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Justiça tira Eagle do controle do Botafogo, e Durcésio segue no comando do clube

Clube social, dono de 10% das ações da SAF, apresentará a entrada de um novo investidor para possível votação

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Durcésio Mello, gestor interino da SAF do Botafogo
Durcésio Mello, gestor interino da SAF do Botafogo • X / Botafogo

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro derrubou os poderes políticos da Eagle Bidco nas ações societárias do  Botafogo, nesta terça-feira (28). Na decisão, o Poder Judiciário reconheceu o fato da instabilidade recente na gestão do clube, agravada por atos da empresa acionista, comprometeu a governança da SAF.

Portanto, o Juízo determinou a suspensão dos direitos políticos da Eagle, além da nomeação de Durcésio Andrade Mello, ex-presidente do clube social, como gestor interino da SAF. Ele terá um prazo de dez dias para convocar uma Assembleia Geral para votação de sua permanência na função.

O clube social, dono de 10% das ações da SAF, apresentará a entrada de um novo investidor para possível votação.

A SAF do Botafogo comemorou a decisão da Justiça por meio de um comunicado oficial. Para o clube, se trata de um "passo fundamental para conter iniciativas que vinham gerando insegurança jurídica e operacional".

Acionista majoritário da Eagle, John Textor está afastado do comando da SAF desde a última quinta-feira (23) por decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas. Ainda assim, ele acompanhou o empate do Botafogo com o Internacional no Mané Garrincha, em Brasília, no meio da torcida, no último sábado (25).

O Tribunal justificou a decisão devido medidas adotadas pela gestão de John Textor com o "poder de causar danos irreparáveis aos acionistas e à comunidade de torcedores do Botafogo", como o pedido de recuperação judicial protocolado pela SAF na última quarta-feira (22).

Veja a nota do Botafogo na íntegra

"A SAF Botafogo informa que o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro proferiu decisão concedendo medidas urgentes para assegurar a continuidade de suas atividades e a estabilidade de sua gestão, diante do grave cenário financeiro e institucional enfrentado pela companhia.

Na decisão, o Poder Judiciário reconheceu que a instabilidade recente, agravada por atos do acionista controlador, Eagle Football Holdings Bidco Limited, vinha comprometendo a governança da SAF e dificultando a implementação de medidas essenciais para a preservação da empresa.

Diante desse contexto, o Juízo determinou a suspensão dos direitos políticos da Eagle, impedindo sua interferência em deliberações societárias, bem como a nomeação de Durcésio Andrade Mello como gestor interino, com a missão de restabelecer a normalidade administrativa, garantir a continuidade das operações e viabilizar soluções imediatas para o reequilíbrio financeiro da companhia.

A decisão representa um passo fundamental para conter iniciativas que vinham gerando insegurança jurídica e operacional, inclusive com impactos diretos na capacidade da SAF de atrair investimentos, concluir negociações estratégicas e honrar compromissos essenciais, como o pagamento de atletas, funcionários e prestadores de serviços.

A SAF Botafogo reitera que permanece em plena atividade, disputando todas as competições e conduzindo normalmente suas operações, agora sob um ambiente de maior estabilidade e segurança institucional. A companhia ressalta, ainda, que o procedimento arbitral em curso seguirá seu trâmite próprio, mas reafirma sua confiança de que os fatos ali discutidos serão devidamente esclarecidos à luz da legalidade e da boa-fé.

Por fim, a SAF Botafogo reafirma seu compromisso com a transparência, a responsabilidade na gestão e a preservação de seu projeto esportivo, sempre em respeito à sua torcida, parceiros e à história do Botafogo."

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Rômulo Giacomin é repórter multimídia da Itatiaia. Formado pela UFOP, tem experiência como repórter de cidades da Região dos Inconfidentes, e, na cobertura esportiva, passou por Esporte News Mundo, Estado de Minas, Premier League Brasil e Trivela.