Participe do canal e receba as notícias do Flamengo no WhatsApp

Final da Libertadores: multicampeão pelo Flamengo é sincero sobre duelo com Palmeiras

Fio Maravilha arriscou um palpite sobre a decisão, em entrevista à Itatiaia

Fio Maravilha, multicampeão pelo Flamengo

Multicampeão pelo Flamengo, Fio Maravilha foi honesto ao avaliar a equipe comandada pelo técnico Filipe Luís, que além de disputar o título do Campeonato Brasileiro, está na final da Libertadores contra o Palmeiras.

Flamengo e Palmeiras decidem o título da Libertadores no dia 29, às 18h (horário de Brasília), Estádio Nacional do Peru, em Lima, capital peruana.

“Eu sou honesto. Não estou vendo o Flamengo que todo mundo fala. Todo jogo é um time diferente. Eu, até agora, não estou achando o Flamengo o grande time que todo mundo está falando”, iniciou Fio, em entrevista à Itatiaia.

Entretanto, o ex-jogador cravou que o Flamengo será o campeão. “Acredito que 2 a 1 ou 2 a 0 será o placar”.

Por fim, Fio Maravilha justificou a “corneta” ao time de Filipe Luís.

“Eu já ouvi tanta coisa, puxaram tanto a minha orelha, agora é a minha vez de falar e puxar a orelha também”, brincou.

Leia também

Fio Maravilha
Toda essa história nasceu em Conselheiro Pena, na região Vale do Rio Doce, há 80 anos. O mineiro João Batista de Salles é formado no Flamengo e vestiu a camisa rubro-negra de 1965 a 1973. Marcou 84 gols em 294 jogos. Um deles, anotado em 15 de janeiro de 1972, originou a música composta por Jorge Ben Jor, que se tornaria sucesso no Brasil inteiro.

Além disso, Fio conquistou nove títulos com o Flamengo:

  • Campeonato Carioca: 1965 e 1972
  • Campeonato Carioca de Aspirantes: 1970
  • Taça Guanabara: 1970, 1972 e 1973
  • Torneio do Povo: 1972
  • Torneio Internacional do Rio de Janeiro: 1970 e 1972

Fio foi o segundo de três irmãos a atuarem pelo Flamengo, todos eles atacantes. O mais novo, Michila, e o mais velho, Germano. A origem do apelido vem do fato das mães no interior chamarem os filhos de “fio”.

Em 1972, o Flamengo comandado por Zagallo disputou um amistoso contra o Benfica, de Portugal, no Maracanã. A equipe portuguesa, campeã nacional de forma invicta. O estádio estava cheio, mas Fio começara o jogo no banco de reservas. Quando o técnico o colocou em campo, o improvável aconteceu: ele marcou um gol espetacular, daqueles que ficam gravados na memória da torcida.

Fio recebeu a bola na entrada da área, driblou dois zagueiros, passou pelo goleiro e empurrou a bola para o gol.

“O Benfica era um time muito bom e, por sorte nossa, o ‘Rei de Portugal’, Eusébio, não jogou. Quando fiz o gol, ele falou ‘ele não deve fazer isso sempre não, porque não é possível, deve ser muito sortudo’. Não era um grande craque não, mas sortudo eu sempre fui”, relembra Fio Maravilha.

Entre os milhares de torcedores nas arquibancadas estava Jorge Ben, cantor e compositor carioca, grande fã de futebol e frequentador assíduo do Maracanã. Inspirado pela façanha daquele atacante que saíra do banco para salvar o jogo, Jorge compôs o samba “Fio Maravilha”. A canção transformou o jogador em personagem lendário: o herói improvável, o homem simples que, com um toque de genialidade, mudava o destino da partida. O refrão, entoado por torcedores e rádios de todo o país, dizia: “Foi um gol de anjo, um verdadeiro gol de placa, que a galera assim cantava: “Fio Maravilha, nós gostamos de você'.”

Depois de deixar o Flamengo, Fio passou por outros clubes brasileiros, mas sua carreira não atingiu novamente o brilho daquele momento. Mais tarde, ele se mudou para os Estados Unidos, onde trabalhou em algumas profissões comuns na cidade de São Francisco, Califórnia, onde vive até há 46 anos.

“A primeira delas foi muito engraçado, porque a pessoa que arranjou para mim, passou duas semanas com vergonha de falar o trabalho. Era lavar prato. Eu parei de jogar e trabalhei nove anos e meio lavando prato. Depois fui ajudante de cozinha em um restaurante. Fazia salada e servia drinks, além de por água nos copos. Depois fui para uma pizzaria. Fiquei 22 anos entregando pizzas, até aposentar”, relata Fio.

Atualmente, o ex-atleta curte a aposentadoria na “Terra do Tio Sam” e viaja para países da Europa.

“Eu tenho muitos amigos, mas todos moram muito distante. Eu moro no ‘coração’ de São Francisco, perto de estádios de baseball e basquete. Aqui é um lugar maravilhoso. Eu aproveito muito. Agora estou devagar, mas antes andava igual cachorro sem dono. Fui duas vezes à Itália, uma vez à Espanha e estou programando ir à Inglaterra qualquer hora dessas”, conclui.

Rômulo Giacomin é repórter multimídia da Itatiaia. Formado pela UFOP, tem experiência como repórter de cidades da Região dos Inconfidentes, e, na cobertura esportiva, passou por Esporte News Mundo, Estado de Minas, Premier League Brasil e Trivela.

Ouvindo...