Belo Horizonte
Itatiaia

Textor garante que disputa pelo controle da SAF do Botafogo foi encerrada: 'É passado'

Empresário norte-americano conversa com a imprensa após eliminação na Copa do Brasil, diante do Vasco nos pênaltis, no Nilton Santos

Por
Botafogo de John Textor sofre transferban da Fifa
John Textor, proprietário da SAF do Botafogo, no Estádio Nilton Santoa • Vítor Silva/Botafogo

Após a derrota nos pênaltis do Botafogo para o Vasco, nesta quinta (11) pela Copa do Brasil, John Textor atendeu a imprensa no Estádio Nilton Santos. Um dos assuntos abordados pelo empresário foi a disputa judicial pelo controle da SAF alvinegra. De acordo com o norte-americano, a "briga está encerrada".

"Sobre a Eagle, até as melhores famílias brigam. No futebol, quando brigamos, é público, mas a briga acabou. Estamos alinhados e indo adiante. Eagle é dona de 90% das ações deste clube, não o clube social. A Eagle é a dona. Adoramos o apoio da torcida e do clube social, mas a Eagle é a dona. Sou o sócio majoritário da Eagle. Isso era verdade há um ano, há uma semana e será na semana que vem. O foco na temporada é no futebol, e a organização está bem. Nossos padrões são maiores. Isso está acabado e nosso foco está em terminar a temporada da melhor forma possível", afirmou John Textor, antes de concluir sobre as ações judiciais.

A 'Família Eagle'

Em 2022, a Eagle Holding Football adquiriu 90% das ações da SAF do Botafogo, que passou a fazer parte da "Família Eagle". Outros clubes faziam parte da rede de clubes do grupo: Crystal Palace-ING, Molenbeek-BEL e Lyon-FRA.

A ideia de John Textor para o grupo era a criação de uma parceria colaborativa, desde troca de dados e processos até transferências de jogadores e adoção do "caixa único" dos clubes.

John Textor fundou a Eagle Football, mas cedeu 40% das ações da holding para levantar recursos para a compra do Lyon, dando como garantia as ações do Botafogo e do Molenbeek.

O afastamento de Textor do Lyon

A crise financeira do Lyon resultou no rebaixamento da equipe para a segunda divisão nacional, em junho de 2025, decretado pelo DNCG, órgão regulador financeiro do futebol francês.

Em novembro de 2024, a DNCG já havia impedido do Lyon de fazer contratações e alertado para o risco de rebaixamento se não houvesse melhoria no quadro financeiro.

Como parte da estratégia, John Textor foi afastado do comando do Lyon em 30 de junho.

Em 9 de julho, com Michele Kang - uma das investidoras para a compra do Lyon - na presidência e Michael Gerlinger como CEO, o clube reverteu a decisão e evitou o rebaixamento.

A transferência da SAF do Botafogo

John Textor transferiu os ativos e a SAF do Botafogo para uma nova empresa criada nas Ilhas Cayman. A operação incluiu a venda de uma dívida da Eagle com o Botafogo, o aumento do capital social, a emissões de novas ações e um empréstimo de 100 milhões de euros, com as receitas futuras do clube como garantia.

A decisão teve a aprovação do Conselho Administrativo da SAF do Botafogo, em reunião realizada em 17 de julho.

Eagle vê ação ilegal de John Textor

Para a Eagle Holding Football, a ação de John Textor é ilegal. A nova gestão do grupo vê a venda da SAF do Botafogo como um caminho viável, mas, entre as alegações, entende que há um conflito de interesses com o empresário sendo o "vendedor e o comprador" ao mesmo tempo. Há o temor de denúncias de fraude na operação.

A disputa chega na Justiça

Neste cenário, John Textor e a Eagle Holding Football levaram a disputa à Justiça. Em 31 de julho, uma decisão da Justiça do Rio de Janeiro "congelou as ações de Eagle na SAF do Botafogo", impedindo alteração societária que tire o empresário do controle do clube. É com base nesta decisão que John Textor segue no comando do Glorioso.

A Eagle, por sua vez, entrou com processo no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para impedir Textor de tomar decisões na gestão do Botafogo sem consultar a empresa além de suspender os efeitos das medidas aprovadas pelo Conselho Administrativo da SAF em 17 de julho, entre outras medidas. Confira os detalhes nesta reportagem.

'Botafogo financiou a Europa, não o contrário'

Em 27 de julho, Textor esteve no Nilton Santos e deu explicações sobre o afastamento do Lyon, a situação financeira do Botafogo e a possibilidade de perder o comando do Glorioso.

O empresário afirmou "não temer" perder o controle da SAF, uma vez que ainda é sócio majoritário da Eagle. Além disso, reforçou que o Botafogo financiou o Lyon nas últimas temporadas.

"Botafogo financia a Europa, e não o contrário. Somos uma organização auditada por empresas do maior calibre, fizemos tudo isso para entrar no IPO, não há debate. Não há problema financeiro. Estamos financiando a Europa. Quero separar o Botafogo da parte europeia (Lyon), mas isso é a com diretoria da Eagle”, afirmou John Textor.

Segundo documentos do Botafogo, as receitas com as transferências de Luiz Henrique, Igor Jesus e Jair, negociados na atual janela de transferências, foram teriam sido repassados ao Lyon a fim de melhorar a situação financeira do clube francês. Há também informações sobre a venda de Savarino ao Lyon, mas o atleta segue atuando no Alvinegro.

Em nota publicada na segunda-feira (4), o Botafogo confirmou o “fim do caixa único” (cash pooling) entre os clubes da Eagle e as dívidas do Lyon com o clube carioca.

A SAF do Botafogo também confirma a "necessidade de reembolso" por parte do Lyon por valores anteriormente emprestados. Segundo o clube carioca, o montante chega a R$ 410 milhões. A direção francesa contesta o valor.

Por

Chefe de reportagem e ex-correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, pela arquibancada e contra torcida única.

Acompanhe Esportes nas Redes Sociais