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Atlético x Flamengo: segurança montada no jogo contra o River será repetida na Copa do Brasil

Operação de segurança do jogo entre Atlético e River foi a maior de uma torcida visitante no novo estádio atleticano

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Jogo entre Atlético e River teve operação de segurança que será repetido na final da Copa do Brasil • Pedro Souza / Atlético

A maior preocupação para a final entre Atlético e Flamengo, na Copa do Brasil de 2024, é com relação à segurança, pela rivalidade que existe entre as duas torcidas. Para o confronto de volta da decisão, em 10 de novembro, na Arena MRV, o esquema já está praticamente definido e já foi testado. Isso porque a Polícia Militar vai adotar o mesmo procedimento da última terça-feira (22), quando o Galo fez 3 a 0 no River Plate, da Argentina, no jogo de ida pelas semifinais da Libertadores.

Foi a maior operação de uma torcida visitante no novo estádio atleticano e o saldo positivo dá segurança às forças de segurança de Minas Gerais para o jogo decisivo do Galo diante do rubro-negro carioca, que será mandante na ida, em 3 de novembro, no Maracanã. Os dois confrontos serão às 16h.

“A final da Copa do Brasil terá exatamente a mesma operação desta partida entre Atlético e River Plate. E essa experiência positiva é muito importante para uma operação que ainda é recente, pois o estádio foi inaugurado no ano passado e já apresenta desafios como esses grandes jogos, envolvendo torcidas rivais, que precisamos evitar o contato e são vários os pontos em que isso pode acontecer”, afirma o tenente-coronel Mafra, comandante do Batalhão de Choque.

Só no entorno da Arena MRV foram quase 24 horas de operação das forças de segurança, principalmente o Batalhão de Choque. Isso porque os torcedores do River começaram a chegar ao estádio por volta de 8h da terça-feira. E o embarque de todo mundo, nos mais de 50 ônibus, só terminou na madrugada da quarta-feira (23).

Os millonarios compraram os 3.644 ingressos disponibilizados pelo Atlético, novo recorde de visitantes num jogo da Arena MRV. E receber Los Borrachos del Tablón (LBDT), a Barra Brava do River Plate, nunca é uma tarefa fácil, pois ela é uma das mais violentas da América do Sul e acumula episódios de brigas, inclusive no Brasil.

Embora os quase quatro mil argentinos que estiveram no estádio alvinegro não fossem integrantes da organizada, sua representatividade era significativa, eles influenciam grande parte dos chamados torcedores comuns e carregavam ainda mais um componente.

‘Intercâmbio’

Antes de chegar a Belo Horizonte, a caravana LBDT passou por São Paulo e teve um encontro na sede da Torcida Independente, do São Paulo, que contou ainda com a Torcida Jovem do Flamengo, todas rivais da maior organizada atleticana, a Galoucura.

Inclusive, foram vários os ônibus que vieram de São Paulo, maioria desses justamente com integrantes da barra brava. Do Rio de Janeiro também saíram coletivos em direção a Belo Horizonte, mas com um público formado por gente que aproveitou para curtir a cidade praiana, destino muito procurado pelos argentinos, ou por moradores da Cidade Maravilhosa que torcem para o River.

“Essa grande quantidade de ônibus e pessoas foi um desafio, pois muitos não tinham onde ficar e tivemos que garantir a segurança deles desde o início da manhã, além de monitorar todo o movimento de quem se dirigia ao estádio. Mas para isso foi feita uma mega operação, inclusive elogiada pela Conmebol, pois apesar de a PM ter um papel constitucional maior na manutenção da ordem pública e empenhar tropas de elite, Choque e Rotam, além do Pegasus (helicóptero), tiveram participação importante a Polícia Civil (PC), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Guarda Municipal (GM) e BHTrans”, explica o Tenente Rodrigues, Comandante do Policiamento Externo da Arena MRV, responsabilidade do 5º Batalhão.

Especificamente no jogo contra o Flamengo, a parceria com a PRF será ainda mais importante, pois será grande o deslocamento de flamenguistas rumo a Belo Horizonte.

A operação da PM no jogo contra o River Plate, na Arena MRV, contou com acompanhamento externo. Quatro policiais federais argentinos, descaracterizados, participaram de todo o processo no estádio, assim como representantes da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), que integra o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Apesar da complexidade do jogo, apenas seis ocorrências foram registradas, a mais grave delas a de um argentino, preso por provocar tumulto com o agravante de ato de racismo. Dois atleticanos tentaram invadir o estádio, foi registrado um roubo do lado do Atlético e uma pessoa foi detida por briga na região dos bares.

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Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro