Itatiaia

Jornal revela valores de vendas de estrelas do Botafogo e repasses ao Lyon

Os clubes pertencem a Eagle Holding, grupo de John Textor, e vivem situações financeiras delicadas

Por, Rio de Janeiro (RJ)
Botafogo de John Textor sofre transferban da Fifa
John Textor é o proprietário da SAF do Botafogo desde 2022 • Vítor Silva/Botafogo

O jornal "O Globo" publicou, nesta sexta (20), reportagem que detalha as operações financeiras entre Botafogo e Lyon envolvendo a antecipação de recursos das vendas de aletas como Luiz Henrique, Almada, Savarino, Igor Jesus e Jair. Os clubes, atualmente, disputam judicialmente parte dos valores.

Botafogo e Lyon fazem parte da Eagle, rede multiclubes formado por John Textor. Neste cenário, a gestão trabalhava com a ideia de "caixa único". As operações financeiras funcionava da seguinte forma: o Alvinegro vendia direitos econômicos ao Lyon, antecipava o recebimento de recursos com instituições financeiras e repassava parte dos valores ao clube francês, que virava responsável pelas dívidas.

Segundo documentos obtidos pelo "O Globo", as movimentações dos jogadores citados alcançaram 119 milhões de euros (cerca de R$ 720 milhões), dos quais 100,7 milhões de euros (R$ 609 milhões) chegaram ao Botafogo, dos quais 76 milhões de euros (R$ 460 milhões) foram direcionados ao Lyon.

À reportagem, John Textor defendeu o modelo, destacando a performance esportiva alcançada pelo Botafogo, com os títulos da Libertadores e do Brasileirão e a indicação à "equipe do ano" em 2025.

"Mantenho minha confiança na nossa estratégia de negócios multiclubes, que permitiu ao Botafogo se tornar campeão do Brasil, da América do Sul e indicado à Bola de Ouro. Sem essas transações, nada disso teria sido possível", afirmou o empresário.

O modelo de "caixa único" e as contas apresentadas pelo Lyon não foram aceitas pelo órgão de controle financeiro da Ligue One. O Lyon chegou a ter o rebaixamento para a segunda divisão decretada pelas questões financeiras. O quadro foi revertido após afastamento de Textor do controle do clube francês.

A crise financeira atingiu o Botafogo na sequência. A equipe carioca está em dívida em transferências feitas nos últimos anos, como as de Thiago Almada e Artur. O clube ficou em transfer ban, impedido de registrar jogadores entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, e está em risco de voltar à lista da Fifa.

Desde o "fim do caixa único", Botafogo e Lyon disputam judicialmente os valores das transferências. Em carta publicada em janeiro, John Textor acusou Michelle Kang, apontada pelo empresário para o substituir na presidência do Lyon, de impedir o pagamento de 104 milhões de euros ao clube carioca.

PorJornalista e correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, pela arquibancada e contra torcida única.