação intensa entre torcedores e seus times. A Itatiaia percorreu alguns dos principais palcos do futebol local e acompanhou de perto a paixão que move o torcedor goiano.
Vila Nova, Goiás e Atlético-GO formam a tríade mais tradicional do estado, mas é necessário lembrar do Goiânia Esporte Clube, hoje adormecido, que ostenta 14 títulos estaduais e muita história nos primórdios do futebol local. As pesquisas divergem sobre qual possui a maior torcida, mas o levantamento mais recente, do AtlasIntel, aponta uma leve vantagem para o Vila Nova em relação aos rivais.
É importante citar também que há muita penetração de clubes de outros estados na capital e, principalmente, no interior. Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras surgem entre os favoritos dos goianos e disputam espaço com o "trio de ferro".
Diferentemente de muitas cidades maiores, e até com mais destaque no cenário esportivo, Goiânia se destaca pela quantidade de estádios. São cinco ao todo, sendo três particulares e dois públicos, em que cada um conta com histórias marcantes ligadas aos clubes locais e, consequentemente, ao próprio futebol brasileiro.
Estádio Olímpico Pedro Ludovico Teixeira (Público)

O mais antigo estádio de Goiânia é o Estádio Olímpico Pedro Ludovico Teixeira. Nomeado em homenagem ao ex-governador de mesmo nome, foi inaugurado em 1941, em um terreno doado pelo Goiânia Esporte Clube.
O estádio foi projetado inicialmente para receber cerca de 10 mil torcedores. Atualmente, comporta aproximadamente 13 mil pessoas e é patrimônio do Governo do Estado de Goiás.
Em 2006, a antiga estrutura foi demolida para dar lugar a um projeto de modernização. As obras enfrentaram uma série de interrupções e só foram retomadas em 2013.
A reinauguração ocorreu em 2016. A primeira partida oficial após a reabertura foi disputada em 27 de setembro daquele ano, com empate em 1 a 1 entre Atlético Goianiense e Joinville, pela Série B do Campeonato Brasileiro.
Após a reforma, o Olímpico ganhou nova relevância no cenário esportivo. Em 2019, foi uma das sedes da Copa do Mundo FIFA Sub-17 de 2019, realizada no Brasil entre outubro e novembro.
Em 2021, também recebeu jogos da Copa América de 2021. O gramado foi palco de uma atuação marcante de Lionel Messi: em 4 de julho de 2021, a Argentina venceu o Equador por 3 a 0, com um gol e uma assistência do camisa 10.
Estádio Serra Dourada (Público)

Maior templo do futebol goiano, o Estádio Serra Dourada foi palco de páginas históricas dos três principais clubes da capital. Nomeado em referência a uma formação geológica localizada na antiga capital do estado, o estádio foi inaugurado em 9 de março de 1975.
A estrutura foi construída para inserir Goiânia na rota dos grandes eventos esportivos do país. Com capacidade que já superou os 70 mil torcedores em seus tempos áureos, o Gigante do Cerrado recebeu partidas de relevância nacional e internacional, incluindo jogos da Seleção Brasileira.
No século passado, uma “mística” envolveu Serra Dourada. Isso porque o gramado do estádio era do tamanho limite estabelecido pela Fifa. Dessa forma, os 110 metros de comprimento e 75 metros de largura causavam tremores em todos os visitantes que fossem à Goiânia. Além disso, o corte do gramado também era especial, sempre no limite da margem, para deixar o ambiente ainda mais hostil.
A fama ganhou força especialmente nas décadas de 1980 e 1990, quando clubes goianos tentavam explorar esse fator como vantagem competitiva. Contudo, isso acabou em 2016, quando o estádio se adequou aos padrões da Fifa.
Atualmente, a capacidade do estádio é de 50.049 lugares. Contudo, ele não é mais utilizado com a frequência de outrora. O jogo do Goiás contra o Cruzeiro, nesta quarta-feira (22), pela 5ª fase da Copa do Brasil, será o último do estádio antes da reforma para modernização. O Estádio Serra Dourada também pertence ao Governo do Estado de Goiás.
Estádio Antônio Accioly (Atlético Goianiense)

O Estádio Antônio Accioly fica localizado no tradicional bairro de Campinas, que é mais antigo que a própria capital e se destaca pelo intenso comércio. Inaugurado em 1947, é a casa do Atlético Goianiense e leva o nome de um dos maiores dirigentes da história do clube.
O Antônio Accioly ficou esquecido e se viu depreciado com o passar do tempo, em meio ao surgimento do Serra Dourada e a gestões ruins do clube. A demolição do estádio foi cogitada, mas não aconteceu.
Com o retorno do Atlético Goianiense ao cenário nacional nos anos 2000, o Accioly retomou protagonismo. O estádio foi reformado em 2017 e pôde voltar a receber jogos oficiais.
Em 2020, a casa do Dragão voltou a ser remodelada e foi expandida para poder voltar a receber jogos da Série A do Campeonato Brasileiro. Modernizado, simpático e com um gramado de excelência, o estádio hoje tem capacidade para receber 12 mil torcedores.
Um episódio curioso do Antônio Accioly aconteceu em 1997, quando o estádio recebeu show da ainda jovem cantora Shakira.
Onésio Brasileiro Alvarenga, o OBA (Vila Nova)

Acanhado, o Onésio Brasileiro Alvarenga é propriedade do Vila Nova e tem capacidade para receber até 10 mil torcedores. O estádio se torna um verdadeiro caldeirão para os adversários em jogos decisivos.
O OBA foi construído na década 1970, mas passou por reformar recentes e hoje também abriga outras estruturas do Vila Nova, como a loja oficial, a sede administrativa e uma escolinha de futebol. O estádio voltou a receber jogos oficiais em 2016.
A casa do Tigrão está localizada no Setor Leste Universitário, reduto de vilanovenses na capital goiana.
Estádio Hailé Pinheiro (Goiás)

A casa do Goiás é mais do que um estádio, trata-se de um verdadeiro complexo esportivo. A estrutura conta com concentração para atletas, ginásio, campos para escolinha de futebol, piscinas, quadra de areia e outras áreas.
O estádio foi inaugurado em 1995, em um amistoso entre o Esmeraldino e Kashima Antlers, do Japão. O espaço leva o nome de Hailé Pinheiro, histórico dirigente do clube, mas também é chamado de Serrinha.
Em um movimento parecido com Vila Nova e Atlético, o Goiás reformou e expandiu o estádio recentemente. O clube decidiu "deixar" o Serra Dourada e, desde 2021, manda seus jogos na Serrinha, que tem um dos melhores gramados do Brasil. A capacidade atual é de 14 mil torcedores.
O Estádio Hailé Pinheiro está localizado no Setor Bela Vista, em uma área nobre de Goiânia.
Igor Varejano é jornalista formado pela UFOP. Tem experiência em esportes e cidades no rádio e em portais. Colaborou com Agência Primaz, Jornal Geraes e Rádio Real. Atualmente é repórter do Itatiaia Esporte.
Lucas Barbosa é repórter do portal Itatiaia Esporte. Formado pela UFOP e natural de Raul Soares-MG, tem experiência em coberturas esportivas e jornalismo hiperlocal. Apaixonado pelo futebol brasileiro e suas histórias mais profundas, também já passou por veículos de rádio e televisão.




