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Textor desabafa após derrota do Botafogo: 'Segurando essas palavras há semanas'

Proprietário da SAF do Botafogo, norte-americano questiona a CBF, diz que falta humildade à entidade, e detona critérios da arbitragem

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John Textor após a derrota do Botafogo diante do Palmeiras, no Nilton Santos
John Textor após a derrota do Botafogo diante do Palmeiras, no Nilton Santos • Matheus Dantas/Itatiaia

Presente no Nilton Santos na derrota do Botafogo para o Palmeiras, John Textor irritou-se com a arbitragem de Braulio da Silva Machado, avaliando a atuação do juiz como "um roubo" nas redes sociais. Uma hora depois, ainda na zona mista do estádio, o norte-americano fez um longo desabafo. Os alvos do proprietário da SAF alvinegra foram a falta de critério da arbitragem e a arrogância da CBF.

"Essa é uma palavra interessante (corrupção). Quero ser claro. Pessoas com mente corruptas não significa que aceitam dinheiro. Não estou dizendo isso. É uma arrogância que diz: "Não precisamos mudar. Somos a CBF. Temos o poder e não precisamos mudar", afirmou John Textor aos jornalistas.

"Eles (CBF) precisam melhorar. A única forma de termos uma voz é se ganharmos esse campeonato e falarmos de cima. Se não vencermos, vai parecer que estamos reclamando. Óbvio que estou chateado (pelo resultado), mas dei uma entrevista antes do jogo. Eu segurando essas palavras há semanas, mas continua se repetindo, jogo atrás de jogo", disse ao longo de um depoimento de cerca de sete minutos.

Confira abaixo, na íntegra, o que John Textor disse na zona mista do Estádio Nilton Santos:

Qual a posição do Botafogo em relação à arbitragem?

JT: "No jogo contra o Flamengo, eles falaram sobre o segundo gol, se foi falta ou não no Tchê Tchê. Mas e o primeiro gol? O VAR precisa ver que o Bruno Henrique, que parte para a bola, e os defensores fazem tudo o possível para defender um homem em posição de impedimento. O VAR deveria anular o gol porque a linha mostra o impedimento na hora do cruzamento do Wesley.

No jogo do Vasco, teve um gol anulado no qual a linha foi traçada no ombro, e não no pé. O gol não deveria ser anulado.

A lógica do gol anulado do Diego Costa, contra o Atlético, foi por ele ter voltado do impedimento em cruzamento que passou por ele e o zagueiro estava defendendo o Janderson.

Não teve nada que o Diego fez que influenciou o zagueiro. Ele volta para a posição regular. O que eles dizem? Ele influenciou o passe? É exatamente a lógica inversa do gol do Bruno Henrique de uma semana antes, quando Marlon estava claramente tentando alcançar um jogador em impedimento.

Quando, exatamente, Diego (Costa) poderia a participar do jogo? Ele fez o que devia ser feito. Tudo isso poderiam ser erros humanos, mas o que a CBF faz é dar uma sequência de explicações, com pessoas citando novas regras, as citando individualmente, e não olhando para o contexto e a incrível inconsistência lógica.

Contra o Flamengo, o problema foi a agilidade que o Raphael Claus está falando "Vamos! Vamos!". Sem tempo para VAR. Hoje tivemos nove minutos de acréscimos. O futebol brasileiro é conhecido pelas quedas e pelo patético gerenciamento dos acréscimos, mas não tem tempo para revisar 20 segundos um lance de gol?

Claus, eu o perguntaria: o que você tinha a fazer naquela noite? Precisava ir para casa? É uma jogada de gol, você precisa dar tempo para o VAR, mas não, ele estava apitando e dizendo: "Vamos! Vamos!"

No jogo contra o Cuiabá, a mesma coisa. Uma jogada muito difícil (no gol de Isidro Pitta), fácil de errar. Porque o árbitro está com pressa? Não digo que ele mudaria de decisão. É uma jogada muito difícil, mas porque a pressa? Tivemos esses momentos em todos jogos nos últimos seis, sete jogos.

Sei que não somos os únicos que sofremos. O Palmeiras, contra o Bahia, teve uma falta no Endrick, bate com a bola na mão, e sai o gol. Foi falta? Bola na mão? Gol? Não somos os únicos chateados.

A falta de treino, de pagamento, e a falta de humildade da CBF. A arrogância da CBF. Estão sempre certos. Não precisam melhorar. O primeiro passo para consertar algo é saber que está errado. Vamos ser humildes.

Hoje, o Adryelson acerta primeiro a bola. Parece uma jogada limpa. A falta aconteceu? Certamente não para vermelho. O jogador estava tão aberto. Olharam se era o último homem. Foi um grande jogo destruído pela arbitragem. Foi um jogaço, uma final. O grande Palmeiras contra o Botafogo ressurgindo. Olha o que fizeram. Destruíram."

Em suas redes sociais, você falou em corrupção...

JT: "Essa é uma palavra interessante (corrupção). Quero ser claro. Pessoas com mente corruptas não significa que aceitam dinheiro. Não estou dizendo isso. É uma arrogância que diz: 'Não precisamos mudar. Somos a CBF. Temos o poder e não precisamos mudar.'

Eles precisam melhorar. A única forma de termos uma voz é se ganharmos esse campeonato e falarmos de cima. Se não vencermos, vai parecer que estamos reclamando. Óbvio que estou chateado, mas dei uma entrevista antes do jogo. Eu segurando essas palavras há semanas, mas continua se repetindo, jogo atrás de jogo."

O que você fará a partir disso?

JT: "Individualmente, somos impotentes. Ednaldo (Rodrigues, presidente da CBF) não fará nada, não irá renunciar. Os presidentes das federações farão o que quiserem. Wilson (Seneme, chefe de arbitragem) vai entrar em ação e defender a si mesmo e suas regras. Todos nós vimos o grande jogo que foi destruído hoje."

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Jornalista e correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, pela arquibancada e contra torcida única.

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