Itatiaia

Botafogo se posiciona sobre situação financeira da SAF e estima dívida

Glorioso contestou informações publicadas pelo jornal "O Globo" e defendeu as ações de John Textor

Por, Rio de Janeiro (RJ)
Botafogo de John Textor sofre transferban da Fifa
John Textor é o proprietário da SAF do Botafogo desde 2022 • Vítor Silva/Botafogo

Em nota publicada nesta terça (24), o Botafogo posicionou-se a respeito do cenário financeiro vivido pela SAF. O clube contestou informações publicadas recentemente sobre as operações financeiras realizadas na gestão de John Textor e estimou que a atual dívida gira em torno de R$ 1,5 bilhão.

Na publicação, o clube volta a afirmar que irá buscar na Justiça o "ressarcimento dos valores que lhe são devidos" pelo Lyon - equipe francesa que faz parte da Eagle e da qual John Textor foi afastado.

Com a crise financeira e institucional da SAF, cujo controle está em disputa judicial entre John Textor e Eagle, uma nova punição da Fifa é tratada como "questão de tempo" internamente desde que o clube entrou em acordo com o Atlanta United-EUA pela dívida referente à compra de Almada, em 2024.

O clube ficou impedido de registrar novos jogadores entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, o que impediu a chegada de reforços e atrapalhou o trabalho de Martín Anselmi nesta temporada. O técnico argentino não resistiu ao início ruim de trabalho e foi demitido pelo clube no último domingo (22).

O modelo de "caixa único" e as contas apresentadas pelo Lyon não foram aceitas pelo órgão de controle financeiro da Ligue One. O Lyon chegou a ter o rebaixamento para a segunda divisão decretada pelas questões financeiras. O quadro foi revertido após afastamento de Textor do controle do clube francês.

Veja a nota publicada pelo Botafogo:

No dia a dia da SAF Botafogo como empresa, e dadas as questões de confidencialidade envolvidas, é impossível responder a todas as notícias que surgem. Mas chama a atenção a forma como parte da imprensa tradicional está veiculando em grande volume informações incorretas que necessitam de imediata reparação. É um exercício nada complexo saber quem é a fonte da desinformação e os seus reais interesses. Tais ataques prejudicam diretamente o Botafogo, sua reputação global e os projetos esportivos e corporativos.

Consideramos importante responder a cada uma dessas notícias. Seguem abaixo:

1) 24 de março de 2026
"John Textor repassou R$ 110 milhões de aporte obrigatório para compra da SAF do Botafogo ao Lyon". Especialistas independentes avaliam se operação pode ter resultado em quebra do acordo de acionistas.

- A fonte do Jornal O Globo registrou o envio de R$ 110 milhões do Botafogo ao Lyon, mas foi leviana ao não informar que, entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, o Lyon transferiu mais de R$ 233,7 milhões (€38 milhões) ao Botafogo.
- A reportagem preferiu fazer valer a informação da "fonte" - sempre oculta, anônima, nunca revelada. Mesmo ciente de que houve novos aportes, a informação foi ignorada. Fica clara a intenção de passar a imagem de que havia "algo suspeito".
- Quanto à afirmação de que "a SAF pode não ter cumprido o Acordo de Acionistas": o Acordo prevê aporte de 400 milhões de reais, orçamento mínimo anual do futebol de 100 milhões e orçamento geral mínimo de 200 milhões. A contribuição total exigida foi depositada antecipadamente, desde maio de 2024, quase um ano antes do prazo previsto.
→ Em 2025, o orçamento anual geral cumpriu mais de 5 vezes a meta mínima, e o do futebol, mais de 3 vezes.
→ Grandes investimentos em ativos fizeram o valor do elenco (valuation) saltar para cerca de 750 milhões de reais, estimam os sites especializados mais conservadores. A SAF foi muito além e apresentou investimentos significativamente superiores em todos os quesitos.
- Não custa lembrar a reportagem de fevereiro de 2021, que relatava que o Botafogo não tinha sequer bolas para treinar, segundo um ex-dirigente. Hoje, a SAF possui uma das melhores infraestruturas de treinamento, jogo e corporativa do Brasil.

2) 23 de março de 2026
"Textor deu poderes a si para representar 'isoladamente' SAF do Botafogo em empréstimo"

- Uma ata pública de poucas páginas, registrada e divulgada entre os poderes do clube, foi tirada de contexto com o único intuito de causar desinformação.
- Textor não deu poderes para si mesmo. É uma questão natural: o antigo CEO, Thairo Arruda, renunciou ao cargo. Como os dois eram os únicos diretores estatutários, é natural que Textor permanecesse como o único tomador de decisão.
- "Textor elegeu a aplicação da lei suíça para toda receita relacionada com transferências de atletas da equipe profissional do Botafogo", diz a reportagem.
→ A escolha da Suíça é natural e foi uma exigência do novo credor: é onde está sediada a FIFA, entidade máxima do futebol, e onde disputas relacionadas ao futebol são resolvidas.
- "Foi concedida uma procuração à credora (GDA Luma) para praticar todos os atos em nome da SAF", diz a reportagem.
→ Isso não procede. O que ocorreu foi o reconhecimento das garantias à credora caso o empréstimo não fosse pago - uma "procuração com finalidade específica" é uma prática padrão em qualquer transação bancária dessa natureza.
- "Dívida estimada em R$ 3 bilhões" → esse montante não procede. Em 2021, a receita do Clube Social, antes da SAF, era de 118 milhões para uma dívida de 1,2 bilhão (relação de 1 para 10, absolutamente crítica).
→ A SAF, por sua vez, está em um patamar de endividamento mais saudável, atualmente em 1-2 vezes a sua receita.
→ O valor atual da dívida está sendo calculado e será publicado na próxima edição do balanço, mas seguramente é cerca de metade do montante informado.
→ A maior parte da "dívida" são pagamentos a vencer de investimentos realizados na contratação de ativos (jogadores), que ainda vão render frutos no futuro.
→ A dívida relacionada aos jogadores é muito diferente da dívida herdada do Clube Social e deve ser comparada ao valor atual do elenco. Em 2022, o Clube Social entregou à SAF um elenco sem valor econômico significativo. Hoje, o elenco e os jogadores da base do Botafogo valem mais de R$ 1,2 bilhão.
→ O passivo herdado do Clube Social foi reduzido pela SAF em R$ 600 milhões.
→ O Acordo de Acionistas estabelece limitação no nível de endividamento. A SAF está dentro dos parâmetros exigidos e sempre apresentou tais resultados aos acionistas (Eagle e Clube Social), sem questionamentos sobre este limite.

3) 20 de março de 2026
"As operações entre Botafogo e Lyon envolvendo Luiz Henrique, Almada e cia. que revelam o 'modo Textor' nas finanças"

- Apesar do que sugere a reportagem, nas relações de compartilhamento de fluxo de caixa, a SAF Botafogo, o OL e o RWDM jamais cometeram qualquer irregularidade.
- Trata-se de mais uma reportagem com informações internas vazadas com o intuito de gerar confusão e desinformação.
- Em diversas entrevistas, Textor já abordou o tema e explicou os benefícios do fluxo de caixa compartilhado, assim como tornou público o valor que a SAF Botafogo aguarda receber do OL.
- O Botafogo já acionou a Eagle e vai acionar o OL na Justiça para ressarcimento dos valores que lhe são devidos.
- Luiz Henrique, Thiago Almada, Igor Jesus e outros atletas foram recrutados unicamente por este 'Modelo Textor' e agora temos campeonatos para comprovar isso. Este modelo funciona.
- Os problemas financeiros atuais não foram causados ​​por este modelo de negócios único. Eles foram causados ​​pela interrupção intencional deste modelo.
- O Botafogo iniciará em breve um processo judicial contra o OL e os indivíduos que interromperam o modelo de negócios da Eagle para recuperar os valores devidos.

Completamos, neste mês de março, 4 anos de SAF. Muitas situações não ocorreram como planejávamos, outras foram ainda melhor do que a gente poderia imaginar. Sabemos da nossa responsabilidade e seguiremos trabalhando por um Botafogo protagonista, com o sentimento de que precisamos de um Clube unido para que tudo isso reflita em um futebol forte e campeão.

Por

Jornalista e correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, pela arquibancada e contra torcida única.