Marcos Braz revela como episódio diante do Atlético determinou demissão no Flamengo
VP do Flamengo contou como agressão de auxiliar em Pedro foi um 'divisor de águas' em 2023

Vice-presidente de futebol do Flamengo, Marcos Braz relembrou agressão em jogo contra o Atlético que desencadeou na demissão de Jorge Sampaoli. Em entrevista nesta semana ao ‘Benja Me Mucho’, o dirigente afirmou que o soco dado por um membro da comissão técnica em Pedro foi um “divisor de águas” para o ano rubro-negro em 2023.
“Acho que teve um evento que foi um divisor de águas. O Flamengo tinha acho que 20 jogos, 18 jogos e uma derrota. Tinha feito um jogo contra o Grêmio muito bom. As coisas estavam dentro da normalidade. Vai em um Flamengo e Atlético, a gente consegue virar dentro de Minas e tem o episódio do soco no Pedro”, contou o VP.
O episódio aconteceu em julho de 2023. O Flamengo venceu o Atlético de virada por 2 a 1, no Independência, em jogo pelo Campeonato Brasileiro. Porém, diferentemente do esperado, o clima no vestiário não foi de festa. Já com o jogo finalizado, o auxiliar físico Pablo Fernández acertou soco no rosto do centroavante Pedro.
O caso foi parar em delegacia em Belo Horizonte, tendo em vista que o atacante prestou queixa contra o preparador. Dias depois do episódio, o Flamengo anunciou a demissão de Pablo Fernández. Já o técnico Jorge Sampaoli foi desligado do clube em setembro depois de uma sequência de resultados ruins.
Veja a versão de Marcos Braz sobre o caso
“Quem era a pessoa que deu o soco? O auxiliar principal da comissão técnica do Sampaoli. Eu não vi a cena. Eu estava tendo um problema com o pessoal da Federação, do lado de fora. Quando entrei no vestiário, achava que eram dois jogadores. Depois que fui entender. Os jogadores falaram: ‘Esse cara não pode continuar’. Eu falei: ‘Não pode continuar o que?’.
Lá é muito pequeno, o Independência. É um bom estádio, excelente, mas tinha uma sala de aquecimento não tão grande. E todos os jogadores estavam ali, junto com a comissão técnica. E (quando aconteceu) aquele episódio, o Flamengo começaria a afunilar para a Libertadores e para a Copa do Brasil. O Flamengo iria pegar o Olimpia. Tinha uma decisão: ou mandava todos embora, ou conseguia convencer o Sampoli que o ‘cara’ não dava mais.
No outro dia, eu vou para a casa do Sampaoli, e a gente conhece ele. ‘Esse não dá mais’. O filho dele (do auxiliar) trabalhava na comissão. Eu falei: ‘O garoto vai continuar’. Ajeitei com os jogadores: ‘O garoto vai continuar, porque não vai pagar pelo erro do pai. O rapaz é trabalhador, o primeiro a chegar aqui. Um bom profissional’. O cara que agrediu não.
Os jogadores entenderam minha decisão e foi um grau facilitador na minha conversa com o Sampaoli. Só que foi um divisor de águas. O Flamengo estava começando a dar uma engrenada boa no afunilamento das competições de mata-mata. Essa foi a tragédia desse ano. Agora, é um fato incontrolável, que não acontece, mas aconteceu.
“Você nunca gosta de um torcedor do Flamengo te xingando. Lógico que não gosto. Alias, vou jogar contra o Atlético e querem me matar. Não é por causa desse título agora, não. Sei lá (se tem relação com 1981). Eu sei que querem me matar. No Athletico-PR… Me xingam muito. No Palmeiras e Corinthians não tive problema. Lógico que xingam, mas não é tão raivoso. (Contra o Atlético), você sente que é raivoso”.
Jornalista pela PUC Minas, Pedro Leite é repórter do portal Itatiaia Esporte. Tem experiência na cobertura diária de portais, redes sociais e jornal impresso. Apaixonado por futebol, já passou pelo Superesportes.



