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Presidente de La Liga questiona 'perdão' a Infantino e faz duras críticas à Fifa

Javier Tebas Medrano comentou a reunião de emergência convocada pela instituição em Rabat, capital de Marrocos

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Gianni Infantino, presidente da Fifa
Gianni Infantino, presidente da Fifa • Reprodução/Fifa

Presidente de La Liga, Javier Tebas Medrano publicou um longo comunicado em que questiona a legitimidade do perdão dado a Gianni Infantino em reunião realizada em Rabat, capital do Marrocos, na última quarta-feira (5). A entidade máxima do futebol acionou um protocolo de "contenção de crise" após ameaças de boicotes e críticas públicas. 

A polêmica com a Fifa cresceu após o anúncio da criação do Fifa Forward Enterprise (FFE). A proposta previa a criação de uma empresa de capital aberto responsável pelos direitos comerciais das competições da entidade. O plano permitia a venda de 20% das ações a investidores privados e tinha como meta arrecadar até US$4,2 bilhões (cerca de R$ 22,8 bilhões).

Nesse contexto, Gianni Infantino convocou uma reunião de emergência. Nesse contexto, a entidade admitiu que cometeu erros no processo de tentar vender parte das ações, gerando problemas para a instituição e seu presidente. 

Mesmo diante disso, Javier Tebas questionou muitas das decisões recentes da Fifa. Ele defende que Infantino feriu diversos e quebrou a governança institucional.

Além disso, ele critica o apoio de entidades do futebol mundial ao presidente Infantino. De forma específica, cita a AFA, Asociación del Fútbol Argentino.

Veja o que disse Javier Tebas

O PERDÃO DE RABATE: AQUI NÃO ACONTECEU NADA?

A reunião de Rabat e o subsequente comunicado da FIFA são tão surpreendentes quanto preocupantes.

O secretário-geral, Mattias Grafström, que há apenas alguns dias qualificava o ocorrido como uma série de fatos “tristes e reprováveis”, aparece agora demonstrando seu “pleno apoio” a Gianni Infantino. E tudo se pretende encerrar com um pedido de desculpas, uma revisão interna e a promessa de melhorar os “processos e comunicações”.

Não. Há erros ordinários de gestão que podem ser explicados, corrigidos e até perdoados. Mas ocultar decisões transcendentais ao Conselho, às federações membro, aos órgãos de governo e até aos próprios altos executivos da FIFA não é um simples problema de comunicação. É uma gravíssima quebra da governança institucional.

Se se reconhece que houve ocultação, não basta pedir perdão: é preciso determinar quem decidiu agir assim e exigir responsabilidades. Muito menos pode ficar exonerado quem promoveu e dirigiu pessoalmente o processo.

Além disso, o maior escândalo do Mundial não foi unicamente o preço dos ingressos nem a operação fracassada para entregar a investidores privados parte do negócio das competições. Foi que a sanção derivada da expulsão do jogador norte-americano Folarin Balogun ficasse suspensa após as pressões políticas reconhecidas publicamente pelo presidente Trump, permitindo-lhe jogar o jogo seguinte.

Uma interferência política intolerável na independência disciplinar do futebol, sobre a qual Infantino acabou oferecendo explicações peregrinas.

Tampouco pode ser ignorado que o principal representante democrata do Comitê Judicial da Câmara de Representantes abriu uma investigação e requereu a Infantino para uma entrevista formal e a entrega de documentação sobre possíveis relações de favor, atuações do Departamento de Justiça e práticas relacionadas com a venda de ingressos.

Enquanto isso, surgem comunicados da CAF, da AFA e de outras federações apoiando Infantino. Longe de encerrar a crise, esses apoios confirmam que o verdadeiro problema da governança do futebol mundial é o próprio sistema.

Apoiar sem mais quem agiu à margem dos órgãos de governo, após tudo o que se conhece e é admitido pela própria FIFA, desqualifica por si só as instituições que o fazem e seus dirigentes.

O apoio da AFA também não surpreende. A forma personalista de exercer o poder, a falta de contrapesos e a confusão entre instituição e dirigente que caracterizam a gestão de Gianni Infantino guardam demasiadas semelhanças com o modelo de Claudio “Chiqui” Tapia.

Honra, dignidade e meu máximo respeito aos dois altos executivos da FIFA que, segundo apontaram diversos meios, se opuseram ao chamado “perdão de Rabat”. Em uma organização dominada pelo personalismo e pelo silêncio, discordar e defender a integridade institucional exige coragem. Sua posição demonstra que dentro da própria FIFA ainda restam vozes que se recusam a aceitar que aqui não aconteceu nada.

Rabat não pode se converter em uma cerimônia de absolvição entre quem foi afastado do processo e quem os afastou. O problema da FIFA não é de comunicação. É de governança, transparência, independência e concentração de poder.

Esperemos que quem ainda permanece instalado no silêncio cúmplice abra, de uma vez, as janelas de suas próprias casas. E que outros atores relevantes do futebol sigam o caminho marcado pela UEFA e suas 55 federações —que sim se reuniram e adotaram uma posição conjunta—, , figuras como Luis Figo e dirigentes como o príncipe Ali bin Al Hussein, Presidente da Federação Jordana, e outras instituições.

Este deve ser um antes e um depois na governança do futebol mundial.

São tantos os escândalos de governança da FIFA, e se sucedem com tanta rapidez, que uns acabam encobrindo os outros.

JÁ NOS ESQUECEMOS DO CASO BALOGUN? TAMBÉM ESTÁ INCLUÍDO NO “PERDÃO DE RABAT”?

Pedir perdão não substitui prestar contas. Os apoios interessados tampouco podem converter o imperdoável em um simples erro de comunicação.

Aquele dia e aquele ato passarão à história da infâmia da FIFA com um nome: O PERDÃO DE RABAT.

https://x.com/Tebasjavier

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Igor Varejano é jornalista formado pela UFOP. Tem experiência em esportes e cidades no rádio e em portais. Colaborou com Agência Primaz, Jornal Geraes e Rádio Real. Atualmente é repórter do Itatiaia Esporte.

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