CEO do Maracanã se pronuncia sobre investigação do Ministério Público
Irregularidade na venda de ingressos para jogos do Flamengo e do Flamengo são alvo de inquérito no Rio de Janeiro

Em entrevista realizada nesta sexta (11), no Rio de Janeiro, Fred Nantes, CEO do Maracanã, pronunciou-se de forma breve sobre a investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre irregularidades na venda de ingressos para jogos do Flamengo e do Fluminense no estádio.
"Sobre a investigação do MP, vamos responder como já respondemos não sei quantas vezes. Todas informações que pediram. Vamos responder dentro do prazo, nas vias oficiais, como sempre fizemos. Vejo uma coisa mais midiática do que qualquer outra coisa. Temos uma ótima colaboração com o Ministério Público, trabalhamos muito bem com eles vamos prestar todas informações como já prestamos várias outras vezes", afirmou Fred Nantes.
Fred Nantes concedeu entrevista a respeito das condições do gramado do Maracanã - que passará por reforma para a temporada de 2027. A assessoria orientou a imprensa a realizar apenas perguntas sobre o tema, mas o dirigente foi questionado sobre a investigação em curso e posicionou-se dessa forma.
A investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro
Em 26 de agosto, o Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAEDEST/MPRJ) instaurou inquérito civil para investigar a possível superlotação em alguns setores do Maracanã durante jogos do Flamengo e do Fluminense, como mandantes e sócios da empresa Fla-Flu Serviços S.A., que administra o estádio.
A portaria de instauração do inquérito civil destaca que, entre dezembro de 2025 e agosto deste ano, foram identificadas partidas com indícios de que o número de ingressos emitidos para determinados setores pode ter superado a capacidade dos locais.
Em ofícios encaminhados aos clubes, à Ferj e orgãos responsáveis pela segurança e venda de ingressos, o GAEDEST/MPRJ pede esclarecimentos sobre o número total de ingressos emitidos para as partidas analisadas, incluindo vendas, cortesias e gratuidades, discriminados por setor, assim como sobre o número de ingressos efetivamente utilizados, correspondente ao número de pessoas presentes no estádio, também discriminado por setor.
O MPRJ questiona se há justificativa técnica para as discrepâncias observadas entre o número de ingressos disponibilizados para cada setor e o acesso de um número de pessoas superior à capacidade de público dos respectivos setores em cada uma das partidas sob análise.
Possível desvio de R$ 1 milhão por mês
De acordo com as autoridades, a venda acima da capacidade do estádio e irregularidades nos borderôs das partidas apontam para um possível desvio de cerca de R$ 1 milhão por mês.
O valor foi publicado em reportagem do jornal "O Globo", que teve acesso aos detalhes da investigação do MPRJ. Em agosto, o órgão instaurou inquérito civil para investigar a superlotação do Maracanã e pediu esclarecimento aos clubes e demais partes envolvidas nas operações das partidas - veja mais abaixo.
Segundo "O Globo", há preocupação de que as planilhas utilizadas para planejar a segurança da operação dos jogos apresentem números subdimensionados de torcedores, o que resultaria em efetivo policial insuficiente no estádio.
A investigação do MPRJ indica que em 16 jogos desde dezembro de 2025 - 11 do Flamengo, quatro do Fluminense e o clássico que decidiu o Carioca de 2026 - foram colocados à venda ou vendidos ingressos acima das capacidades de setores, resultado em superlotação do estádio.
Chefe de reportagem e ex-correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, pela arquibancada e contra torcida única.



