Itatiaia

Edinho, filho de Pelé, revela por que virou goleiro e referência em esportes americanos

Edinho contou em entrevista ao CNN Esportes S/A como a sua experiência nos Estados Unidos e a percepção do futebol como esporte 'para meninas' o levaram a se tornar goleiro

Por
Edinho em participação no CNN Esportes S/A
Edinho em participação no CNN Esportes S/A • CNN Brasil

Edinho, ex-goleiro e filho de Pelé, revelou neste domingo (26) ao CNN Esportes S/A a curiosa história por trás de sua decisão de jogar no gol, posição oposta à de seu pai, o Rei do Futebol.

Mas, para entender o ponto-chave da escolha, é preciso voltar à infância de Edinho. Com quatro anos, o ex-jogador foi morar nos Estados Unidos, quando Pelé foi jogar no Cosmos. Com isso, o filho do Rei viveu no país até quase o fim da adolescência.

“O esporte é uma ferramenta que anda em paralelo com a educação lá (nos Estados Unidos). Então, nos colégios eu tive a oportunidade de praticar praticamente todos os esportes tradicionais lá dos Estados Unidos, até alguns não tão tradicionais, como o lacrosse e o hóquei no gelo”, começou a contar.

“Essa minha experiência eclética no esporte primeiro desenvolveu a paixão pelo esporte de um modo geral, sem nenhum preconceito. Também me desenvolveu como atleta de uma forma muito diversificada. Minha primeira paixão no esporte foi o basquete, dividido com o beisebol”, contou.

Edinho destacou que tinha muito mais habilidade, facilidade, coordenação e ferramentas técnicas com as mãos. Mas ainda sem nenhuma experiência no futebol de base.

Apesar de afirmar não ter preconceito com nenhum esporte, Edinho fez uma importante ponderação: ao contrário do Brasil, na cultura americana dos anos 70 e 80, o futebol era visto como esporte “para meninas”.

Principalmente pelas características de maior contato físico, e até mais violentas, de esportes populares nos EUA, muitos pais optavam por colocar as filhas para praticar futebol, ou “soccer”, para os americanos. Isso fez com que, por décadas, o esporte fosse considerado um esporte de mulheres.

“Eu cheguei no Brasil com essa mentalidade de americano para o futebol”, admitiu Edinho.

Foi em um período de férias no meio do ano, o qual Edinho aproveitou para passar com a família em Santos, no litoral paulista, que a história com o futebol começou. Quando passava o período no país, Pelé sugeriu a Edinho que fosse até a Vila Belmiro, para conhecer o estádio e treinar com a equipe juvenil.

“Eu nunca tinha ido na Vila Belmiro, imagina, com 16 anos”, revelou.

Edinho relatou que ficou com vergonha de treinar no Santos a princípio, pela relação com o pai. Mas o próprio Pelé ofereceu a solução: ir acompanhado do tio Davi, marido de sua irmã Lúcia, que também havia sido jogador e conhecia todo mundo dentro do Santos.

Edinho foi convencido e, assim que chegou à Vila, ficou assistindo a um treino do futebol profissional, já que a equipe juvenil estava treinando fora.

“Então ficamos aguardando o retorno do grupo para que eu fosse apresentado ao treinador. Enquanto isso, fiquei assistindo ao treino do profissional. A questão é que eu não tinha contato sequer com o futebol nos Estados Unidos. Lá, o único acesso ao futebol que eu tinha era a Bundesliga e a Premier League. E era um futebol muito burocrático”, explicou.

Por isso, o primeiro contato, logo assistindo ao treino do profissional, impactou um jovem Edinho.

“Quando vi pela primeira vez o futebol de profissionais ali no alambrado atrás do gol, fiquei impressionado. Vi a força dos caras, o tamanho da perna dos caras, eles corriam perto de mim, o chão tremia. Foi algo que me impressionou e desmistificou instantaneamente todo o preconceito que eu tinha”, revelou.

Quando o time juvenil retornou à Vila, Edinho foi apresentado ao treinador. Sem que Pelé fosse citado, o filho do Rei foi apresentado apenas como um “sobrinho lá dos Estados Unidos”.

“Fizeram a cerimônia ali de me preservar, embora com certeza hoje eu saiba que o treinador sabia, mas ele foi cordial. ‘Ah, você vai passar um período aqui com a gente, você vai treinar? Você joga em que posição?’”, relembrou Edinho.

Sem saber o que responder e com receio de dizer que, na verdade, não jogava futebol, Edinho surpreendeu.

A decisão, tomada “por acaso”, se tornou definitiva. A partir dali, Edinho passou um período de 40 dias treinando no Santos, na posição de goleiro, e se apaixonou.

“E, realmente, a partir dali eu encarei o desafio contra tudo e contra todos. ‘Pequeno para a posição’, ‘não tem experiência’, ‘só vai jogar por causa do pai’ e tudo isso só alimentando o fogo e a chama da perseverança. Foi aonde nasceu o Edinho goleiro”, concluiu.

Com Edinho, ex-goleiro e filho de Pelé, o CNN Esportes S/A chega à 147ª edição. Apresentado por João Vitor Xavier, o programa aborda os bastidores de um mercado que movimenta bilhões e é um dos mais lucrativos do mundo: o esporte.

Em pauta, os assuntos mais quentes da indústria do mundo da bola, na perspectiva de economia e negócios.

Acompanhe Esportes nas Redes Sociais
 

 

Belo Horizonte