“O Dadá não é eterno, mas a sua história será sempre eterna. Obrigado, Deus”. Essa é a fala de Dario José dos Santos. Nascido no Rio de Janeiro em 4 de março de 1946, ele foi um dos maiores artilheiros da história do futebol brasileiro, famoso pelo oportunismo “Peito de Aço” e por frases icônicas, como “não existe gol feio, feio é não fazer gol”.
Dadá Maravilha completa 80 anos nesta quarta-feira (4), e fala com exclusividade à Itatiaia sobre sua infância, carreira e vida.
Dario teve uma infância difícil. Com apenas cinco anos de idade, viu sua mãe atear fogo ao próprio corpo e falecer. Depois, chegou a passar por casas de detenção de menores por prática de roubo.
“A minha infância foi muito difícil. Foi até bandida. E, depois, eu vi que estava com pouca perspectiva de vida, e peguei no trabalho. Fui para o futebol, onde me consagrei. Fui um jogador de Copa do Mundo, um jogador famoso.”
Início no futebol
Foi aos 19 anos que começou sua história com o futebol, no Campo Grande, ainda no time junior. Em 1967, já com a equipe principal, ele marcou três gols contra o São Cristóvão em pleno Maracanã. O vice-presidente do Atlético à época estava no estádio na ocasião, e o clube mineiro resolveu contratar o atacante no ano seguinte.
Dadá foi artilheiro do
“Foi um gol de cabeça. Eu fui um jogador que tinha uma impulsão muito grande e, qualquer bola alta na área, era difícil para os ‘beques’. Era onde eu me consagrava”, relembra Dadá.
Dadá ainda jogou no Flamengo, Sport, Internacional – com quem também foi campeão brasileiro –, Ponte Preta, Paysandu, Náutico, Bahia, Santa Cruz, Goiás, Coritiba e outros clubes menores do futebol brasileiro. Além disso, fez parte da Seleção Brasileira campeã mundial de 1970.
“Aquela Seleção foi fantástica, e eu não era tão craque como muitos, mas eu tinha um esforço… Eu superava tudo pela força. Eu tinha muito amor à camisa e cheguei onde eu nunca pensei que fosse chegar”, destaca Dadá.
A Seleção tricampeã mundial contava com vários craques, como Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivellino, Gérson, Carlos Alberto Torres, Félix, Brito, Piazza, Everaldo e Clodoaldo.
“Foi uma coisa que marcou muito a minha vida essa conquista. Eu, no meio de tantos craques, nunca pensei que eu pudesse chegar onde cheguei”, diz o “Peito de Aço”.
Dario atuou pela Seleção Brasileira por 12 jogos e marcou dois gols, com oito vitórias, um empate e três derrotas pela Amarelinha. Além da Copa do Mundo no México, Dario ganhou pela Seleção a Taça Independência em 1972.
Outros craques
Durante o período, Dadá jogou ao lado do Pelé. Segundo ele, em um quesito, o “Maravilha” superou o Rei do Futebol.
“O que me marcou muito com o Pelé foi que eu surpreendi a todos os jogadores. Todo mundo rindo, nós estávamos treinando para ver quem cabeceava melhor. Pelé e Dadá que disputavam. Surpreendentemente, eu superei Pelé”, afirma.
Além dos craques da Copa de 1970, Dadá acompanhou o surgimento de dois grandes nomes da história do futebol brasileiro: Reinaldo no Atlético, e Zico no Flamengo. “Dois jogadores extraordinários, mas eu acho que o Zico foi mais craque”, opina Dadá.
Ao todo, segundo seus próprios cálculos, Dadá tem 926 gols na carreira. O desempenho o coloca como o quinto maior artilheiro do futebol brasileiro, perdendo para Pelé (1.283), Arthur Friedenreich (1.239), Romário (1.002) e Túlio Maravilha (1.000).