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San Lorenzo repudia tratamento dado à sua torcida em BH e relatará fatos à Conmebol

Ao longo do jogo contra o Atlético, nessa terça-feira (20), pela Copa Libertadores, torcedores entraram em choque com a Polícia Militar; houve pessoas detidas e feridas

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PM entra em choque com torcida do San Lorenzo na Arena MRV, em jogo da Libertadores
PM entra em choque com torcida do San Lorenzo na Arena MRV, em jogo da Libertadores • Araceli Souza/MyPhoto Press/Gazeta Press

O San Lorenzo emitiu um comunicado nesta quarta-feira (21) e repudiou o tratamento que sua torcida recebeu em Belo Horizonte e na Arena MRV durante a partida contra o Atlético, nessa terça (29), na partida de volta das oitavas de final da Copa Libertadores.

O clube argentino perdeu o jogo contra o Galo por 1 a 0 e foi eliminado da competição continental.

Ao longo do segundo tempo, a PM entrou em choque com torcedores do San Lorenzo na arquibancada e fez uso de tiros de balas de borracha e gás lacrimogêneo. Os efeitos das bombas foram sentidos por torcedores em todo o estádio e até jogadores em campo. O jogo foi paralisado, e vários atletas foram atendidos no gramado.

Em nota, o San Lorenzo repudiou com veemência a postura da Polícia Militar e afirmou que seus torcedores reagiram a ofensas e a objetos atirados no setor de visitantes.

“San Lorenzo repudia energicamente todos os fatos ocorridos em Belo Horizonte, desde a injustificada e selvagem agressão da polícia brasileira a nossos torcedores. (...) Os torcedores azul e grená se ajustaram a todas as recomendações de segurança para chegar ao estádio. Apesar disso, tiveram que suportar uma importante demora no ingresso ao estádio como também mensagens ofensivas no caminho e objetos com figuras violentas”, relatou o clube.

“Durante o jogo, houve ofensas e provocações do público local, que exibiu bandeiras e jogou objetos em nossos torcedores. Isso culminou com um feroz ataque policial ao público do San Lorenzo, com disparos de balas de borracha e gás lacrimogêneo, uma repressão que provocou mais de dez feridos”, acrescentou.

Em outro ponto, o clube argentino informou que contou com a ajuda do Consulado da Argentina em Belo Horizonte para liberar quatro torcedores detidos pela Polícia Militar.

Por conta dos episódios, o San Lorenzo agregou que fará uma representação à Conmebol para cobrar punições.

O clube lamentou ainda que torcedores argentinos novamente foram mal recebidos no Brasil.

“San Lorenzo realizará uma representação à Conmebol com todas as provas questionando fortemente o dispositivo de segurança implementado e repudiando a violência sistemática que sofrem os times argentinos no momento de disputar seus compromissos no Brasil”.

Leia o comunicado oficial do San Lorenzo

San Lorenzo repudia energicamente todos os fatos ocorridos em Belo Horizonte, desde a injustificada e selvagem agressão da polícia brasileira a nossos torcedores até uma série de acontecimentos que atentam contra a esportividade e a boa relação entre os clubes, indispensáveis para alcançar a paz no futebol.

As situações negativas que ocorreram foram muitas. Os torcedores azul e grená se ajustaram a todas as recomendações de segurança para chegar ao estádio. Apesar disso, tiveram que suportar uma importante demora no ingresso ao estádio como também mensagens ofensivas no caminho e objetos com figuras violentas. O mesmo aconteceu com a delegação oficial, que foi retida por um longo tempo diante da má recepção do clube local.

Durante o jogo, houve ofensas e provocações do público local, que exibiu bandeiras e jogou objetos em nossos torcedores. Isso culminou com um feroz ataque policial ao público do San Lorenzo, com disparos de balas de borracha e gás lacrimogêneo, uma repressão que provocou mais de dez feridos.

Quando começou o ataque policial, apesar do pedido dos nossos jogadores, o árbitro (de questionável desempenho), só paralisou o jogo quando caiu ao gramado um jogador do Atlético Mineiro.

Mais tarde, no momento em que nosso time buscava o empate, os mandantes abriram uma saída inflável do campo para frear a partida.

A saída dos nossos torcedores também sofreu uma retenção de mais de duas horas. Aí, a polícia requisitou microônibus violentamente e deteve quatro pessoas.

O clube acompanhou parcialmente a cada um desses momentos, se colocou à disposição dos feridos e resolveu que os dirigentes Martín Cigna e Leandro Goroyesky ficariam em Belo Horizonte até resolver a situação dos quatro detidos.

Por fim, graças à colaboração do Consulado Argentino em Belo Horizonte e ao cônsul Santiago Muñoz Martínez, os quatro torcedores foram liberados e vão regressar à Argentina nas próximas horas.

San Lorenzo realizará uma representação à Conmebol com todas as provas questionando fortemente o dispositivo de segurança implementado e repudiando a violência sistemática que sofrem os times argentinos no momento de disputar seus compromissos no Brasil.

Por último, o San Lorenzo agradece aos torcedores que, com esforço e incondicionalmente, acompanham a equipe.

O saldo, mais além do resultado, é inaceitável para todos porque a violência e a repressão tiraram o protagonismo do espetáculo.

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Gerente de Jornalismo e Esporte Digital da Itatiaia. Construiu sua carreira no jornalismo online, desde 2000. Grande experiência como repórter, editor-chefe e coordenador. Na Itatiaia, ajudou a criar o projeto digital Itatiaia Esporte (portal e redes). Antes, passou por Superesportes, Estado de Minas, TV Alterosa, Veja BH e Canal 23.

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