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Entenda o processo que resultou na saída de Alexandre Mattos do Vasco

Diretor mineiro deixou o clube como pouco mais de três meses trabalho, após quebra de confiança com a direção

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A sala de imprensa lotada na Academia de Futebol não aguardava um grande jogador nesta quarta-feira.
Alexandre Mattos teve problemas desde sua chegada ao Vasco • Foto: Bruno Ulivieri/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo

A saída de Alexandre Mattos do cargo de diretor do Vasco pegou a torcida de surpresa, mas o processo de fritura do dirigente dentro do clube já é longo. Mesmo com apenas três meses de trabalho efetivo, Mattos se desgastou em São Januário. A Itatiaia apurou como foi o passo a passo.

O estopim da saída do dirigente foram prints de conversas com um jornalista vazado por Mattos, que gerou irritação na cúpula, já insatisfeita. Lúcio Barbosa, CEO do clube, foi quem optou pela demissão.

Processos por reforços

Entende-se, que o processo não foi lento. Diferentemente do que Mattos pregava. O próprio Paulo Bracks foi demitido em 24h e o Mattos de um dia para o outro. A falta de autonomia era outra grande reclamação.

O processo era simples. Mattos levava nomes sugeridos aos diretores 777 Partners e aguardava o parecer. Questões burocráticas atrapalhavam negócios, como foi o caso do atacante André Silva.

André foi indicado por Emiliano Díaz, mas a empresa norte-americana demorou para avalizar o negócio, pois ele seria um atleta com necessidade de compra. Naquela altura, o orçamento já estava esgotado.

Foram mais de 15 dias para aprovação chegar e, neste período, André já havia optado por defender o São Paulo. Mais um ponto que irritou Mattos e estremeceu ainda mais a relação com a 777.

Em todas as oportunidades que teve, como na apresentação de atletas, Mattos sempre aproveitou para alfinetar o processo da empresa para aprovar contratações.

David veio sem aprovação

Um dos atletas que chegou sem precisar passar pelo crivo da 777 Partners foi o atacante David. Como ele chegou do Internacional sem custos, com obrigação de compra em caso de metas, o nome foi aprovado apenas pela comissão técnica.

A negociação foi toda conduzida pelo diretor de futebol, juntamente com o empresário do jogador, que já tinha a liberação do Internacional para negociar com outros clubes.

A nova direção e a comissão técnica, inclusive, precisam definir o caminho que será dado para David, Afinal, se bater meta de jogos, o clube precisará comprá-lo. O contrato com o Inter é até o fim de 2025.

Muito grana e time pouco competitivo

Outra reclamação grande dentro de São Januário são os gastos excessivos de Alexandre Mattos. O dirigente, para muitos dentro do comitê de orçamento do Vasco e da 777, inflacionou o mercado com propostas.

Foram mais de R$ 120 milhões investidos em apenas três meses e o resultado esportivo ficou muito aquém da expectativa.

Apesar de bem avaliado por todos, o zagueiro João Victor é um caso que decepcionou na negociação. O dirigente acertou valores que podem atingir a casa dos R$ 42 milhões, e muitos acham que poderia haver mais barganha.

Ele ainda comprou Adson, junto ao Nantes-FRA, pelo mesmo valor que o jogador deixou o Brasil recentemente. Outra negociação, que mesmo aprovada, incomodou a cúpula da 777 Partners.

Relação com a comissão

A relação de Alexandre Mattos com a comissão técnica também não era das melhores. Não que fosse ruim, mas era considerada muito fria. Teve jogos em que o dirigente sequer viajou com a delegação.

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Jornalista esportivo desde 2006 e com passagens por Lance!, Extra e assessorias de marketing esportivo. É correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Tem pós-graduação em Jornalismo Esportivo e formação em Análise de Desempenho voltado para mercado.

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