Psicólogo do Botafogo detalha trabalho e destaca 'maestro' e 'cérebro' da equipe
Paulo Ribeiro faz parte do departamento de futebol do Glorioso desde 2019 e tem trabalho bem avaliado pela SAF

A "força mental" e o "aspecto emocional" foram assuntos recorrentes ao longo de 2024, mas o Botafogo acabou com as dúvidas em torno da capacidade da equipe ao conquistar os títulos da Libertadores e do Campeonato Brasileiro. Paulo Ribeiro, psicólogo do elenco profissional do Glorioso, detalhou o trabalho feito, destacando dois personagens: Artur Jorge e Marlon Freitas.
O treinador e o capitão do Botafogo foram determinantes para conduzir a equipe ao longo da temporada. Artur Jorge, que chegou ao clube em abril de 2024, foi avaliado como "maestro", enquanto Marlon Freitas, um dos principais alvos de críticas pela derrocada do time em 2023, foi deinifido como "o cérebro" e "atleta mais resiliente" que o profissional trabalhou em sua carreira.
"A gente tem, vamos dizer, 35 cabeças só de jogadores dentro de um grupo, só de jogadores. Então são 35 pessoas que vieram de lugares diferentes, de modos de criação de vida diferente, de culturas diferentes, com ideias diferentes e fazer isso tudo conversar, tem que ter um maestro para isso aí, um ou mais", iniciou Paulo Ribeiro em resposta ao portal "PressFut".
Confira, abaixo, outras respostas do psicólogo Paulo Ribeiro, do Botafogo, ao portal "PressFut':
Integração do trabalho de psicologia ao departamento de futebol do Botafogo
"Hoje é impensável você construir performance se você não tem uma integração nesse departamento de saúde. Antigamente, algum tempo atrás, eu já estou nisso tem 35 anos, você tinha o departamento médico, onde o médico definia tudo que ia ser feito, e depois você ficava sabendo as coisas que iam acontecendo. Hoje não. Hoje, eu respondo pelo Botafogo, claro, a gente tem todos os dias reunião pré-treino e reunião pós-treino.
A gente está monitorando constantemente o que tá acontecendo com o atleta e as áreas estão trocando as informações. Quando, por exemplo, vou exemplificar aqui. O fisiologista nota que tá num nível de cortisol mais alto numa pesquisa, que ele tenha feito de sangue, e ele chega pra mim: “Paulo, vai lá e dá uma olhada e vê o que pode estar acontecendo. Vamos dar uma pesquisada nisso”. A gente tem hoje, nessas reuniões pré e pós-treino, um questionário de bem-estar, que tem vários itens nesse questionário. E dentro do que compete a psicologia, você tem lá o nível de sono, o nível de estresse.
Isso a gente chama de contágio emocional, que na realidade foi até minha tese de doutorado: contágio emocional em equipes de esportes coletivos. Então esse contágio emocional, ele vai meio que pegando cada pessoa e vai replicando para as outras pessoas. Então, cada vez que eu tenho mais confiança naquilo que eu estou observando, naquilo que eu estou torcendo, vai crescendo a minha expectativa. E quanto maior a expectativa, maior tem que ser o resultado.
Então, naturalmente, eu acredito que os atletas, juntamente com o staff do futebol, com o corporativo do clube, com hoje, com toda a profissionalização que tem o Botafogo, contribuiu para mudar essa mentalidade. Esse sempre foi o objetivo que eu persegui. Eu acho que hoje a gente já consegue ter um caminho um pouco melhor nessa relação entre torcedor e time, torcedor e Botafogo."
Chefe de reportagem e ex-correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, pela arquibancada e contra torcida única.



