Belo Horizonte
Itatiaia

Atlético e Peñarol buscam façanha que só ocorreu quatro vezes na história da Libertadores

Decisão da Copa Libertadores de 2024 pode ter, apenas pela quinta vez na história do torneio, uma decisão envolvendo dois clubes que se enfrentaram na fase de grupos

Por
Coluna do Alexandre Simões • Itatiaia

A decisão da Copa Libertadores de 2024 pode ter, apenas pela quinta vez na história do torneio, uma decisão envolvendo dois clubes que se enfrentaram na fase de grupos. Para isso acontecer, o Atlético precisa passar pelo River Plate, da Argentina, com o jogo de ida nesta terça-feira (22), às 21h30, na Arena MRV, e o Peñarol, do Uruguai, pelo Botafogo, com o primeiro duelo entre eles acontecendo nesta quarta-feira (23), também às 21h30, no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro.

O curioso nessa história é que o Galo foi o primeiro colocado do Grupo G, com 15 pontos e a segunda melhor campanha geral. Atrás apenas do River Plate, que somou 16 na ponta do Grupo H. Por isso, os argentinos fazem a volta das semifinais no Monumental de Núñez, em Buenos Aires, na semana que vem.

O aurinegro ficou na segunda posição da chave do Atlético, com 12 pontos, número suficiente para garantir o direito de decidir a semifinal em casa diante do Botafogo, que também foi segundo em seu grupo, o D, mas com 10 pontos.

Se passar à final e tiver o Peñarol pela frente, o Atlético precisará alcançar um feito que até agora apenas o seu maior rival, Cruzeiro, tem. Nessa repetição de um confronto na mesma Libertadores, sendo o segundo deles na decisão, apenas uma vez o time que terminou a fase de grupos na frente foi o campeão.

Isso aconteceu em 1997, quando os três primeiros colocados de cada chave avançavam e a Raposa ficou com a segunda posição do Grupo 4, com 9 pontos, enquanto o Sporting Cristal, do Peru, foi o terceiro, com 8. Na decisão, o Cruzeiro levou a melhor.

‘Vingança’

A edição de 1997 foi a primeira em que clubes que se enfrentaram na fase de grupos decidiram a Copa Libertadores, até porque, nas primeiras décadas do torneio, apenas o vencedor de cada chave avançava na competição.

As outras três vezes em que tivemos essa “coincidência” no torneio foram neste século. E em todas quem ficou atrás na fase de grupos ficou com o título.

Em 2008, o Fluminense ficou com a primeira posição do Grupo 8, com 13 pontos, com a LDU, do Equador, sendo a segunda colocada, com 10. Na decisão, os equatorianos levaram a melhor levantando a taça no Maracanã após uma disputa de pênaltis, após cada time vencer em casa por dois de diferença as partidas da final.

A história se repetiu em 2009. O Cruzeiro foi líder do Grupo 5, com 13 pontos, com o Estudiantes também avançando como o segundo, com 10. Após empate sem gols na ida da final, em La Plata, sem gols, no Mineirão os argentinos venceram por 2 a 1, de virada, e fizeram a festa.

Na Copa Libertadores de 2015, o Tigres, do México, foi o primeiro da sua chave com 14 pontos, e o River Plate, da Argentina, o segundo, com apenas 8. Mas quando eles se cruzaram na final, o jogo de volta foi disputado no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, mesmo local da decisão deste ano, em 30 de novembro.

Isso porque o regulamento da Copa Libertadores, quando os clubes mexicanos participavam da competição, previa que no caso deles chegarem à final, não poderiam ter o mando de campo na partida de volta da final, que obrigatoriamente teria que ser disputada na América do Sul. Assim, apesar de terem feito campanha pior, os millonarios decidiram e ganharam o título dentro de casa.

Por

Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro